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Personagem

Fierfítchkin

Quem é

Fierfítchkin é o outro colega de escola que o homem do subsolo encontra em casa de Símonov. É russo de origem alemã, pequeno, de cara de macaco, e o narrador o apresenta como um tolo que ri de tudo e de todos, seu pior inimigo desde as primeiras séries, insolente, fanfarrão, que se faz de melindroso quanto à honra e é, no fundo, covarde (capítulo III da Segunda Parte). Pertence ao grupo dos que rodeiam Zvierkóv por interesse, com ele tomando dinheiro emprestado, e fala dele como um lacaio que se gaba das condecorações do patrão.

Trajetória

No capítulo III da Segunda Parte é ele quem afirma, com ímpeto, que Zvierkóv não deixará os amigos pagarem sozinhos: aceitará por delicadeza, mas porá meia dúzia de garrafas de seu bolso. Quando o narrador se oferece para entrar na lista, é o primeiro a responder que ninguém sabia onde procurá-lo, cochicha sobre o dinheiro com Símonov, e ao sair acrescenta, zangado, que aquilo é um círculo de amigos e que talvez nem queiram o narrador ali. Sai sem cumprimentá-lo.

No capítulo IV da Segunda Parte o tom se solta com o vinho. Fierfítchkin acompanha o riso de Zvierkóv, num riso fininho e quase de cachorro, quando fica claro que o narrador esperou uma hora sozinho, e lhe lança em seguida que com aquele salário não se almoça em restaurante. A resposta do narrador, de que janta ali com o dinheiro dele e não com o dos outros, abre a briga entre os dois: Fierfítchkin retruca perguntando quem ali janta de graça, se ele pretende exibir inteligência e se enlouqueceu em seu departamento, e é ele quem, no brinde, pede silêncio com ar de escárnio para ouvir tanta inteligência e quem diz que por palavras daquelas se bate no rosto. O narrador então o desafia para o dia seguinte, e Fierfítchkin aceita; mas o desafio sai tão ridículo na figura do homem que a mesa inteira, e Fierfítchkin atrás, cai na gargalhada. Mais tarde, quando o narrador pede perdão a todos, Fierfítchkin insinua, venenoso, que foi o duelo que o assustou, e o narrador responde que se baterá com ele no dia seguinte, depois de reconciliados, e atirará para o ar. No capítulo V da Segunda Parte o narrador, a caminho do bordel, o imagina agarrando-o pelos cabelos na hora da briga.

Temas que encarna

Fierfítchkin é a medida do Orgulho pelo avesso. O narrador diz que ele joga com a honra mais sensível e que, por dentro, é covarde; o texto nunca põe isso à prova, porque o duelo marcado não acontece, e o que se vê é que ele aceita o desafio, ri com a mesa quando ele sai ridículo e insinua medo quando o narrador pede paz. Com isso ocupa o mesmo lugar do narrador, em escala menor: um homem que se aproxima de Zvierkóv e se serve do brilho dele, e que não é levado a sério pelo grupo, só que com a vantagem de estar do lado do riso. O que ele quer, pelo que se vê, é agradar a Zvierkóv e ficar bem diante dos outros; o que sabe, em cada cena, é de que lado a mesa está. Onde se engana, se é que se engana, é em tratar como pose o que, no narrador, vem de aperto, e isso lhe custa pouco, porque a mesa está do lado dele. Duas leituras: o contraste cômico que o texto usa para pôr o narrador no ridículo, ou o espelho em que ele vê o que o jantar faria dele, um satélite que ri com os fortes porque não tem como brilhar sozinho. O narrador o chama de inseto ("козявка") na manhã do jantar, ao imaginá-lo, e a palavra tem o eco de uma Primeira Parte em que ele não conseguiu ser nem inseto.

Relações