O falante se dirige a alguém ausente ou morto, a uma coisa, a um lugar ou a uma ideia, como se pudessem ouvir.
Em Memórias do Subsolo
Vocês acreditam num edifício de cristal, eternamente inabalável, isto é, num que não se possa nem pôr a língua para fora às escondidas, nem fazer figa no bolso.
O narrador se dirige a «vocês», os senhores que acreditam no progresso, como se estivessem diante dele. Esse interlocutor inventado, que ele provoca e contradiz, é o leitor que ele imagina e despreza, e a discussão com ele dá à Primeira Parte o tom de quem fala sozinho e briga com uma plateia ausente.