"Dois e dois são quatro" significa, no livro, a verdade que não se discute: a necessidade das leis da natureza e da matemática contra a qual o homem do subsolo se rebela. Ele a vê primeiro como um muro e depois como o começo da morte.
No capítulo III, o narrador enumera as verdades diante das quais os homens de nervos fortes se acalmam: as leis da natureza, as conclusões das ciências, a matemática. Se lhe demonstram que descende do macaco, ele deve aceitar. A todas elas vale o mesmo selo: "porque dois e dois é matemática. Experimentem retrucar."
No capítulo IX, a fórmula vira meta: o homem talvez ame o processo de chegar, e não a chegada. "E dois e dois são quatro já não é vida, senhores, e sim o começo da morte." A fórmula pronta é o fim da procura, e sem procura ele não vê o que restaria a fazer.
Por isso a concessão em tom de pilhéria: "Concordo que dois e dois são quatro é uma coisa excelente; mas, se é para elogiar tudo, dois e dois são cinco também é, às vezes, uma coisinha encantadora." O cinco não é uma tese de aritmética, é um gesto de capricho. No último capítulo da Primeira Parte, ele próprio admite saber, como sabe que dois e dois são quatro, que o melhor não é o subsolo.