Memórias do Subsolo conta a vida de um ex-funcionário de quarenta anos, sem nome, que escreve de um quarto em Petersburgo: na Primeira Parte ele argumenta contra a razão e o cálculo do interesse, e na Segunda conta o que fez aos vinte e quatro anos, até a noite em que tratou com crueldade uma moça que quis ajudá-lo.
Na Primeira Parte, em onze capítulos, o homem do subsolo se apresenta doente, mau e sem graça, e logo desmente que seja mau. Diz que consciência demais é doença, que o homem inteligente do seu tempo não consegue ser coisa alguma e que o homem não age sempre pelo interesse calculável. Contra o palácio de cristal da utopia, defende o direito de querer até o tolo, e acaba retirando quase tudo: admite que não crê numa só palavra do que escreveu e decide contar uma lembrança a propósito da neve molhada.
A Segunda Parte traz três episódios. O oficial que o tira do caminho num bilhar e a desforra de um encontrão ensaiado na avenida Niévski. O jantar de despedida do colega Zvierkóv, a que ele se convida e onde é tratado com condescendência e depois ignorado. E a casa onde conhece Liza, a quem faz um sermão sobre o fim que a espera. Quatro dias depois ela vai à casa dele, vê a briga dele com o criado Apolón e, quando ele grita a sua vergonha, o abraça. Ele responde com dinheiro, ela deixa a nota sobre a mesa e sai: "Nunca mais encontrei Liza e nada ouvi sobre ela." As memórias terminam com uma acusação ao leitor.