Cantos I a IV: A praia e o Antepurgatório
Catão recusa a Virgílio o pedido em nome de Márcia e cede ao nome da dama do céu. O que o texto mostra, nessa troca, sobre o que pode e o que não pode mover o guardião da montanha?
Catão interrompe o canto de Casella e manda as almas correrem ao monte. O que, no que acabou de acontecer, o texto dá como razão para a pressa dele, e o que dá como razão para a demora delas?
Manfredi diz que a bondade infinita tem braços tão grandes que toma o que se volta para ela, e logo impõe a quem morre em contumácia da Igreja uma espera trinta vezes maior que a presunção. Como o canto concilia as duas coisas?
Virgílio diz que a montanha pesa no começo e alivia à medida que se sobe, e Belacqua diz que o céu tem de girar fora tanto quanto durou a sua demora em vida. Que relação os dois versos estabelecem entre esforço e tempo?
Cantos V a VIII: Os que se arrependeram tarde
Os três que falam a Dante pedem lembrança ou oração, e nenhum pede vingança contra quem o matou. O que as palavras de cada um (Fano, Giovanna, "salsi colui") mostram sobre aquilo de que eles ainda dependem dos vivos?
Dante acusa a Igreja, o imperador e Florença na mesma invectiva, e a abre com o abraço de dois mantuanos que nunca se viram. O que o abraço de Sordello e Virgílio mostra, no canto, do que falta à Itália?
Virgílio diz que perdeu o céu "não por fazer, mas por não fazer", e Sordello aponta em Rodolfo alguém que parecia ter negligenciado o que devia. O que as duas falas têm em comum, e em que o canto as distingue?
Dante diz que não viu como os anjos se moveram, mas viu um e outro em movimento, e a serpente foge ao ouvir o ar fender-se nas asas. O que o poeta escolhe mostrar e o que escolhe confessar não ter visto, e que efeito isso dá à cena?
Cantos IX a XII: A porta e a soberba
Dante atravessa o último trecho dormindo e só fica sabendo disso pela boca de Virgílio. O que, na chegada à porta, depende dele e o que não depende?
O anjo diz que volta para fora quem olha para trás, e a porta que acaba de abrir range mais alto que o tesouro de Roma arrombado. Por que o poema liga a regra ao ruído, em vez de dá-la em silêncio?
O canto mostra a humildade em três imagens, a da Virgem, a de Davi e a de Trajano. O que cada uma pede a quem a olha, e o que muda quando a figura que se olha é uma mulher, um rei e um imperador?
O poeta manda o leitor não olhar a forma do martírio, mas o que vem depois. Que relação o canto estabelece entre ver a pena e entender a dívida?
Omberto e Oderisi confessam a mesma soberba, um pela linhagem e outro pela arte. Em que a confissão de cada um se parece e em que difere, e o que isso mostra sobre o que cada um perdeu?
Provenzano é poupado da espera por um ato de vergonha, não por uma virtude duradoura. O que o poema pede de quem se arrepende, e quem decide que o ato basta?
Virgílio manda Dante olhar para o chão como remédio e, quando o anjo chega, para o alto. Que relação o canto estabelece entre ver o que a soberba fez com os outros e poder subir leve?
Cantos XIII a XVI: Inveja e ira
Os invejosos têm os olhos costurados, e Dante se sente ofensor por vê-los sem ser visto. O que o poema pretende que o leitor entenda da inveja a partir desse mal-estar de quem olha?
Sapia diz que não foi sábia embora chamada Sapia, e que se alegrou mais com o dano alheio do que com a própria sorte. Que parte da inveja ela reconhece nessa confissão, e que parte o poema deixa por dizer?
Guido del Duca diz de si que o sangue lhe ardia de inveja e depois nomeia, com pena, os senhores que se perderam na Romanha. Que ligação o canto faz entre invejar o bem do outro e chorar o bem que se perdeu?
Dante cala o próprio nome diante de Guido e de Rinier. O que, no canto, torna esse silêncio uma resposta, e o que ele deixa sem dizer?
