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Odisseia

Discussões

Perguntas abertas que o poema deixa, para levar à aula, ao grupo de leitura ou para pensar sozinho.

Canto I: O concílio dos deuses e Telêmaco

Zeus diz que os homens sofrem além da sua parte pela própria insensatez, e logo depois Telêmaco diz à mãe que é Zeus quem dá a cada um a sua sorte. Qual das duas visões o resto do poema vai confirmar?

A primeira vez que Telêmaco afirma o próprio poder, ele manda a mãe calar diante dos pretendentes. Isso é sinal de que ele cresceu ou de que ainda não sabe contra quem usar a força?

Telêmaco diz que ninguém conhece por si mesmo a própria origem. O que é preciso para alguém saber de quem é filho, e o que a viagem que Atena lhe propõe tem a ver com isso?

Canto II: A assembleia de Ítaca

Mentor acusa o povo de Ítaca, e não os pretendentes, de deixar a casa de Odisseu ser devorada. Quem o poema considera mais responsável: quem abusa do poder ou quem o vê abusar e se cala?

Conhecemos o ardil do tear pela boca de Antínoo, que quer ver Penélope casada. O que muda no episódio se imaginarmos a mesma história contada por Penélope?

Telêmaco recusa expulsar a mãe diante da assembleia, mas parte às escondidas dela. Essas duas atitudes combinam? O que cada uma protege?

Canto III: Telêmaco em Pilos

Telêmaco foi a Pilos para saber do pai e volta sem notícia nenhuma. O que ele ganha, então, com a visita a Nestor?

Nestor conta duas voltas de Troia: a dos aqueus que discutem e se dividem, e a de Orestes, que volta e vinga. Que lição Nestor tira de cada uma para Telêmaco?

Pisístrato acolhe os estranhos antes de saber quem são, e Nestor não deixa o filho de Odisseu dormir no navio. O que a hospitalidade de Pilos diz sobre a casa de Telêmaco em Ítaca?

Canto IV: Telêmaco em Esparta

Menelau, Helena e Proteu contam, cada um, como um homem voltou ou deixou de voltar de Troia. O que Telêmaco ouve de útil nessas histórias para a sua situação em Ítaca, e o que ele não pode usar?

A emboscada de Antínoo repete a de Egisto: vinte homens, uma nau, uma festa por perto. O que o poema ganha ao fazer o leitor lembrar a morte de Agamêmnon enquanto acompanha o plano contra Telêmaco?

Helena atribui a Afrodite a cegueira que a levou a Troia, e na casa de Menelau aparece como esposa e anfitriã, que controla o ânimo da mesa. O que a cena sugere sobre como o casal convive com esse passado?

Canto V: Calipso e a balsa

Odisseu concede que Penélope é inferior a Calipso em aparência e estatura e mesmo assim recusa a imortalidade. O que, no texto, explica a escolha dele, e o que o texto deixa sem explicar?

Zeus manda dizer que Odisseu voltará sem escolta de deuses nem de homens, e logo depois Ino e Atena o ajudam no mar. As ajudas contradizem a ordem de Zeus ou a cumprem?

Odisseu pede a Calipso o juramento do Estige antes de subir na balsa. O que essa exigência diz sobre a confiança entre os dois depois da convivência na ilha?

Canto VI: Nausícaa

Odisseu pergunta aos moradores se são soberbos e sem justiça ou hospitaleiros. Nausícaa responde que todo estrangeiro vem de Zeus, mas as servas fogem do homem nu e ela mesma teme o boato. A hospitalidade dos feácios é uma regra segura ou uma regra que depende da coragem de quem a aplica?

Odisseu escolhe suplicar de longe e depois elogia a moça, e o narrador chama a fala de calculada. Quando o cuidado de não constranger é bondade e quando é cálculo, e o texto obriga a escolher uma das duas leituras?

Nausícaa deseja um marido como o estrangeiro e, no mesmo discurso, teme ser vista com ele. O que a prende, o desejo ou o cuidado com o nome, e o que isso diz do lugar da moça entre os feácios?

