Em extensão, o mais pesado dos quatro grandes romances é Os Irmãos Karamázov, com cerca de 296 mil palavras no original russo; O Idiota e Os Demônios vêm logo atrás, praticamente empatados em torno de 210 mil, e Crime e Castigo é o mais curto, com cerca de 173 mil. Em densidade, a resposta depende do que se chama de pesado.
Karamázov pesa pelas ideias: é o romance em que as grandes discussões sobre Deus, o sofrimento e a liberdade ocupam capítulos inteiros, e a revolta de Ivan, que devolve o bilhete de entrada por causa do sofrimento das crianças, põe a objeção à fé na boca de um personagem. Os Demônios pesa pela política: muitos personagens, uma intriga de conspiradores e uma ironia que pede algum conhecimento da Rússia da época.
O Idiota pesa de outro jeito. Não tem a ação de Crime e Castigo nem as discussões de Karamázov, mas tem cerca de 890 páginas de conversas, de salões e de mal-entendidos, e uma figura central cujo sentido o livro não resolve. Um dos trechos mais difíceis é a Explicação de Hippolit, na Terceira Parte, que põe o Cristo morto de Holbein diante da pergunta de como acreditar na ressurreição, e o mais difícil é aceitar que o protagonista age pouco: ele olha, diz o que vê e deixa os outros decidirem.
Crime e Castigo tem um crime na Primeira Parte e um juiz que cerca o suspeito, e a ação puxa a leitura. A contagem de palavras é aproximada e feita sobre o texto russo.