Livro I: O nariz e o espelho
Moscarda diz que a vida inteira se demorou em volta de cada pedrinha, enquanto os outros passavam. Por que a observação da mulher sobre o nariz vira, para ele, uma pedrinha maior do que as outras?
O amigo, depois de ver a covinha no próprio queixo, para diante de três vitrines antes de ir para casa, e a cidade inteira o imita. O que cada um procura nas vitrines que não procurava antes de Moscarda lhe mostrar um defeito?
Moscarda pede ao leitor que defina o que é estar só e responde que ficar em companhia de si é "um belo modo" de estar acompanhado. Que companhia cabe, segundo a sequência de lembranças do capítulo, dentro de quem está só consigo?
Moscarda diz que a solidão verdadeira só existe com um estranho em volta, e que o estranho que ele persegue é ele mesmo. O que ele quer ver de si que os outros veem e ele não?
Moscarda reconhece que nenhuma careta diante do espelho pode ser verdadeira, porque a emoção verdadeira cessa quando ele a vê. Por que, mesmo sabendo isso, ele não desiste?
Moscarda proíbe a saída da mulher para que ela saia. Dida percebe o sorriso dele no espelho e sai assim mesmo: o que ela entende da cena, e o que ele supõe que ela entende?
Moscarda fecha os olhos para ver o estranho do espelho sem ser visto, e quando abre só se vê a si mesmo. O que mudou no espelho entre a primeira imagem, carrancuda, e o corpo sem nome que aparece depois do grito?
Moscarda fecha o Livro com duas conclusões: entender por que a mulher o chama de Gengè e desmontar, por gosto, o eu que os conhecidos têm dele. O que a primeira já sugere sobre a segunda?
Ao longo do Livro I, a dúvida de Moscarda passa de um defeito no nariz a cem mil Moscarda e a um corpo que ninguém habita. Em que passo, e por quê, a dúvida sobre o corpo vira dúvida sobre ele inteiro?
Livro II: O leitor e a casa
Moscarda diz que o leitor, quando se vê só, imagina muitas cabeças iguais à sua que lhe respondem sim ou não conforme ele puxa o fio. O que essa imagem diz sobre a consciência que "basta"?
Moscarda deixa as comadres usarem o pátio e não diz nada; o vizinho, vendo o mesmo pátio, o acha um imbecil. O que cada um dos dois vê quando vê a mesma cena?
O amigo vê um cemitério onde o leitor vê um jardim, e Moscarda diz que em três ou quatro anos o próprio leitor poderia ver o que o amigo vê. O que, na casa, deixa de ser a mesma em cada olhar?
Moscarda e o leitor conversam uma hora e se entendem perfeitamente; no dia seguinte o leitor o acusa de ter dito outra coisa. Em que momento da conversa, e de quem, a mesma palavra deixou de ser a mesma?
Moscarda chama de fixações os modos de ser de hoje e de amanhã. O que distingue uma fixação de um caráter?
O bichinho do capítulo se cansava em pé, se machucava no chão e foi pedindo mais conforto à árvore e aos animais. Em que ponto a história deixa de ser sobre uma cadeira e passa a ser sobre o que o homem faz com o que não é ele?
O leitor se irrita quando Moscarda lhe lembra que os móveis vêm de faias, nogueiras e abetos da montanha. O que, nessa lembrança, ameaça o que ele sente ser seu?
Moscarda diz que a paz do campo está em nós e vem de termos saído de um mundo construído. O que o leitor deixa de sustentar, ao sair da cidade, para sentir paz?
Moscarda ouve o leitor dizer "nuvens e vento" e responde que reconhecer que aquilo é nuvem já é demais. O que, em reconhecer a nuvem, tira o leitor do descanso que ele procurava?
Moscarda diz que o leitor, deitado na erva, manda o homem parar de voar, e que na cidade entenderá por que o homem voa. O que a cidade dá ao homem que o campo tira?
Moscarda diz que a construção de cada um dura enquanto dura o cimento da vontade e a constância dos sentimentos. O que acontece, no raciocínio dele, a quem vê o cimento ceder?
