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Purgatório · Cantos IX a XII

A porta e a soberba

Resumo dos cantos

Estes quatro cantos fazem a passagem do lugar onde as almas esperam para o lugar onde elas começam a trabalhar, e a primeira coisa que o poema mostra dessa passagem é que ela não depende de quem sobe. No IX, Dante dorme, é carregado até a porta por Luzia e recebe de um anjo sete P gravados na testa, um para cada pecado que o monte vai lavar. O resto da parte cuida do primeiro deles, a soberba, em três tempos: no X, imagens de humildade que se leem na pedra como palavra falada; no XI, as sombras curvadas sob blocos de rocha, entre elas o miniaturista Oderisi; no XII, o chão da cornija, onde estão figuradas as quedas dos soberbos e onde se pisa, de cabeça baixa, sobre a memória dos que caíram. O contraste com o Inferno organiza a leitura: lá as almas são o que fizeram, aqui estão deixando de sê-lo, e por isso aqui se canta. A pergunta que a parte deixa é por que a cura da soberba passa tanto pelo olhar, nas imagens e no chão, quanto pelo corpo, no peso e na curvatura, e se um remédio desses basta para quem, como o próprio Dante, entra ali já suspeitando de que o merece.

Canto IX: Luzia, a porta e os sete P

Resumo do canto

Dante dorme sobre a relva do vale em que a noite o apanhou e, na hora da madrugada em que a mente, menos presa à carne, tem visões quase divinas, sonha com uma águia de penas de ouro que desce como um raio e o arrebata até o fogo, onde os dois ardem, até o calor do sonho o acordar. Ele desperta como Aquiles quando a mãe, Tétis, o levou adormecido da casa de Quíron para Ciros: sem saber onde está, gelado de susto. O sol já passa de duas horas, o mar está diante dos olhos e ao lado há só Virgílio, que o manda não temer: chegaram ao Purgatório, e a entrada é a abertura no muro que o cerca.

Análise

Virgílio conta o que o sono escondeu. Ao romper do dia veio uma mulher, que se disse Luzia e pediu para levar quem dormia, a fim de lhe facilitar a viagem; Sordello e as outras sombras ficaram no vale, ela tomou Dante nos braços e subiu, e o guia a seguiu pelos passos dela:

venne una donna, e disse: “I’ son Lucia; / lasciatemi pigliar costui che dorme; / sì l’agevolerò per la sua via”., veio uma mulher e disse: eu sou Luzia; deixai-me pegar este que dorme, que assim lhe facilito o caminho.

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Canto X: A pedra que fala e os soberbos curvados

Resumo do canto

Dentro da porta, Dante ouve o portão fechar-se atrás de si, e a subida por uma fenda na pedra o leva a um terraço de mármore esculpido, onde começam os exemplos de humildade:

Análise

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Canto XI: O Pai-Nosso, Omberto e Oderisi

Resumo do canto

O canto começa na boca das almas, que caminham sob o peso e rezam um Pai-Nosso em tercetos: pedem que o nome de Deus seja louvado por toda criatura, que o pão de cada dia lhes seja dado, porque sem ele quem mais se afana em avançar mais recua, e que ele perdoe como elas perdoam. Uma passagem da oração diz o que a cornija ensina:

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Canto XII: O chão dos soberbos e o primeiro P que se apaga

Resumo do canto

Dante anda ao lado da alma de Oderisi, curvo como ela, tão rente que o poeta o compara a dois bois sob o mesmo jugo:

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Leitura do bloco de cantos

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