Canto VII: O palácio de Alcínoo

Atena diz que os feácios não toleram estrangeiros, Nausícaa dissera que todo estrangeiro vem de Zeus, e a corte deixa o suplicante nas cinzas até que um ancião fale. A hospitalidade dos feácios é de natureza ou de rito, e o que depende de quem chega cumprir o rito?

Odisseu responde a cada pergunta só o que lhe convém: nega ser deus, conta Ogígia sem dar o nome e diz que não quis seguir Nausícaa. Em que se distingue reservar o que se conta e mentir?

Alcínoo oferece a filha a um homem cujo nome ignora, porque ele pensa como o rei. O que torna alguém digno de entrar numa família? Compare com o que Odisseu disse a Nausícaa sobre a casa em que marido e mulher pensam em acordo.

Canto VIII: Os jogos dos feácios

Odisseu esconde o choro e esconde o nome, e só o canto de Demódoco o faz aparecer. O que a história de um homem, cantada por outro, diz dele que ele mesmo não consegue dizer?

Euríalo julga Odisseu pela aparência, e Odisseu responde com uma teoria sobre aparência e palavra. Quem mais, no poema, é visto por fora e só entendido depois que fala?

Alcínoo diz que ninguém é sem nome e exige o do hóspede, depois de lhe ter dado escolta, banquete e presentes. Que direito tem o anfitrião de pedir o nome, e o que o hóspede arrisca ao dizê-lo?

Canto IX: O ciclope

Odisseu conta que não obedeceu aos companheiros na gruta para ver o dono e receber presentes de hóspede, e que obedecer teria sido "muito mais vantajoso". Quanto de curiosidade e quanto de cálculo há nessa recusa, e o que significa ele mesmo dizê-lo aos feácios?

O nome Ninguém salva Odisseu, e o nome verdadeiro gritado do mar o condena. Por que ele não resiste a dar o nome, e o que Polifemo faz com ele que o "Ninguém" não permitia?

Odisseu diz a Polifemo que Zeus o castigou, e depois Zeus recusa o sacrifício dele. O que o poema parece dizer sobre quem pode invocar a justiça da hospitalidade?

Canto X: Éolo, os lestrigões e Circe

Odisseu diz que os companheiros e ele se perderam "pela nossa própria insensatez", e depois Euríloco diz que os homens da gruta do ciclope morreram pela insensatez de Odisseu. O poema deixa as duas frases lado a lado. Qual delas descreve melhor o que aconteceu em Éolo e na gruta?

Circe transforma os homens em porcos e lhes deixa a mente intacta. O que muda para quem sabe o que é e não pode agir? Compare com o que o lótus faz no canto anterior.

Odisseu e os companheiros passam um ano na casa de Circe, e é a tripulação que o lembra de partir. O que esse ano mostra sobre a força do retorno como motivo de Odisseu?

Canto XI: A descida aos mortos

Anticleia diz que morreu de saudade, e Laertes está definhando no campo. Que peso tem essa notícia para o plano de Odisseu de voltar a Ítaca sem se anunciar?

Agamêmnon aconselha Odisseu a esconder parte do que sabe de Penélope e, no verso seguinte, diz que ela é prudente. Esses dois avisos se contradizem ou são o mesmo conselho?

Aquiles prefere servir a outro a reinar entre os mortos, mas sai contente ao saber do filho. O que o canto propõe, com isso, como valor que permanece depois da morte?

Canto XII: As sereias, Cila e os bois do Sol

Circe manda que Odisseu seja amarrado se quiser ouvir as Sereias, e que os companheiros apertem as cordas se ele pedir para ser solto. Por que o poema deixa Odisseu ouvir, quando bastaria passar de largo com cera nos ouvidos de todos, e o que a cena mostra sobre o que ele quer saber?

Odisseu esconde dos homens o perigo de Cila e os informa do risco da ilha do Sol. Em que as duas decisões se parecem, e por que a segunda, mesmo com aviso, termina pior?