Dida diz que não precisa agradar a si mesma, mas ao seu Gengè, e desfaz o penteado que agradava a Moscarda. O que ela sacrifica, e a quem, nessa cena?
Ao longo do Livro II, Moscarda argumenta com o leitor que a realidade de cada um é uma forma que alguém dá. Em que ponto a mulher passa de exemplo a prova?
Livro III: O pai e os cem mil
Moscarda diz que só pode agir de modo incoerente porque nunca construiu para si um Moscarda próprio. O que a rebelião dele pretende destruir, se não há nele um Moscarda para defender?
Moscarda diz que se julgava um homem na vida, e basta, e descobre que o corpo, o nome e até o ócio lhe foram dados por outros. O que dessa lista ele poderia recusar?
Na visão, o sorriso de ternura do pai vira um esgar frio e escondido. O que mudou: o sorriso, ou quem o olha?
Moscarda descreve o pai e o filho olhando-se como estranhos, o filho com vergonha do nascimento e o pai com despeito. O que cada um vê no outro nesse olhar?
Para o filho o pai era banqueiro, para a cidade, usurário. Que palavra o filho usava no colégio para o mesmo ofício, e o que ela não dizia?
Dida ri da pergunta sobre a profissão do marido e depois sopra nos olhos dele como para apagar um olhar. O que ela quer apagar, e por quê?
Moscarda diz que todo ato pratica só um dos muitos que somos, e que julgar a pessoa por ele é injustiça. Que ato, na vida de Moscarda até aqui, seria assim julgado, e por quem?
Cada um dos cinco acha Moscarda imbecil por uma razão diferente, e às vezes oposta. O que sobra de comum nesses cinco imbecis?
Moscarda diz que não presume que o leitor seja como ele o representa, mas que o leitor também não é o um que se representa a si mesmo. Qual das duas imagens do leitor, a de Moscarda ou a dele mesmo, está mais perto de ser verdadeira?
O leitor manda embora o velho amigo quando chega o novo, e Moscarda diz que ele mandou embora a si mesmo. Qual dos dois "você" o leitor preferiria manter, e quem decide?
Ao longo do Livro III, o que Moscarda descobre sobre o nome, o corpo e o pai o aproxima ou o afasta da ideia de que há um Moscarda próprio?
Livro IV: O primeiro experimento
Moscarda pergunta se Marco di Dio, por tantos atos honestos, não era também o bom rapaz que o mestre dizia, e responde com César, Calpúrnia e Nicomedes. Que parte do homem o ato de um instante deveria condenar, e quem decide?
Moscarda diz que o jogo devia lhe dar a loucura, ou melhor, a consciência da loucura. Em que a consciência da loucura difere da loucura, e o que ele ganha ou perde com a diferença?
Moscarda diz que o leitor grita ao amigo que ele é cego quando o amigo não vê o que o leitor vê, e que o amigo pensa o mesmo do leitor. Em que ocasião recente o leitor foi o cego de alguém, sem saber?
Moscarda diz que é louco porque tem consciência da estrada da loucura, e que os leitores são sábios porque andam por ela sem perceber. Que critério separa o louco do sábio nessa conta, e quem o aplica?
Moscarda grita a Firbo que lhe convém manter a mulher trancada por "louca", e depois se ajoelha diante dele. Por que ele tem horror de que pensem que se ajoelhou por Firbo, e diante de quem diz que todos deveriam ficar assim?
Moscarda vê nas mãos que abrem o armário as mãos do pai, de cera e de anéis, e depois as esconde atrás das costas. O que ele teme que elas façam, ou que os outros vejam nelas?
O mesmo povo que chamava Moscarda de usurário durante o despejo o chama de louco depois da doação. O que mudou no que a multidão vê, e o que não mudou no modo de ver?
Ao longo do Livro IV, Moscarda tenta ser, de uma vez, outro para todos, e o resultado é uma nova etiqueta. O que o experimento prova sobre a ideia de que um ato basta para mudar a imagem que os outros têm de alguém?
Livro V: O ponto vital
Firbo e Quantorzo discutem o que fazer com Vitangelo sem que ele tome parte. O que cada um quer proteger, e o que isso diz sobre o lugar de Vitangelo no banco que leva o nome do pai dele?
