O saco preto é a imagem com que Tolstói mostra a passagem da morte vista por dentro: Ivan Ilitch se sente empurrado com dor para dentro de um saco estreito e fundo, sem conseguir passar.
Aparece pela primeira vez no capítulo IX, sob o efeito do ópio: ele sente que o enfiam num saco preto, estreito e fundo, e que o empurram cada vez mais para o fundo sem conseguir passar. Acorda com as pernas sobre os ombros de Gerássim e chora. No capítulo XII, nos três dias de grito, ele se debate nesse saco, e o narrador diz que o tormento está em não conseguir passar.
O que o impede, diz o narrador, é o reconhecimento de que a vida foi boa. A mesma defesa que o acompanhou nos capítulos anteriores vira obstáculo físico: o saco só se abre quando ele larga a justificação da própria vida. Então uma força o empurra no peito, ele cai no buraco e, no fundo, algo brilha.
O próprio texto dá uma comparação: é como no vagão do trem, quando se pensa que se vai para a frente e se vai para trás, até que de repente se descobre a direção verdadeira. Pode-se ler o saco como a própria vida correta, que protegia e agora aprisiona.