O proêmio diz que os companheiros morreram pela própria insensatez, e Euríloco defende a morte rápida contra a fome lenta. Quem decide na ilha do Sol: a fome, a ausência do chefe, que dorme enviado pelos deuses, ou os homens que juraram? Cada resposta muda a quem o poema atribui a culpa.

Canto XIII: A chegada a Ítaca

Odisseu chega dormindo, escoltado e carregado de presentes, e é isso que irrita Poseidon. O que mudaria no retorno se ele tivesse chegado acordado e sem nada, e o que o poema ganha com essa chegada?

Atena diz que Odisseu não vai parar de enganar nem em casa e que por isso mesmo não o abandona. A astúcia dele é uma virtude, um hábito ou um limite? A resposta muda o que se espera dele diante de Penélope?

Odisseu quer provar a esposa antes de saber do estado dela, e Atena lhe diz que Penélope chora noites e dias. Se ele acreditasse nisso, o disfarce ainda seria necessário? O que o disfarce protege e o que custa?

Canto XIV: Na cabana de Eumeu

Eumeu acolhe o hóspede "por temor de Zeus e por compaixão", sem acreditar nele. A hospitalidade depende de acreditar no que o hóspede diz, ou vale justamente porque não depende disso?

Odisseu diz odiar quem mente cedendo à pobreza e mente por um plano. A diferença que ele faz entre as duas mentiras se sustenta, ou o canto convida o leitor a ver ironia na distinção?

Eumeu diz que o senhor não voltará e, na hora do sacrifício, reza para que volte. Rito sem esperança ou esperança que não se confessa? Qual leitura combina melhor com o resto do canto?

Canto XV: A volta de Telêmaco

Menelau diz que reter o hóspede e expulsá-lo são males iguais. Como Telêmaco aplica essa regra nos pedidos que faz a Menelau e a Pisístrato?

Atena afirma que a mulher esquece o primeiro marido quando se casa de novo. O canto confirma isso ou apenas usa a ideia? Por que a deusa a diria a Telêmaco?

Eumeu e Odisseu dizem que se deleitam com as dores lembradas. O que muda quando a dor contada é de um escravo raptado criança e quem escuta é o senhor dele, sem que o escravo saiba?

Canto XVI: Pai e filho

Telêmaco só aceita o pai depois que Odisseu explica a mudança por obra de Atena. O que, nessa explicação, convence mais do que a simples afirmação de que ele é o pai?

Odisseu manda guardar o segredo até de Penélope e de Laertes. Que riscos o canto deixa ver nessa regra, e o que ela custa a quem fica de fora?

Anfínomo adia a morte de Telêmaco pela consulta aos deuses, e Penélope apela a Zeus dos suplicantes. Em que medida o poema trata a justiça dos deuses como freio real sobre os pretendentes?

Canto XVII: O mendigo no palácio

Eumeu diz que Zeus tira metade da excelência de quem cai na escravidão, e ele próprio, escravo, continua fiel. A máxima descreve Eumeu, ou ele é a exceção que ela deixa de explicar?

Argos reconhece Odisseu e morre; Eumeu, que o hospedou por três noites, não o reconhece. O que o poema faz com essa diferença entre o reconhecimento do cão e o dos homens?

Atena manda Odisseu pedir para saber quem é justo e quem é sem lei, e avisa que não livrará ninguém. Se o resultado da prova está decidido, para que ela serve ao leitor?

Canto XVIII: Iro e os pretendentes

Odisseu quer matar Iro e escolhe golpear leve porque não quer ser notado pelos aqueus. O que esse cálculo diz sobre o que o disfarce exige dele, e quanto custa?

Odisseu avisa Anfínomo de que a casa não se resolverá sem sangue, e Atena o prende ao assento. Se o aviso não muda o destino, para que o poema o põe na boca do herói?

O narrador diz que Penélope arranca presentes dos pretendentes enquanto a mente dela pensa outra coisa. O que o leitor sabe, depois dessa frase, do plano dela, e o que o poema deixa por dizer?