Dida toma o ato de Vitangelo por troça e o repreende com carinho, enquanto ele sente horror de ser abraçado. O que cada um dos dois está vendo quando se olham nos olhos?
Vitangelo se esconde num terreno vazio e fala com uma cadela porque não suporta mais ser olhado. O que o animal oferece que uma pessoa não oferece?
Ao tentar imaginar a própria morte, Vitangelo vê que seus olhos não bastam para dizer como ele se vê. O que ele quer dizer com "a vista dos outros", e por que a falta dela o assusta mais do que a ideia de morrer?
Vitangelo nega o chute em Bibi, atribuindo-o a um menino perdido no campo, e na mesma hora quer chutar todo mundo. O que o faz passar de um impulso ao outro?
Vitangelo responde "ninguém, querida" à pergunta de Dida e conta oito onde os outros veem três. Quem são as oito, e quem fica de fora da conta?
Vitangelo guarda entre parênteses o pensamento de que todos deveriam olhar sempre com o horror da própria solidão. Por que não o diz a Dida e a Quantorzo?
Vitangelo aceita a ruína do banco para não ser mais, nem para os outros, o usurário que nunca foi para si. O que ele ganha com essa decisão, e o que perde?
Quantorzo faz uma mímica furiosa e Dida ri. O que, no riso dela, atinge Vitangelo mais do que a mímica dele?
Nos oito capítulos do Livro V, Vitangelo passa de se esconder de todos a mandar em todos. O que muda nele entre a cadela no terreno e a ordem de fechar o banco?
Livro VI: Dizer eu a quem
Vitangelo se sente "um" depois de empurrar Dida e logo pergunta "um, quem?". O que a violência lhe deu, e o que continua sem resposta?
Dida sai com Quantorzo e manda levar suas coisas ao pai, e Vitangelo pensa que ela o fez para lhe provar a descoberta. Que outras razões o texto permite para a saída dela, e o que Vitangelo ganha em preferir a dele?
Vitangelo pisca para o Moscarda do espelho e um instante depois o vê já outro. O que mudou nele para que a imagem, que antes o aterrorizava, agora seja motivo de brincadeira?
Vitangelo oferece ao sogro as profissões de médico, advogado, professor e deputado, como quem faz troça de si mesmo. O que o sogro ouve nessas propostas, e por que foge?
Vitangelo diz que teria deixado o Gengè em paz se pudesse ir embora com "outro corpo e outro nome". Por que essa saída não existe para ele, e o que isso mostra sobre o que ele deseja de fato?
Vitangelo levou a sério, durante a noite, as profissões que ofereceu ao sogro por troça, e agora conclui que Dida não poderia seguir um Gengè que enlouquece "por nada". O que ele pede a ela, e o que acha que ela pode dar?
Entre a noite no quarto e a manhã com o sogro, o tom de Vitangelo passa do horror à troça. O que, no texto, explica essa mudança?
Livro VII: O revólver e o bispo
Vitangelo tenta adivinhar por que Anna Rosa o chamou e rejeita as duas hipóteses que lhe ocorrem. O que, nas razões que ele considera, mostra o que ele ainda não sabe sobre ela e sobre a mulher?
Antes de contar o que se passou na Abadia, Vitangelo declara que Anna Rosa não teve culpa e que a culpa foi do seu "último experimento". O que isso diz sobre como ele quer ser lido pelos juízes e pelo leitor?
Anna Rosa deixa cair a bolsa e o revólver dispara, ferindo o próprio pé. O que a cena mostra de Anna Rosa e do convite que fez, e o que ainda não se sabe ao fim do capítulo?
Anna Rosa conta a Vitangelo que Dida o chama de tolo, que ela, Firbo, Quantorzo e o pai já reuniram provas para interditá-lo e que Marco di Dio testemunhará. O que Vitangelo conclui da Dida inimiga, e por que não a chama de falsa?
Vitangelo conclui que o ponto vital ferido era Deus e decide pedir ajuda ao Deus "de fora". O que ele espera da Igreja que Firbo e Quantorzo não podem lhe dar?
Vitangelo se alegra com o bispo severo porque o antecessor teria arranjado tudo. Por que ele não quer que alguém arranje?
