Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Memórias do Subsolo
Não consegui me tornar não só mau, mas nem mesmo coisa alguma: nem mau, nem bom, nem canalha, nem honesto, nem herói, nem inseto.
Os pares «mau» e «bom», «canalha» e «honesto», «herói» e «inseto» opõem extremos morais e de tamanho, e a frase os nega todos juntos. O contraste mostra que, para ele, nenhum dos polos lhe cabe.
Primeira Parte: O subsolo, o homem do subsolo
É claro que não vou romper um muro desses com a testa, se realmente não tiver força para romper, mas também não vou me conformar com ele só porque tenho diante de mim um muro de pedra e minhas forças não bastaram.
Primeira Parte: O subsolo, o homem do subsolo
a razão é só razão e satisfaz apenas a faculdade racional do homem, enquanto o querer é a manifestação de toda a vida, isto é, de toda a vida humana, com a razão e com todas as suas coceiras. E, embora a nossa vida, nessa manifestação, acabe muitas vezes numa porcariazinha, é vida, e não apenas a extração de uma raiz quadrada.
Primeira Parte: O subsolo, o homem do subsolo
que sou uma mosca diante de todo esse mundo, uma mosca nojenta, imprestável, mais inteligente, mais desenvolvida, mais nobre do que todos, isso nem se discute, mas uma mosca que cede o tempo todo a todos, humilhada por todos e ofendida por todos.
Segunda Parte: A propósito da neve molhada, o homem do subsolo
Ou herói, ou lama, não havia meio-termo. Foi isso, justamente, que me perdeu.
Segunda Parte: A propósito da neve molhada, o homem do subsolo
Quanto a mim, o que fiz foi só levar até o extremo, na minha vida, aquilo que vocês não ousavam levar nem até a metade, e ainda tomavam a sua covardia por prudência e com isso se consolavam, enganando a si mesmos.
Segunda Parte: A propósito da neve molhada, o homem do subsolo
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.