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Um, Nenhum e Cem Mil

Citações

As 39 passagens que decidem a obra, cada uma com quem fala, os temas e personagens ligados e uma explicação.

Livro I: O nariz e o espelho

Pende? Em mim? O nariz? E a minha mulher, placidamente: Mas sim, querido. Olhe bem para ele: pende para a direita.
Quem fala
Vitangelo Moscarda e a mulher, Dida, na cena de abertura do romance
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O nariz

Explicação e análise

O romance abre com um gesto banal. Vitangelo Moscarda, de vinte e oito anos, se demora diante do espelho apertando uma narina, e a mulher, Dida, pergunta o que ele faz. Ele fala de uma dorzinha que sente ao apertar a narina; ela responde, sorrindo, que achava que ele estava vendo para que lado o nariz pende. A passagem é o que vem logo depois: ele repete a palavra dela como quem foi pisado, e ela confirma, sem pressa, que o nariz pende para a direita.

O peso da cena está no tom. Dida fala com calma e com um "querido", sem intenção de ferir, e é essa calma que torna o fato irrefutável. Moscarda reage como quem levou um golpe, não como quem foi informado: o susto é de corpo. Sempre julgara o nariz, se não belo, ao menos decente, e a descoberta o irrita como um castigo imerecido. Depois vêm as sobrancelhas, a orelha, o dedo mínimo, a perna direita, e ele confere tudo e reconhece que é verdade.

O que o fere, porém, não é o defeito. É ter vivido tantos anos com o mesmo nariz sem saber, e precisar de uma esposa para ficar sabendo. A frase traz em miniatura o problema do livro: há em cada um uma figura que os outros veem e ele não, e basta uma observação distraída para ela aparecer. Tudo o que Moscarda fará a seguir nasce deste momento.

Fixou-se em mim, em vez disso, o pensamento de que eu não era para os outros o que até então, dentro de mim, eu me figurara ser.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, narrador, depois de perguntar a um amigo se ele olha o seu nariz
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O nariz
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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Assinatura

A explicação desta e das outras 37 citações de Um, Nenhum e Cem Mil está na assinatura.

Ver os planosJá assina? Entrar

Quando eu me punha diante de um espelho, dava-se como uma parada em mim; toda espontaneidade acabava, cada gesto meu me parecia fingido ou refeito. Eu não podia me ver viver.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o que lhe acontece quando se põe diante de um espelho
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O espelho
Recursos
Paradoxo

Explicação e análise

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Com a descoberta dos cem mil Moscarda que eu era não só para os outros mas também para mim, todos com este único nome de Moscarda, feio até a crueldade, todos dentro deste meu pobre corpo que era um também, um e nenhum, ai de mim.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, resumindo o que a perseguição do estranho lhe mostrou
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O espelho
Recursos
Paradoxo, Hipérbole

Explicação e análise

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Quem era? Nada era. Ninguém. Um pobre corpo mortificado, à espera de que alguém o tomasse para si.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, diante do próprio reflexo, de olhos abertos, depois de mandá-lo ficar sério
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Símbolos
O espelho
Recursos
Personificação

Explicação e análise

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Livro II: O leitor e a casa

Garanto aos senhores, ao contrário, que ele, no mesmo momento em que de fora me dizia com educação bom dia ou boa noite pela escada, por dentro me fazia viver como um perfeito imbecil.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o velho inquilino que mora na casa dele
Personagens
Vitangelo Moscarda, Quantorzo
Temas
Aparência e realidadeIdentidade
Símbolos
A casa
Recursos
Antítese, Apóstrofe

Explicação e análise

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E esperemos, pelo amor de Deus, que não tenha morrido algum outro parente próximo, pois então os senhores também veriam como um cemitério todos aqueles queridos ciprestes.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, sentado na poltrona do quarto dele
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Aparência e realidadeIdentidade
Símbolos
A casa
Recursos
Ironia, Apóstrofe

Explicação e análise

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Mas que culpa temos, eu e o senhor, se as palavras, por si, são vazias? Vazias, meu caro. E o senhor as enche do seu sentido, ao dizê-las a mim; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente as encho do meu. Pensamos nos entender, não nos entendemos de modo algum.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, depois de uma hora de conversa em que ambos pensaram ter se entendido
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Recursos
Pergunta retórica, Metáfora

Explicação e análise

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O homem toma como matéria até a si mesmo, e se constrói, sim senhores, como uma casa.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, na volta do passeio, já dentro da cidade
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
A casa
Recursos
Comparação

