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Purgatório · Cantos I a IV

A praia e o Antepurgatório

Resumo dos cantos

O Purgatório é a segunda cântica da Comédia, de Dante Alighieri, em 33 cantos de terza rima, e o primeiro canto diz em seis versos o que ela vai cantar: o segundo reino, onde o espírito humano se purga e se torna digno de subir ao céu. Dante sai do ar morto do Inferno e chega, ao amanhecer, à praia deserta de uma ilha no hemisfério oposto ao de Jerusalém, ao pé de uma montanha que pesa no começo e fica mais leve a cada passo. A quem o recebe, um velho guardião que a tradição identifica com Catão, Virgílio explica que um pedido do céu os trouxe e que o peregrino busca liberdade. As almas que chegam de barco cantam o salmo da saída do Egito, e a regra do lugar aparece logo: purgar é tirar de si o que impede ver a Deus, e a primeira censura que se ouve é à demora. Os quatro cantos desta parte vão da praia (I e II) ao pé da montanha (III) e à primeira espera do Antepurgatório (IV), e a pergunta que os atravessa é quanto pesa o tempo perdido.

Canto I: Catão guarda a praia

Resumo do canto

A cântica abre trocando de mar, e o poeta, antes de chegar ao velho guardião da praia e ao junco que cinge Dante, diz de uma vez o que vai cantar:

Análise

e canterò di quel secondo regno / dove l’umano spirito si purga / e di salire al ciel diventa degno, e cantarei aquele segundo reino onde o espírito humano se purga e se torna digno de subir ao céu.

O verso define o Purgatório por duas ações do espírito, purgar-se e tornar-se digno de subir, e não por um lugar nem por uma pena em si. A mudança vem antes da subida e é a condição dela. Quanto tempo isso leva o poeta não diz aqui, e os cantos seguintes vão medi-lo na espera das almas.

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Canto II: A barca do anjo e o canto de Casella

Resumo do canto

O sol chegou ao horizonte cujo meridiano cobre Jerusalém com o ponto mais alto, e a noite sai do Ganges com a Balança, de modo que as faces da Aurora, ali na praia, passam do branco e do rosa ao alaranjado. Dante e Virgílio ainda estão à beira-mar, como quem pensa no caminho: vai com o coração e fica com o corpo. Vem pelo mar uma luz veloz, vermelha como Marte nos vapores da manhã, que se faz maior e mais clara e logo mostra asas brancas dos lados. Virgílio reconhece o barqueiro e manda Dante ajoelhar de mãos postas: é o anjo de Deus, que desdenha os meios humanos e não quer remo nem vela, só as suas asas. O barco é tão leve que a água não o engole, e nele vão mais de cem espíritos, que cantam juntos:

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Canto III: Manfredi e a bondade infinita

Resumo do canto

Com a fuga das almas, Dante se aperta ao guia: como teria corrido sem ele, e quem o teria levado montanha acima? Virgílio parece remordido por si mesmo, porque a pressa lhe tirou a dignidade do passo, e a consciência dele, digna e limpa, sente amargo um pequeno erro. O sol, que ardia por trás, se rompe diante de Dante pela figura dele, e este, vendo só a terra escura à sua frente, volta-se com medo de ter sido abandonado. O guia o repreende por desconfiar e lhe explica que o corpo em que fazia sombra está sepultado em Nápoles, trazido de Brindisi, e que as sombras sofrem calor e frio em corpos que a Virtude dispõe sem dizer como. Daí tira a regra:

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Canto IV: A subida e Belacqua

Resumo do canto

O canto abre com uma tese sobre a alma: quando um prazer ou uma dor prende uma das nossas faculdades, a alma se recolhe nela e parece não atender a nenhuma outra, e isso vale contra o erro de quem crê que uma alma se acende sobre outra em nós. Dante diz ter provado isso em si:

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Leitura do bloco de cantos

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