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Purgatório · Cantos XXII a XXV

Gula e a geração da alma

Resumo dos cantos

O fio destes quatro cantos é a voz. Estácio conta que foi poeta e cristão por causa de uns versos de Virgílio, e o poema chama o acaso de luz levada atrás. Dante só reconhece Forese quando o rosto já não diz nada e a voz o devolve, e é de Bonagiunta, um poeta que ficou do outro lado, que sai o nome da escola de Dante. A gula, pecado do gosto, ocupa o resto: uma árvore que se oferece sem poder ser comida, uma fome que Forese chama de consolo, e, no último canto, a explicação de como uma alma sem corpo ainda emagrece, fala, ri e chora, porque forma no ar um corpo de si. Quem explica é Estácio, e não Virgílio, o que marca de novo onde termina o alcance do guia pagão. O sétimo giro começa em fogo e em hino, e a parte fecha com a chaga que, por fim, se refaz.

Canto XXII: Estácio e a árvore da gula

Resumo do canto

O anjo que os levou ao sexto giro ficou para trás, depois de raspar um dos sete P do rosto de Dante e de declarar bem-aventurados os que têm sede de justiça, com o só sitiunt. Dante sobe mais leve, sem fadiga, atrás dos espíritos velozes, e Virgílio começa a falar a Estácio:

Análise

Amore, / acceso di virtù, sempre altro accese, / pur che la fiamma sua paresse fore, o amor, aceso de virtude, sempre outro acendeu, contanto que a sua chama parecesse por fora.

Virgílio abre com um princípio e o aplica a si: o amor aceso de virtude acende outro amor, se a chama aparece. A afeição de Estácio, que Juvenal lhe contou no Limbo, bastou para que ele o quisesse bem sem nunca o ter visto. O poema liga, assim, a doutrina do amor aos poetas: a chama passa de um para outro por quem a vê.

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Canto XXIII: Forese e as sombras magras

Resumo do canto

Dante fixa os olhos na folhagem verde, como quem perde a vida a caçar passarinhos, e Virgílio, mais que um pai, o chama: filho, vem, que o tempo se reparte mais utilmente. Ele se volta e segue os dois sábios, cuja conversa lhe faz o andar sem custo. Ouvem então, em pranto e canto, Labia mea, Domine, de um modo que dá deleite e dor. Dante pergunta ao mestre o que é aquilo, e Virgílio responde que são sombras que talvez vão desatando o nó do que devem. Como os peregrinos pensativos que, no caminho, se voltam para gente que não conhecem e não param, assim vem por trás uma turba de almas silenciosas e devotas, que os ultrapassa admirando-os. Os olhos de cada uma são escuros e cavos, a face pálida, e tão magras que a pele toma a forma dos ossos. Dante pensa em Erisícton, que não ficou assim seco de jejum quando mais temeu, e na gente que perdeu Jerusalém quando Maria cravou o dente no filho:

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Canto XXIV: Bonagiunta e o doce estilo novo

Resumo do canto

Nem o falar atrasava o andar, nem o andar o falar: Dante e os dois mestres seguem em conversa, como nave empurrada por bom vento, e as sombras, que parecem coisas já mortas, tiram dele espanto pelas covas dos olhos, ao notarem que ainda vive. Dante diz a Forese Donati que a sombra de Estácio, de quem falava, talvez suba mais devagar do que faria, por causa de outro (a leitura corrente entende Virgílio, cuja companhia ela prolonga), e pergunta onde está Piccarda e se vê ali alguém digno de nota. Forese responde, sem demora, sobre a irmã:

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Canto XXV: A geração da alma

Resumo do canto

Era a hora em que a subida não queria demora: o sol deixara o círculo do meio-dia ao Touro, e a noite ao Escorpião. Como quem não se detém, e segue o seu caminho seja o que aparecer, se o aperto da necessidade o fere, assim entram os três pela abertura, um atrás do outro, na escada tão estreita que dispõe os que sobem em fila. Dante está como o filhote de cegonha que levanta a asa por vontade de voar e não se atreve a largar o ninho, com a vontade acesa e apagada de perguntar, até o gesto de quem se prepara para falar. Virgílio não o deixa, por rápido que seja o andar, e o anima a soltar a flecha, já que levou a corda até o ferro. Dante abre a boca com segurança:

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Leitura do bloco de cantos

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