Purgatório
Personagens
Dante, o peregrino
Dante é o peregrino que, na segunda cântica, deixa o ar morto do Inferno, chega ao amanhecer à praia deserta de uma ilha e sobe a montanha do Purgatório com o corpo de carne com que nasceu. Esse corpo é o que o distingue de todos: é o único que projeta...
Virgílio
Virgílio é a sombra do poeta de Mântua, autor da Eneida, que guiou Dante pelo Inferno inteiro e continua a guiá-lo na segunda cântica, desta vez como quem não conhece o caminho. No Inferno ele conhecia o caminho; aqui precisa perguntar, raciocinar em voz alta...
Catão
O velho que guarda a praia do Purgatório é um solitário de barba longa e branca, cujo rosto as quatro estrelas que só os primeiros homens viram iluminam a ponto de parecer que o sol o ilumina. O texto não lhe dá nome. Diz que ele deixou a vida em Útica e que...
Manfredi
Manfredi, a quem a tradição dá por rei da Sicília, é o louro, belo e de aspecto gentil que, ao pé da montanha, no Antepurgatório, se identifica a Dante mostrando uma chaga no alto do peito e sorrindo, e diz de quem descende: neto da imperatriz Constança. Tem...
Sordello
Sordello é a alma lombarda, altiva e desdenhosa, de olhos honestos e lentos, que Dante e Virgílio acham sozinha no Antepurgatório e que, como um leão que repousa, não responde ao pedido de caminho. O que a faz levantar é o nome de uma terra: Mântua. A partir...
Marco Lombardo
Marco Lombardo é uma voz dentro da fumaça. O terceiro giro da montanha, o da ira, é mais escuro que o Inferno e que a noite sem planeta, e Dante anda por ele de olhos fechados, atrás de Virgílio, como o cego vai atrás do guia. É dali que alguém pergunta quem...
Estácio
Estácio é o poeta latino que o monte faz tremer. Aparece no quinto giro, atrás de Dante e de Virgílio, como Cristo apareceu aos dois do caminho, segundo Lucas, já saído do sepulcro: fala antes de ser visto e deseja paz. Jazia na pena há mais de quinhentos...
Forese Donati
Forese Donati é o amigo de juventude de Dante que o peregrino só reconhece pela voz. No sexto giro, o da gula, as almas passam em silêncio e devotas, tão magras que a pele toma a forma dos ossos, e é de uma delas, que volta os olhos do fundo da cabeça e grita...
Os poetas do fogo
Guido Guinizelli e Arnaut são os dois poetas do amor que Dante encontra no último fogo da montanha, a cornija da luxúria, e o poema os apresenta juntos, um passando ao outro o elogio que acabou de receber. Guinizelli é o primeiro a falar. Interpela Dante como...
Matelda
Matelda é a mulher que Dante encontra do outro lado de um riacho no Paraíso Terrestre, sozinha, cantando e escolhendo flor entre flores, e que ele não sabe nomear. Só no último canto da cântica o poema dá o nome, e dá de passagem, na boca de outra personagem....
Beatriz
Beatriz é a mulher que o Purgatório promete desde o sexto canto e entrega no trigésimo: a que Virgílio nomeia ao chegar ao limite do que a razão dele alcança, a que desce de uma nuvem de flores à margem do rio no Paraíso Terrestre e a que, em vez de consolar...
Outros personagens
- Casella: o músico amigo de Dante, cuja canção de amor consola o poeta e faz as almas esquecerem o caminho até Catão interromper (canto II)
- Belacqua: o conhecido de Dante sentado à sombra, abraçado aos joelhos, que sabe a regra da espera com exatidão e continua sentado (canto IV)
- Bonconte de Montefeltro: ferido em Campaldino e morto em fuga junto ao Archiano, de corpo nunca achado, cuja alma um anjo disputou com um demônio (canto V)
- A Pia: a senesa que pede só que se lembrem dela e deixa o marido implícito (canto V)
- Rodolfo: o imperador sentado no alto do vale, que podia sanar as feridas da Itália e não o fez, e não move a boca aos cantos dos outros (canto VII)
- Nino: o juiz que Dante se alegra de ver fora dos réus, e que pede que a filha Giovanna reze por ele (canto VIII)
- Currado Malaspina: o senhor do Val de Magra que profetiza a Dante que a opinião cortês sobre a casa dele será pregada na cabeça por fatos (canto VIII)
- Luzia: a mulher que leva Dante dormindo nos braços até a porta, para lhe facilitar o caminho (canto IX)
- Omberto Aldobrandesco: o toscano que a nobreza do sangue fez desprezar todos os homens, a ponto de morrer por isso (canto XI)
- Oderisi da Gubbio: o miniaturista que dá a honra ao rival Franco e fala da vã glória de Cimabue e de Giotto (canto XI)
- Provenzano Salvani: o senhor de Siena poupado da espera por se humilhar na praça para resgatar um amigo (canto XI)
- Sapia: a senesa invejosa que se alegrou com a derrota dos seus em Colle e gritou a Deus que já não o temia (canto XIII)
- Guido del Duca: o romanhês a quem bastava ver um homem alegre para ficar lívido, que faz do vale do Arno um inventário de vícios (canto XIV)
- Adriano V: o papa, sem nome no poema (a tradição o lê assim), que provou um mês e pouco o peso do manto e só então quis outra vida, e que não aceita o joelho de Dante (canto XIX)
- Hugo Capeto: o fundador da casa reinante da França, que se diz raiz da planta má e acusa os próprios descendentes (canto XX)
- Bonagiunta da Lucca: o poeta de Lucca que murmura o nome de Gentucca e nomeia o doce estilo novo (canto XXIV)
- Lia: a mulher do sonho que colhe flores e se enfeita com as mãos, enquanto a irmã Raquel fica diante do espelho (canto XXVII)