Virgílio diz que o bem divino cresce quanto mais se reparte e que a inveja supõe o contrário. Que cena do canto XIII ou do XIV mostra melhor o que a inveja pensa do bem, e de que modo a imagem do raio e do espelho a refuta?
As três visões de mansidão mostram uma mãe que repreende o filho, um senhor que recusa vingar a filha e um jovem que perdoa seus assassinos. Em que a cena do jovem difere das outras duas, e o que isso pede a quem sente ira?
Marco concede que o céu inicia os movimentos, mas nega que os determine. Que consequência o canto tira dessa distinção para a justiça de premiar o bem e punir o mal?
Marco põe a causa do mundo perdido em quem governa e não na natureza corrompida de cada um. O que isso muda na pergunta de Dante sobre a culpa dos homens, e o que ainda fica a cargo de cada um?
Cantos XVII a XXI: O amor, a acídia e a avareza
Virgílio responde à pergunta sobre a ofensa daquela cornija com a definição de um amor, não com um pecado. O que muda na ideia de culpa, e no que se espera de quem a purga, quando todo vício é amor que se desviou?
Virgílio declara que o amor natural nunca erra e que o de ânimo pode errar de três modos. Como o canto relaciona a possibilidade de errar com a de merecer?
Dante objeta que, se o amor vem de fora e a alma só anda com esse pé, não há mérito em andar direito ou torto. Como a resposta de Virgílio distingue o que se recebe sem escolha do que se pode reter?
Virgílio diz que responde até onde a razão vê e que o resto espera Beatriz, porque é obra de fé. O que o poema ganha ao pôr esse limite na boca do guia pagão?
Dante sonha uma mulher que seu olhar muda de monstro a sereia, e Virgílio manda-o olhar o chamariz que Deus gira. O que o poema diz do desejo ao dar ao mesmo olhar o poder de enfeitar e o de ser reencaminhado?
Adriano diz que só ao chegar ao cume do poder descobriu a vida mentirosa e que então se acendeu nele o amor da outra vida. O que o canto sugere sobre o tempo da conversão e sobre a pena que o acompanha?
Hugo Capeto fala como a raiz de uma planta má e pede vingança contra a própria casa. Que efeito tem no leitor ouvir a denúncia da avareza dos reis de França da boca do fundador deles?
O terremoto assusta Dante como a morte e é comparado ao tremor de Delos antes do parto de Latona. O que o canto ganha por mostrar o medo antes da alegria, e a causa antes da explicação?
A sede de Dante, no começo do canto, é uma sede natural que só uma água sacia, e Estácio explica o tremor pela vontade livre de uma alma. Como o canto liga o querer de uma alma à festa da montanha toda?
Estácio diz que aceitaria um sol a mais de purgação por ter vivido no tempo de Virgílio, sem saber que o tem ao lado. O que o riso de Dante e o gesto de Virgílio dizem sobre o que cada um deles pode e não pode calar?
Cantos XXII a XXV: Gula e a geração da alma
Virgílio supõe que Estácio foi avaro, e Estácio explica que foi pródigo e depois cristão escondido. Que relação o canto estabelece entre os dois pecados que o prenderam na montanha e o que Virgílio supunha?
Estácio compara Virgílio a quem anda de noite com o lume atrás, que não ilumina a si mesmo e ilumina os que vêm depois. O que essa imagem diz do guia pagão e do que o poema já lhe reservou, dito por quem lhe deve a fé?
Forese diz que a pena que sofre é consolo, porque a vontade que as leva às árvores é a que levou Cristo a dizer Eli. Como o canto liga a dor da purgação ao querer de quem a sofre?
Dante só reconhece Forese pela voz, e Forese atribui a rapidez da sua subida ao pranto de Nella. O que o canto sugere sobre o que se reconhece em alguém depois que o aspecto se perdeu, e sobre o que uma pessoa deve a quem ficou por ela?
Bonagiunta murmura o nome de Gentucca antes de falar claro e, depois de ouvir Dante, reconhece o limite do seu estilo e o de seus companheiros. O que o canto sugere sobre quem pode nomear o que separa duas maneiras de escrever?
