Ivan Ilitch Golovin é o protagonista da novela: um juiz russo, membro da Câmara Judiciária, que morre aos quarenta e cinco anos, em 4 de fevereiro de 1882, e cuja vida o narrador define como a mais simples, a mais comum e a mais terrível.
Era o filho do meio de um conselheiro privado de Petersburgo, a fênix da família: esperto, alegre, sociável e rigoroso naquilo que tomava por dever, que era o que as pessoas mais bem situadas tomavam por dever. Formou-se na Escola de Jurisprudência, serviu numa província, tornou-se juiz de instrução quando chegaram as novas instituições judiciárias e aplicou os estatutos de 1864; depois foi promotor adjunto e promotor.
Casou com Prascóvia Fiódorovna por duas razões, fazer algo agradável para si e fazer o que os de cima consideravam correto, e, quando o casamento deixou de ser agradável, refugiou-se no serviço. Perdeu três filhos; ficaram Lisa e Vássia. Preterido em 1880, conseguiu um posto de cinco mil rublos, montou a casa nova e caiu de uma escadinha ao pendurar as cortinas.
O traço dele é a régua: agradável e decoroso são as palavras que medem tudo. Essa régua é o que o protege até a doença, e é o que a doença põe em julgamento. O livro o trata sem vilania nem santidade e deixa em aberto se acusa um homem ou descreve uma classe, porque a mesma vida é contada como escolha dele e como modelo copiado das pessoas que ele tomava por exemplo.