O bispo chama de inofensivo o louco do terraço, e Vitangelo diz "como eu". O que Vitangelo vê no louco que o bispo não vê?
Anna Rosa estende os braços a Vitangelo e, pouco depois, atira nele. O que, nas palavras dele, pode ter causado o horror que, segundo ela, a levou a atirar?
Ao longo do Livro VII, Anna Rosa vê nele um homem fora do comum, o bispo vê um escrupuloso e Dida, pelo que Anna Rosa conta, um tolo. Qual dessas imagens ele aceita, e qual o põe em risco?
Livro VIII: Sem nome e sem conclusão
O juiz tem a confissão de Anna Rosa e, ao que Vitangelo supõe, o depoimento de Dida, e mesmo assim quer ouvir Vitangelo em pessoa. O que ele espera encontrar que as confissões não lhe deram?
Vitangelo se recusa a repetir ao juiz as suas "considerações sobre a vida" e lhe mostra uma coberta verde. O que a coberta diz que o discurso não diria?
Sclepis arma o plano do asilo para salvar Vitangelo do escândalo e dar mérito à casa de Deus, e Vitangelo aceita calado. O que cada um espera do asilo, e em que a espera de um difere da do outro?
Vitangelo é chamado de Moscarda no tribunal, embora o nome tenha agora para cada um um sentido diferente. Por que ele não aceita o nome, e o que quer no lugar dele?
O romance termina com Vitangelo "vivo e inteiro, não mais em mim, mas em cada coisa fora". O que ele ganhou e o que perdeu, comparado ao homem que, no começo, ouvia da mulher que o seu nariz pendia para a direita?
A obra inteira
Vitangelo chama o experimento da casa de total porque bastou mover um pouco a vontade de parecer diferente a um dos cem mil para que todas as outras realidades dele se alterassem (capítulo II do Livro IV). Se mudar uma imagem muda todas, o que ele tem por baixo delas que seja seu?
Dida ama de verdade o Gengè que construiu e não pode amar quem tenta desmontá-lo, de modo que, quando ele a empurra e a casa se esvazia, ela vai embora (capítulo XII do Livro II, capítulo II do Livro VI). O que Vitangelo perde com ela: a mulher, o amor, ou a única pessoa para quem ele era «um», ainda que o um errado?
A resposta de Vitangelo ao riso de Dida é um «quero» repetido, sem argumento nenhum (capítulo VIII do Livro V), e só depois ele dá ao ponto ferido o nome de Deus (capítulo V do Livro VII). Esse ponto é o centro do eu que o livro procurava, ou mais uma imagem, a do homem que decide?
O bispo chama de inofensivo o louco do terraço, e Vitangelo responde «Como eu» (capítulo VII do Livro VII). Em que a loucura que os outros lhe atribuem difere da consciência da loucura que ele diz ter desde o primeiro experimento (capítulo II do Livro IV)?
Anna Rosa atira depois de ouvir de Vitangelo que conhecer-se é morrer e que não se vive diante de um espelho (capítulo VIII do Livro VII), e depois jura ao juiz que não houve agressão, só o fascínio das considerações dele (capítulo I do Livro VIII). O tiro é horror do que ele oferecia, defesa contra o que ele dizia, ou outra coisa que o texto não diz?
Sclepis lê a entrega de tudo como arrependimento, e Vitangelo diz que dava tudo e não se opunha a nada (capítulo III do Livro VIII). Por que o romance deixa a sociedade responder ao experimento sempre com uma imagem nova, a do louco, a do apaixonado, a do penitente, em vez de a deixar compreendê-lo?
No último capítulo Vitangelo diz estar «vivo e inteiro, não mais em mim, mas em cada coisa fora» (capítulo IV do Livro VIII). É libertação, ou é o único modo de ficar inteiro quando já não resta um eu que responda por alguma coisa?
O livro trata o leitor, o tempo todo, como cúmplice e como cobaia: ele sorri, protesta, manda embora o amigo (capítulo X do Livro III). O que muda na leitura quando o leitor percebe que também está sendo observado por Vitangelo, e que ele mesmo é, para o narrador, apenas mais uma das imagens possíveis?