Canto XIX: Penélope e a cicatriz

Odisseu mente a Penélope com detalhes verdadeiros e esconde as lágrimas com olhos de chifre ou ferro. Que custo tem, para ele e para ela, uma mentira feita de verdades?

Penélope ouve o sonho do retorno do marido, responde com a dúvida das duas portas e logo anuncia a prova do arco. Ela já suspeita quem é o hóspede, ou decide sem saber? O que o texto sustenta?

O nome Odisseu nasce da desavença de Autólico com muitos, e a cicatriz vem de uma caça para receber presentes. O que essa origem diz sobre o herói que volta a casa para um acerto de contas?

Canto XX: Os presságios

Neste canto Odisseu pensa em matar as servas que se deitam com os pretendentes, e Telêmaco fala delas como mulheres arrastadas pelos pretendentes. Quem enxerga melhor o que essas mulheres são, e o que o poema faz com os dois olhares?

O presságio que Odisseu pediu a Zeus chega pela boca da mais fraca das servas, e não pela de um adivinho. Por que o poema entrega a voz do sinal a ela, e o que isso diz sobre quem sustenta a casa?

Atena promete a Odisseu que ele tomaria os bois de cinquenta companhias, mas não diz para onde ele fugirá depois de matar os pretendentes. O que a pergunta dele revela sobre o que ele teme, e por que ela responde à força e não à pergunta?

Canto XXI: O arco

Eurímaco teme que um mendigo arme o arco com facilidade, e é exatamente o que acontece, com a mesma palavra. O que o poema ganha ao devolver o escárnio dos pretendentes no momento da façanha?

Penélope impõe que o hóspede receba o arco, e Telêmaco manda a mãe subir, dizendo que o arco é assunto dos homens. Quem governa a casa nesta cena, e o que cada fala deixa ver da relação dos dois?

No meio do canto o poema para para contar como Ífito foi morto à mesa de Héracles. O que essa história ensina sobre o arco e sobre a hospitalidade, no momento em que os pretendentes violam a mesa de Odisseu?

Canto XXII: A matança dos pretendentes

Odisseu recusa a indenização que Eurímaco oferece e, no mesmo canto, poupa Fêmio e Médon. Que critério o texto dá para cada uma dessas decisões, e ele é o mesmo?

Telêmaco troca a espada pela corda e dá a razão. O que essa decisão mostra dele, e o que muda no canto por o narrador contá-la com uma comparação de pássaros presos na rede?

Odisseu atribui a morte dos pretendentes ao destino dos deuses e aos atos deles, e ao mesmo tempo é quem os matou. Como essas duas coisas cabem na mesma fala?

Canto XXIII: O leito de oliveira

Penélope só aceita Odisseu depois do sinal do leito, e não depois da cicatriz que Euricleia oferece. O que o leito prova que a cicatriz não prova?

Para explicar a demora, Penélope cita Helena, que não teria ido com um estrangeiro se soubesse que seria levada de volta. O que esse exemplo diz sobre o medo dela, e o que diz sobre Helena?

O falso casamento protege Odisseu e custa a Penélope a boa fama diante de quem ouve de fora. O poema nota esse custo? Onde?

Canto XXIV: A paz em Ítaca

Aquiles diz a Agamêmnon que melhor teria sido morrer em Troia, com túmulo e fama; Agamêmnon responde que a fama de Aquiles não se perdeu, mas que a sua se perdeu no retorno. Qual das duas mortes o canto apresenta como a melhor, e que lugar tem Penélope nessa conta?

Odisseu testa o pai com uma mentira antes de se revelar, e o velho joga cinza na própria cabeça. O que Odisseu ganha com esse teste, o que custa a Laertes, e por que as árvores do pomar convencem tanto quanto a cicatriz?

A guerra civil em Ítaca para por ordem de Atena e de Zeus, que manda "esquecer" a morte dos filhos e irmãos. Uma paz imposta de cima resolve a dívida das famílias, ou só adia a vingança?