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Perguntas · O Idiota

O livro O Idiota, de Dostoiévski, é bom?

Sim: O Idiota é um dos grandes romances de Dostoiévski e costuma ser lido como o mais pessoal deles, mas é um livro longo e de ritmo irregular, que recompensa quem aceita a lentidão das conversas. Se você procura ação, pode estranhar; se procura personagens que ficam na cabeça, vale muito a leitura.

O livro dá cenas que não se esquecem: o trem da primeira página, a guilhotina contada a um criado, a festa de aniversário em que Nastácia joga cem mil rublos no fogo, a Explicação de Hippolit e a noite final na casa da Gorókhovaia. E faz uma pergunta difícil: o que faz uma bondade sem cálculo num mundo em que tudo tem preço. É pessoal porque o condenado que o príncipe descreve tem modelo na vida do autor, que passou por um simulacro de fuzilamento em 1849, e porque a epilepsia de Míchkin é a dele.

O que pode pesar é a extensão, cerca de 890 páginas numa edição comum, em 50 capítulos, e os muitos nomes russos: o príncipe é Míchkin, Liev Nikoláievitch ou simplesmente o príncipe, e Rogójin é Parfen para o príncipe. A ação anda devagar, entre salões e conversas. Uma dica é ler a Primeira Parte de uma vez, porque ela dá o problema inteiro num único dia.

As opiniões se dividem. Para uns, Míchkin é a mais bela figura de bondade da literatura; para outros, a objeção mais forte é a de que um homem bom apenas por incapacidade de ser cruel seria inofensivo, não virtuoso, e por isso alimenta o abuso ao redor em vez de detê-lo. O livro sustenta as duas leituras, e é isso que o mantém vivo.

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