O príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin é o protagonista de O Idiota: o último de uma antiga família principesca decaída, órfão, criado no campo por um benfeitor e tratado na Suíça de uma doença nervosa parecida com a epilepsia, que volta à Rússia sem dinheiro, sem cargo e sem malícia.
Chega a Petersburgo numa manhã de fins de novembro, depois de mais de quatro anos no sanatório do doutor Schneider, com uma capa suíça imprópria para o inverno e uma trouxinha, e no mesmo dia recebe a notícia de uma herança de um milhão e meio. O traço que o define é ler rostos e dizer o que lê, sem cálculo: diante do retrato de Nastácia Filíppovna, diz "Ah, se fosse boa! Tudo estaria salvo!"
É chamado de idiota em todas as casas em que entra, e ele mesmo usa a palavra para o próprio passado: "mas que idiota sou eu agora, se eu mesmo entendo que me tomam por idiota?" Rogójin o chama de louco de Deus; Aglaia, de homem mais honesto e mais verdadeiro que todos; Radomski, de alguém que nunca amou nenhuma das duas mulheres. O livro termina com ele de volta ao sanatório, sem reconhecer ninguém.
O sentido dele é discutido. Há quem o leia como um homem positivamente belo, que o autor quis pôr à prova num mundo que não o recebe, e quem o leia como alguém tão bom por incapacidade de ser cruel que se torna inofensivo e incapaz de deter o mal ao redor. O texto dá matéria às duas leituras.