Clavis Libri

Paraíso

Enredo

A cântica inteira, do começo ao fim. Para o resumo e a análise de cada parte, abra os blocos de cantos.

Dante, o peregrino deixa o cume do Purgatório com Beatriz, sobe pelos nove céus e chega ao Empíreo, onde está a rosa dos bem-aventurados. Sobe sem perceber o movimento, e em cada céu as almas aparecem como luzes para que ele entenda os graus; cada dúvida dele vira uma lição, e o que ele vê vai excedendo o que consegue dizer.

Cantos I a IV: a Lua

Dante invoca Apolo e vê Beatriz olhar o sol; do olhar dela nasce a mudança que ele só nomeia, trasumanar, e ela corrige a ilusão de que está na terra e explica a subida como ordem natural, do rio que desce ao fogo que sobe (canto I). Um aviso ao leitor da barquinha precede as manchas da Lua, que Beatriz refuta com experiência e explica pela forma (canto II). Piccarda Donati, freira arrancada do claustro, diz que a vontade de Deus é a paz das almas daquele degrau e some cantando Ave Maria (canto III). Beatriz responde às duas dúvidas de Dante, sobre o mérito sob violência e o retorno das almas às estrelas (canto IV).

Cantos V a VIII: Mercúrio e Vênus

Beatriz ensina que a liberdade é o maior dom e que um voto não se troca por arbítrio; os dois sobem a Mercúrio, onde as luzes se aproximam como peixes num viveiro (canto V). Justiniano fala sozinho o canto inteiro: conta a história da águia de Eneias a Carlos Magno, julga guelfos e gibelinos e termina em Romeu, o peregrino mal pago (canto VI). Beatriz explica por que a cruz foi justa e por que Deus foi mais largo ao se dar do que ao perdoar (canto VII). Em Vênus, o espírito que a tradição identifica com Carlos Martel responde como de bom pai nasce mau filho: a providência faz o filho diferente do pai, e o mal vem do mundo que torce a natureza de cada um (canto VIII).

Cantos IX a XII: Vênus e o Sol

Cunizza se perdoa e prediz castigo à Marca; Folquet diz que ali não se arrepende, mas se ri, mostra Raab e acusa Florença, o florim e as Decretais (canto IX). No Sol, uma coroa de doze sábios cerca Dante e Beatriz, e Tomás os nomeia e descreve, da luz que a tradição lê como Salomão a Sigieri (canto X). Tomás conta a vida de Francisco como um casamento com a Pobreza e termina denunciando o próprio rebanho (canto XI). Uma segunda coroa responde: Boaventura louva Domingos e condena os extremos da ordem de Francisco (canto XII).

Cantos XIII a XVI: o Sol e Marte

Tomás explica que Salomão é sem par só em prudência régia e manda Dante pôr chumbo nos pés antes de afirmar ou negar (canto XIII). Beatriz pergunta pela ressurreição dos corpos, uma voz responde com a imagem do carvão em brasa, e em Marte a cruz de luzes lampeja Cristo (canto XIV). Cacciaguida, trisavô de Dante, o saúda em latim e descreve a Florença antiga por ausências (canto XV). Em seguida passa pelas famílias da cidade, e a queda delas é de soberba (canto XVI).

Cantos XVII a XX: a profecia e a Águia

Cacciaguida anuncia o exílio, o pão alheio que sabe a sal e o primeiro abrigo, e manda Dante dizer tudo, ainda que a voz incomode (canto XVII). Em Júpiter as almas escrevem uma frase, Diligite iustitiam qui iudicatis terram, e a transformam numa águia (canto XVIII). A Águia fala em primeira pessoa do singular por muitas almas e responde à dúvida sobre o homem do Indo perguntando a Dante quem é ele para julgar de longe (canto XIX). Nos olhos dela estão Rifeu e a luz que a leitura corrente identifica com Trajano, dois pagãos salvos, e a lição é que os mortais devem ser cautos em julgar, porque nem os bem-aventurados conhecem todos os eleitos (canto XX).

Cantos XXI a XXIV: Saturno e as estrelas fixas

Em Saturno, Beatriz não ri e o céu não canta para poupar o ouvido de Dante; Pedro Damião diz que o motivo da sua escolha está fechado à vista criada (canto XXI). Bento diz que a escada vai até o Empíreo e que a regra dele ficou para dano, e Dante olha a Terra de cima, um canteiro que o faz sorrir (canto XXII). Cristo triunfa, Maria é coroada e o poema confessa que precisa saltar (canto XXIII). Pedro examina Dante sobre a fé, e ele a define como substância das coisas esperadas e argumento das não vistas (canto XXIV).

Cantos XXV a XXVIII: as três virtudes e o Primeiro Móvel

Dante espera voltar poeta à pia do batismo; Tiago o examina sobre a esperança e João aparece, corrigindo a crença de que subiu ao céu em corpo (canto XXV). Examinado sobre a caridade, Dante fala com a alma que a tradição lê como Adão, que diz que o exílio veio do transpor do sinal e que o nome de Deus mudou na boca dos homens (canto XXVI). Pedro muda de cor e acusa quem ocupa o lugar dele; no Primeiro Móvel, Beatriz passa da astronomia à cupidigia (canto XXVII). Dante vê um ponto de luz cercado de nove círculos de anjos, e Beatriz explica por que o mais perto do ponto é o mais veloz (canto XXVIII).

Cantos XXIX a XXXIII: o Empíreo

Beatriz fala da criação dos anjos, da queda de Lúcifer e das fábulas dos pregadores (canto XXIX). No Empíreo, Dante bebe do rio de luz, vê a rosa e o trono vazio do alto Arrigo, que a tradição lê como Henrique VII (canto XXX). Em lugar de Beatriz está Bernardo, que a mostra num trono, e ela lhe sorri e volta à fonte (canto XXXI). Bernardo explica os assentos da rosa e as crianças que nela se sentam por mérito alheio (canto XXXII). Bernardo reza a Maria, e Dante vê o universo reunido num volume, três giros e a imagem humana; o desejo e a vontade dele giram, movidos pelo Amor (canto XXXIII).

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