A Morte de Ivan Ilitch fala do que a morte faz ver da vida que a precedeu: um juiz que viveu como as pessoas bem situadas consideravam correto descobre, doente, que essa vida não o protege de nada e talvez não tenha sido vida.
O livro não pergunta se Ivan Ilitch vai morrer, porque o primeiro capítulo já o mostra no caixão. Pergunta o que a vida correta tem a ver com a morte, e responde devagar, na ordem em que narra: primeiro os vivos que tratam a morte com decoro, depois a biografia, depois a doença.
Cinco temas sustentam a novela. A morte, que os colegas afastam com a ideia de que aconteceu com ele e não com eles. A verdade e a mentira: a mentira geral de que ele está só doente o atormenta mais que a dor, e só Gerássim não mente. A aparência e a realidade: a casa que lhe parece única é igual à de todos os que querem parecer ricos. O sentido da vida: a voz da alma lhe pergunta se viveu bem, e ele responde com a régua que está em julgamento. E a compaixão: ele quer ser consolado como uma criança doente e só se liberta quando sente pena do filho e da mulher.
Por isso é uma novela curta que se lê como pergunta, e não como enredo: cada capítulo tira uma defesa de Ivan Ilitch (o serviço, a casa, o jogo, a lógica, a família, o rito) até restar a que o prende no fim.