Quem é
Símonov é o único ex-colega de escola que o homem do subsolo ainda visita. Os outros ele evita desde que saiu da escola, que amaldiçoa como anos de trabalhos forçados, e talvez tenha mudado de repartição justamente para não os encontrar (capítulo II da Segunda Parte). Símonov era na escola um menino sem destaque, calmo, em quem o narrador reconhecia alguma independência de caráter e honestidade, e que ele nem julga muito limitado. Houve entre os dois momentos mais claros, que se turvaram: o narrador acha que Símonov se enfada com as lembranças e teme que o tom de antes volte. Mora no quarto andar, e o narrador sobe a escada já pensando que o homem se aborrece com ele e que é inútil ir, e entra assim mesmo, porque cálculos desse tipo, diz, o empurram sempre para a situação equívoca.
É a ponte do narrador com o resto da escola. Por ele passam a lista, o horário e os seis rublos, e cada gesto pequeno seu (aceitar o nome, esquecer de avisar a mudança de hora) alimenta a noite do Hôtel de Paris.
Trajetória
No capítulo II da Segunda Parte, numa quinta-feira, o narrador, que não aguentava a solidão e sabia que nesse dia a porta de Antón Antônitch estava fechada, vai vê-lo, depois de quase um ano sem encontrá-lo. No capítulo III da Segunda Parte encontra em casa dele Trudoliúbov e Fierfítchkin discutindo o jantar de despedida de Zvierkóv. Símonov, escolhido para organizar, ouve o narrador dizer que são vinte e oito rublos se contarem com ele e pergunta com desagrado se ele também quer ir, sem olhá-lo, porque o conhece de cor. Acaba mandando anotá-lo. Quando os outros saem, pergunta com embaraço se ele vai pagar agora o que deve (uma dívida antiga de quinze rublos), anda pela sala batendo os calcanhares e, dois minutos de silêncio depois, admite que o narrador o atrapalha e que precisa sair. Acompanha-o à antessala, agitado e visivelmente contente de vê-lo ir.
Но потому-то я и бесился, что наверно знал, что поеду; что нарочно поеду; и чем бестактнее, чем неприличнее будет мне ехать, тем скорее и поеду, Mas era justamente por isso que eu me enfurecia: sabia com certeza que iria; que iria de propósito; e quanto mais indelicado, quanto mais indecoroso fosse ir, mais depressa eu iria.
No capítulo IV da Segunda Parte esquece de avisar o narrador de que o jantar passou para as seis e, ao ser cobrado, não se desculpa e vai cuidar dos aperitivos. No correr da noite ele diz que a discussão é tola, chama o narrador de rancoroso, pede que o expulsem depois do brinde e, ao fim, lamenta ter-lhe dado lugar na lista. É a ele que o narrador corre, quando os outros saem, para pedir seis rublos. Embriagado, Símonov responde que não tem dinheiro e sorri com desprezo; o narrador o agarra pelo capote e jura que dali depende o futuro dele; Símonov tira o dinheiro e quase o atira a ele, dizendo que o pegue, se é tão sem-vergonha, e corre atrás dos outros. No capítulo V da Segunda Parte a lembrança desse gesto é o que faz o narrador cair no trenó. A casa para onde o narrador vai já estava avisada, por Símonov, de que talvez viesse mais um. No capítulo VIII da Segunda Parte, na manhã seguinte, o narrador lhe escreve uma carta de cavalheiro, mentindo sobre a bebida, e manda por Apolón seis rublos dentro.
Temas que encarna
Símonov faz, na Segunda Parte, o papel que o homem do subsolo não tem: o de quem tem um lugar no grupo e um pouco de contragosto. É a quem o narrador recorre por conta própria, na solidão (quando a porta de Antón Antônitch está fechada) e no aperto do dinheiro, e é também o que mais claramente o quer longe. O que quer, pelo que se vê, é sossego e a boa harmonia da despedida. O que sabe é quem o outro é, e o narrador o reconhece: Símonov o conhece de cor. Onde se engana, se é que se engana: em aceitar o nome dele na lista por embaraço, o que o obriga a arcar com a noite que vem depois. Duas leituras da generosidade final dos seis rublos: concessão de quem quer se livrar, ou a única bondade que sobra a quem foi acuado, atirada com a pressa de quem já passou da conta. Os dois motivos cabem no gesto. No quadro dos temas, é por ele que passa o Orgulho: é a ele que o narrador pede dinheiro e perdão, e é diante dele que mais teme perder a reputação (capítulo VIII da Segunda Parte).
Relações
- O homem do subsolo: o conhecido que o atura e que ele procura por solidão (capítulo II da Segunda Parte, capítulo III da Segunda Parte, capítulo IV da Segunda Parte, capítulo VIII da Segunda Parte).
- Zvierkóv: o amigo a quem organiza o jantar de despedida (capítulo III da Segunda Parte, capítulo IV da Segunda Parte).
- Trudoliúbov e Fierfítchkin: os dois convidados com quem decide o jantar (capítulo III da Segunda Parte).
- Apolón: o criado que leva até ele a carta de desculpas (capítulo VIII da Segunda Parte).