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Purgatório · Cantos XIII a XVI

Inveja e ira

Resumo dos cantos

Nesta parte o monte passa do orgulho para os dois pecados que o poema trata como amor voltado contra o outro: a inveja, que sofre com o bem alheio, e a ira, que o ataca. O método é o da cornija anterior, só que os sentidos mudam: lá o remédio passava pelo olhar e pelo peso, aqui os invejosos têm os olhos fechados com fio de ferro e os irosos andam dentro de uma fumaça que apaga o mundo. Em cada cornija Dante ouve vozes antes de ver as almas, e elas ensinam o contrário do vício: generosidade e amor aos inimigos contra a inveja, exemplos de mansidão contra a ira. A resposta de Virgílio no XV, de que o bem divino cresce ao ser repartido, prepara a de Marco Lombardo no XVI, que recusa que o céu seja a causa do mal do mundo e põe a causa no homem e no mau governo. No centro da parte está uma pergunta ao mesmo tempo política e teológica: por que o mundo está perdido se o homem é livre, e quem responde por isso.

Canto XIII: Os invejosos de olhos costurados

Resumo do canto

Dante e Virgílio chegam ao alto da escada e entram numa segunda cornija, que cinge o monte como a primeira, mas de arco mais fechado. Não há sombra nem figura, só a pedra lisa e a estrada na mesma cor lívida da rocha. Virgílio raciocina em voz alta: se esperarem alguém para perguntar o caminho, a escolha deles pode demorar demais. Então fixa o sol, faz do lado direito o centro do giro, volta o corpo para a esquerda e reza:

Análise

«O dolce lume a cui fidanza i’ entro / per lo novo cammin, tu ne conduci», / dicea, «come condur si vuol quinc’ entro. / Tu scaldi il mondo, tu sovr’ esso luci; / s’altra ragione in contrario non ponta, / esser dien sempre li tuoi raggi duci»., ó doce luz, em quem confio ao entrar neste caminho novo, conduz-nos, dizia, como aqui dentro se quer ser conduzido. Tu aqueces o mundo, tu brilhas sobre ele; se outra razão não pesa em contrário, teus raios devem ser sempre guias.

Virgílio, que no Inferno conhecia o caminho, não conhece este e prefere não esperar quem pergunte: escolhe o guia que está à vista, o sol que aquece e ilumina. A cláusula que ele põe, se outra razão não pesar em contrário, é a de quem confia na luz que tem sem a absolutizar. Duas leituras: a razão natural que aprende o rumo pela luz que lhe chega, ou o gesto de um pagão que reza ao astro e não a Deus.

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Canto XIV: Guido del Duca e o vale do Arno

Resumo do canto

Duas sombras, sentadas uma encostada na outra à direita, falam de Dante: quem é este que circula o monte antes de a morte lhe dar o voo, e abre e fecha os olhos quando quer? Uma diz que não sabe, mas que ele não está só, e manda a outra, mais perto, perguntar com doçura. Elas levantam o rosto e uma pede, por caridade, que ele diga de onde vem e quem é, porque a graça que traz as maravilha como coisa que nunca foi. Dante responde sem dar o nome:

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Canto XV: O anjo da misericórdia e as visões de mansidão

Resumo do canto

O sol está a três horas do poente, e os raios batem de frente porque o monte foi girado a ponto de eles andarem rumo ao ocidente. Dante sente a fronte pesar sob um esplendor maior que o de antes e leva as mãos às sobrancelhas para fazer sombra; o raio, que pula do espelho ou da água para o lado oposto, como mostram a experiência e a arte, lhe parece vir de uma luz refratada. Ele pergunta a Virgílio o que é aquilo de que não consegue proteger o rosto, e o guia lhe diz que não estranhe que a família do céu ainda o ofusque: é um mensageiro que vem convidar a subir, e logo ver essas coisas lhe dará prazer, não peso. O anjo os recebe com voz alegre e os manda entrar por uma escada menos íngreme que as outras. Enquanto sobem, cantam atrás deles a bem-aventurança dos misericordiosos e uma saudação a quem vence, que se alegre.

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Canto XVI: Marco Lombardo e o livre-arbítrio

Resumo do canto

A fumaça da terceira cornija é mais escura que o inferno e que a noite sem planeta, sob um céu pobre, escurecido de nuvens quanto pode ser, e mais áspera ao tato: Dante não consegue manter os olhos abertos, e Virgílio se aproxima e lhe oferece o ombro. Como o cego vai atrás do seu guia para não se perder nem esbarrar em coisa que o fira ou mate, Dante anda pelo ar amargo e sujo, ouvindo o mestre dizer que cuide para não ficar separado dele. Ouve vozes que pedem paz e misericórdia ao Cordeiro de Deus, todas com a mesma palavra e o mesmo modo, de modo que entre elas parece haver toda a concórdia. Virgílio confirma que são espíritos que desatam o nó da ira.

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Leitura do bloco de cantos

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