A árvore que as almas veem não responde aos pedidos e fica à vista, e a voz entre as ramas mostra a origem dela no lenho que Eva mordeu. Que função tem o desejo mantido à vista, no modo como o poema trata a gula?
Dante pergunta como se emagrece onde não há necessidade de nutrição, e a resposta de Estácio passa pela geração do corpo, pela vinda do intelecto e pelo corpo de ar da sombra. O que a explicação diz sobre o que a alma conserva depois da morte, e por que quem responde é Estácio e não Virgílio?
Estácio diz que a sombra se figura conforme os desejos e afetos que a afligem. O que o poema ganha ao mostrar o desejo na forma do corpo, aqui na magreza e no fogo?
Cantos XXVI a XXIX: O fogo e o Éden
As sombras que se cruzam gritam, cada bando, o exemplo do próprio pecado, e a que fala a Dante diz que isso é feito em desonra delas. O que o grito acrescenta ao fogo, e o que ele diz sobre a relação dos dois bandos com o próprio pecado?
Guinizelli aponta outro poeta como melhor artífice da língua materna e critica quem julga por fama. Que critério de julgamento de poesia está em jogo, e como ele se aplica ao encontro entre Dante e o poeta que ele chama de pai?
Dante não se aproxima de Guinizelli por causa do fogo, mas se oferece a seu serviço. O que Dante pode dar a quem está do outro lado das chamas, e o que Guinizelli pede em troca?
Virgílio tenta convencer Dante a entrar no fogo com três argumentos e não consegue. Quais são os três, e por que só o nome de Beatriz o move?
O sonho de Lia e Raquel vem logo depois do muro de fogo. O que cada irmã diz que quer, e que ligação o canto sugere com o jardim que Dante vai encontrar?
Virgílio diz que coroa e mitra Dante sobre si mesmo e que o seu arbítrio é livre, reto e são. O que ele entrega a Dante, e o que ele reconhece não poder dar?
Dante compara a mulher do outro lado do rio a Prosérpina, no tempo em que a mãe a perdeu e ela a primavera. O que o mito traz para a cena do Éden?
Matelda diz que o sumo Bem deu este lugar ao homem como penhor da paz eterna e que o homem, por falta sua, trocou o riso honesto por pranto. Que relação o poema estabelece, nessa explicação, entre a queda e o lugar em que Dante está?
Virgílio e Estácio ouvem com riso o corolário sobre os poetas antigos que sonharam este lugar. O que o riso dos dois sugere sobre o que eles sabem e o que ignoram?
Dante repreende a ousadia de Eva e diz que, se ela tivesse suportado o véu, ele teria sentido essas delícias antes e por mais tempo. Que relação o peregrino estabelece entre a falta de Eva e o seu próprio caminho?
O poeta pede às Musas ajuda a título de ter sofrido fomes, frios e vigílias por elas. O que essa condição diz de como ele pensa a relação entre o esforço do poeta e a ajuda que recebe?
Matelda repreende Dante por olhar só as luzes e não ver o que vem atrás delas. Que lição de leitura a repreensão dá a quem está diante de um conjunto de sinais?
Cantos XXX a XXXIII: Beatriz
Dante se volta para dizer a Virgílio que reconhece os sinais da antiga chama e encontra o lugar vazio. O que o poema ganha por mostrar a perda de Virgílio no momento em que Beatriz aparece, e não antes?
Beatriz chama Dante pelo nome para dizer que ele não deve chorar ainda por Virgílio, e que há outra espada pela qual chorar. O que essa abertura diz sobre o que ela espera dele?
Beatriz fala de Dante em terceira pessoa aos anjos antes de falar com ele. Que efeito o poeta obtém ao pôr a acusação na forma de um relato a terceiros?
Beatriz exige que Dante confesse e diz que, na corte dela, a roda se volta contra o fio quando a acusação sai da própria face. Por que a confissão em voz alta faz parte da purificação?
Beatriz diz que o prazer maior que Dante conheceu foi o corpo dela e que, perdido esse, nada mortal devia atraí-lo. Que tipo de argumento é esse, e o que ele supõe sobre a relação entre amor e desejo?
Nos olhos de Beatriz o grifo aparece ora de um modo, ora de outro, enquanto em si fica imóvel. O que Dante vê, e por que o poeta se dirige ao leitor nesse ponto?
