O subsolo é o lugar onde o narrador se recolhe depois de ser ofendido e o nome do modo de viver dele: a vida de quem não age, remói tudo em segredo e fala quase só consigo mesmo. É ao mesmo tempo um lugar, um quarto, e um estado.
A palavra aparece como título da Primeira Parte. No capítulo III, o narrador compara o homem de consciência hipertrofiada a um camundongo que, ofendido, se esgueira para a sua fendinha: "no seu subsolo nojento e fedorento, o nosso camundongo ofendido, espancado e escarnecido mergulha de imediato numa raiva fria, venenosa e, sobretudo, eterna". Ali ele remói a ofensa por quarenta anos e acha nisso um prazer estranho.
No fim da Primeira Parte ele grita "viva o subsolo!" e, no parágrafo seguinte, retira o que disse: o melhor não é o subsolo, e sim algo diferente, que ele deseja e não encontra. Na Segunda Parte, o subsolo é também o quarto em que ele se esconde da humanidade, a casca onde mora com o criado Apolón. Diante de Liza, que traz a vida viva, ele deseja voltar ao subsolo, porque a vida sem hábito o oprime a ponto de lhe custar respirar.