Resumo da parte
A Primeira Parte não tem enredo: é um monólogo. O homem do subsolo, quarenta anos, ex-funcionário sem nome, escreve em Petersburgo para "senhores" que ele mesmo inventa, e o que acontece nas onze seções é ele argumentar, retratar-se e se contradizer. O motivo que dá logo na primeira página é a raiva, e a razão para falar é que de si mesmo é de quem um homem decente mais gosta de falar. A nota que Dostoiévski pôs antes do texto abre a leitura:
Análise
И автор записок и самые «Записки», разумеется, вымышлены. Тем не менее такие лица, как сочинитель таких записок, не только могут, но даже должны существовать в нашем обществе
, Tanto o autor das memórias quanto as próprias Memórias são, é claro, inventados. Mesmo assim, pessoas como o escritor de tais notas não só podem, mas até devem existir em nossa sociedade.
Dostoiévski avisa, antes de o homem falar, que ele é inventado e que, mesmo assim, a sociedade que o formou produz gente assim. Com isso fecha de antemão a leitura do narrador como exceção ou caso clínico e põe parte da conta nas circunstâncias. Duas leituras: cautela do autor diante de quem confundiria os dois, ou a tese do livro dita antes de o homem abrir a boca.
Assinatura
A análise completa de cada parte de Memórias do Subsolo está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo I: O doente que não se trata
Resumo do capítulo
O homem do subsolo abre o texto pelo diagnóstico que faz de si mesmo, antes de dizer qualquer outra coisa:
Análise
Capítulo II: Consciência é doença, e dá prazer
Resumo do capítulo
O homem do subsolo promete contar por que não conseguiu ser nem inseto, e a resposta vem sem rodeio: ele tem consciência demais. Bastaria a consciência comum, a dos homens diretos e de ação, e o infortúnio dele é ser instruído e morar em Petersburgo, que descreve como a cidade mais abstrata e premeditada do globo.
Análise
Capítulo III: O camundongo e o muro de pedra
Resumo do capítulo
O capítulo põe lado a lado dois tipos. O homem direto e de ação, quando o sentimento de vingança o toma, avança como touro enfurecido, de chifres baixos, e só um muro o detém, diante do qual cede com sinceridade, porque o muro lhe parece uma solução que tranquiliza. O homem do subsolo sente por ele uma Inveja que chega à bile: é estúpido, concede, mas talvez o homem normal deva mesmo ser estúpido, e talvez isso seja bonito. A antítese é o homem de consciência hipertrofiada, saído de uma retorta e não do seio da natureza, que diante do outro cede a ponto de se considerar um camundongo:
Análise
Capítulo IV: Os gemidos da dor de dentes
Resumo do capítulo
Um interlocutor imaginário ri: depois disso o senhor acharia prazer até numa dor de dentes. O homem do subsolo responde que acharia, e que sabe por experiência, de um mês de dentes doendo: a pessoa não se enfurece em silêncio, geme, e o gemido não é sincero, é maldoso, e tudo está nessa maldade.
Análise
Capítulo V: Sem causa primeira, só inércia
Resumo do capítulo
O capítulo continua a pergunta que fechou o anterior: pode respeitar-se quem procurou prazer até no sentimento da própria humilhação? O homem do subsolo diz que nunca suportou pedir desculpas ao pai e prometer não repetir, não por incapacidade, mas por ser capaz demais: o arrependimento, as lágrimas e os votos de regeneração eram um engano de si mesmo, embora sem fingimento, e um minuto depois já os via como mentira repugnante. Por que se maltratava assim? Por tédio, responde: era chato ficar de braços cruzados.
Análise
Capítulo VI: O sonho de ser preguiçoso
Resumo do capítulo
O capítulo mais curto é uma fantasia no condicional. O homem do subsolo diz que, se pelo menos não fizesse nada por preguiça, se respeitaria: seria definido de forma positiva, haveria o que dizer dele, e ser preguiçoso seria um título, uma carreira, com direito ao primeiro dos clubes. Dá o exemplo de um conhecido que se orgulhou a vida toda de entender de vinho Lafite e morreu com a consciência não só tranquila, mas triunfante.
Análise
Capítulo VII: A vantagem que ninguém computa
Resumo do capítulo
O homem do subsolo descarta o devaneio do capítulo anterior como sonhos dourados e passa ao ataque: quem foi o primeiro a declarar que o homem só faz o mal por desconhecer os seus reais interesses, e que bastaria instruí-lo para que visse no bem a sua própria vantagem? Responde com a história: há milhões de fatos de homens que, compreendendo as suas vantagens, as puseram de lado e foram por um caminho difícil e absurdo, por teimosia e por capricho, e para eles a teimosia foi mais agradável do que qualquer vantagem. E pergunta se as vantagens humanas foram computadas com exatidão: o registro dos estatísticos (bem-estar, riqueza, liberdade, tranquilidade) deixa de fora uma vantagem que não cabe em nenhuma classificação.
Dá o exemplo de um amigo, "pessoa coletiva", que expõe com clareza e emoção como se deve agir pelas leis da razão e da verdade e, quinze minutos depois, sem pretexto exterior, faz o contrário, movido por algo interior mais forte que todos os interesses dele. Os belos sistemas que prometem tornar o homem bondoso e nobre mostrando-lhe os seus interesses são, a seu ver, mera logística, e comparáveis à tese de Buckle, de que a civilização suaviza o homem e o torna menos sanguinário. Responde com o próprio século: sangue em rios, alegre como champanhe, Napoleão, a América do Norte, o Schleswig-Holstein.
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Capítulo VIII: A tecla de piano e o capricho
Resumo do capítulo
Um interlocutor interrompe, rindo: essa vontade nem existe, a ciência já dissecou o homem e sabe que o livre-arbítrio não é nada. O homem do subsolo diz que ia dizer o mesmo e se assustou, e leva a hipótese até o fim: se um dia se achar a fórmula matemática de todos os nossos quereres, o homem deixará de querer, pois que prazer há em querer por tabela?
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Capítulo IX: Dois e dois são cinco, e o sofrimento
Resumo do capítulo
O homem do subsolo diz que graceja rangendo os dentes, e passa a perguntar aos "senhores": como sabem que o homem deve ser refeito e que a vontade dele precisa ser corrigida? Concede que o homem é um animal criador, condenado a abrir caminhos, e pergunta por que ele ama também, até a paixão, a destruição e o caos. Sua hipótese:
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Capítulo X: O palácio de cristal e o galinheiro
Resumo do capítulo
O homem do subsolo volta ao edifício que os "senhores" prometem, e diz que talvez o tema justamente por ser de cristal e eternamente inabalável:
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Capítulo XI: Inércia consciente e o plano de escrever
Resumo do capítulo
O capítulo abre com a conclusão que o monólogo parecia pedir. O homem do subsolo diz que, no fim, é melhor não fazer nada:
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Leitura da parte
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