Beatriz promete a Dante que será cidadão da Roma de que Cristo é romano e logo o manda escrever o que vê do carro. Que relação o poema estabelece entre a cidadania prometida e a tarefa de escrever?
O narrador diz que não sabe descrever o sono e deixa a quem quiser a tarefa de fingir bem o adormecer. O que essa escusa mostra sobre os limites do que ele pode contar, e como ela dialoga com a ordem de escrever o que viu?
O carro é atacado por uma águia, uma raposa e um dragão, e acaba coberto de penas e transformado em monstro. O que muda no carro a cada ataque, e o que o poeta faz o leitor ver sem nomear?
Beatriz manda Dante deixar o medo e a vergonha, escrever sem esconder o que viu e avisa que a sua narração é escura como as de Têmis e da Esfinge. Que relação o canto estabelece entre obscuridade e testemunho?
Beatriz argumenta que, se Dante não se lembra de ter se afastado dela, é porque bebeu do Lete, e que o esquecimento prova a culpa. Em que sentido o remédio é também prova?
O poeta encerra a cântica porque as páginas estão cheias e o freio da arte não o deixa ir adiante. Que papel tem o limite formal na imagem final de Dante renovado?
A obra inteira
Um velho pagão, que a tradição toma por Catão e por suicida, guarda a montanha (canto I), um excomungado se salva por um arrependimento de última hora (canto III) e um imperador pagão, que a lenda diz livrado pela oração de um papa, aparece como exemplo de humildade (canto X). O Purgatório tem um critério que o leitor possa formular, ou os casos mostram que o poema se concede uma liberdade que não explica?
Manfredi diz que a espera de quem morre excomungado é trinta vezes o tempo da presunção, a menos que boas preces a encurtem (canto III); Belacqua dá a regra dos que adiaram o arrependimento (o céu gira fora tanto quanto durou a vida) (canto IV); e Virgílio, perguntado se a oração dobra o decreto do céu, responde que o fogo do amor cumpre num instante o que a satisfação pedia (canto VI). O que a oração dos vivos muda, e o que ela deixa no lugar?
Virgílio ensina que todo ato nasce de amor (canto XVII), e Dante objeta que, se o amor vem de fora, não há mérito nem culpa; a resposta é o poder de reter o amor (canto XVIII). Um canto antes, Marco Lombardo põe a causa do mal no homem livre e no mau governo (canto XVI). Quanto da culpa cabe a cada um e quanto a quem governa?
Estácio diz que só depois de quinhentos anos sentiu a vontade livre de um limiar melhor, e que isso faz o monte tremer (canto XXI); Forese chama de consolo a pena que é o querer que levou Cristo a dizer Eli (canto XXIII). Se a pena é um querer, em que sentido ela ainda é pena?
Bonagiunta reconhece, na resposta de Dante, o nó que o prendia (canto XXIV), e Guinizelli, a quem Dante chama de pai, passa o elogio a Arnaut, que responde em provençal (canto XXVI). O que o poema ganha ao pôr os poetas que o antecederam na fome e no fogo, falando do próprio ofício?
Virgílio diz que perdeu o céu «não por fazer, mas por não fazer» (canto VII), dá a Dante o arbítrio «livre, reto e são» na última fala (canto XXVII) e, no canto XXX, já não está. O que ele entrega a Dante, e o que o poema deixa de dar a ele?
Matelda explica o Éden, o rio e as duas águas (canto XXVIII), repreende Dante por olhar só as luzes (canto XXIX), o mergulha no Lete (canto XXXI) e só no último canto recebe o nome (canto XXXIII). O que o poema deixa ver da função dela sem dizer quem é?
Beatriz chama Dante pelo nome para lhe dizer que não chore ainda por Virgílio (canto XXX), obriga-o a confessar (canto XXXI) e usa o esquecimento do Lete como prova da culpa (canto XXXIII). Por que a purificação passa por uma acusação em voz alta, e o que o gelo do coração, que só derrete quando os anjos se condoem dele (canto XXX), diz do que a acusação pode e não pode fazer?