Não há uma frase oficial, mas três do próprio livro concentram o que ele diz: a história passada da vida de Ivan Ilitch foi a mais simples, a mais comum e a mais terrível; talvez eu tenha vivido não como se devia?; e, no fim, em lugar da morte havia luz.
A primeira é do narrador, no começo do capítulo II, e é o juízo dado antes da biografia: a vida terrível não tem nenhum acontecimento terrível, o horror está na simplicidade. A segunda é de Ivan Ilitch, no capítulo IX, quando a pergunta lhe vem de repente à cabeça e ele a afasta na hora, porque fez tudo como se deve. A terceira é a que fecha a travessia: o medo habitual da morte não está lá, porque nem a morte estava, e no lugar dela havia luz.
Merece cuidado uma frase que, solta, parece consolo ou resignação: todos vamos morrer, por que não me esforçar?, dita por Gerássim quando o patrão o manda descansar. No texto, o narrador explica que ele não se cansa porque cuida de um moribundo e espera que alguém cuide dele na sua vez. Há duas leituras: caridade simples, ou reciprocidade de quem sabe que a morte é de todos.