Explicação e análise

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Mas é claro que ela conhecia aquele seu Gengè mais do que eu o conhecia! Ela o construíra! E ele não era de modo algum um fantoche. Se algum, o fantoche era eu.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, ao entender o que a mulher chamava de Gengè
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
Gengè
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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Livro III: O pai e os cem mil

O nome, seja: feio até a crueldade. Moscarda. A mosca, e o despeito do seu áspero zumbido incômodo.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o próprio sobrenome
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Recursos
Imagem sensorial

Explicação e análise

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Foi um instante, mas a eternidade. Senti ali dentro todo o pavor das necessidades cegas, das coisas que não se podem mudar: a prisão do tempo; o nascer agora, e não antes nem depois; o nome e o corpo que nos são dados; a cadeia das causas.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, diante da visão do pai
Personagens
Vitangelo Moscarda, O pai de Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Recursos
Paradoxo, Metáfora

Explicação e análise

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Ah, aí está: um usurário, para os outros; um tolo aqui, para Dida, minha mulher. Gengè eu era; um aqui, no ânimo e diante dos olhos de minha mulher.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, depois de ouvir Dida rir da pergunta sobre a profissão dele
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida, O pai de Moscarda
Temas
Dinheiro e riquezaIdentidade
Símbolos
Gengè
Recursos
Antítese, Paralelismo

Explicação e análise

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Cinco imbecis. Um em cada um. Cinco imbecis que estão diante dos senhores, como os veem de fora, em mim, que sou um e cinco como a casa.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, depois de imaginar cinco pessoas diante da casa onde ele nasceu
Personagens
Vitangelo Moscarda, Quantorzo, Firbo
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
A casa
Recursos
Repetição, Comparação

Explicação e análise

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O senhor mandou embora a si mesmo, aquele um que é para o seu velho amigo, porque o sentiu totalmente diferente do que é, ou quer ser, para o novo.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, que acabou de mandar embora o velho amigo quando chegou um novo
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Recursos
Paradoxo, Apóstrofe

Explicação e análise

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Livro IV: O primeiro experimento

O problema é sempre este, senhores: que todos eles tivessem de ser chamados com aquele único nome de Júlio César, e que num só corpo de sexo masculino tivessem de coabitar tantos e até uma mulher.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, sobre Marco di Dio e o homem que cabe em cada nome
Personagens
Vitangelo Moscarda, Marco di Dio
Temas
IdentidadeLoucura
Recursos
Alusão

Explicação e análise

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Ou melhor, este horror: a consciência da loucura, fresca e clara, senhores, fresca e clara como uma manhã de abril, e lúcida e precisa como um espelho.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o que o primeiro experimento lhe daria
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
LoucuraIdentidade
Símbolos
O espelho
Recursos
Comparação, Repetição

Explicação e análise

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E aquele não, não o vê, porque vê outra coisa, quando os senhores acham que deva ver a coisa dos senhores, como lhes parece. Ele a vê como lhe parece a ele, e para ele, portanto, o cego são os senhores.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, a caminho do cartório do notário Stampa
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Aparência e realidadeIdentidade
Recursos
Paradoxo

Explicação e análise

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É aqui que está tudo, pensava eu, nesta subjugação. Cada um quer impor aos outros aquele mundo que tem dentro, como se fosse fora, e que todos devam vê-lo à sua maneira, e que os outros não possam estar nele senão como ele os vê.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, pensando na briga de Firbo com Turolla
Personagens
Vitangelo Moscarda, Firbo, Quantorzo
Temas
Aparência e realidadeLoucura
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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Você, não eu, entende? diante de sua mulher, entende? é que devia ficar assim! E eu, e ele, e todos nós, diante dos assim chamados loucos, assim!
Quem fala
Vitangelo Moscarda a Firbo, ajoelhado no chão da sala da direção do banco
Personagens
Vitangelo Moscarda, Firbo, Quantorzo
Temas
LoucuraIdentidade
Recursos
Repetição

Explicação e análise

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Livro V: O ponto vital

Eu perdi, perdi para sempre, nos olhos dos outros, a minha realidade e a de todas as coisas, Bibi! Mal me toco, me falto.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, falando à cadela Bibi num terreno vazio
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Solidão e isolamentoIdentidade
Recursos
Apóstrofe, Repetição

Explicação e análise

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Quando a vista dos outros não vem nos socorrer, de algum modo, para constituir em nós a realidade daquilo que vemos, nossos olhos já não sabem o que veem; a nossa consciência se perde, porque isto que julgamos o mais íntimo de nós, a consciência, quer dizer os outros em nós; e não podemos nos sentir sós.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, no cercado do terreno vazio, depois de pensar em se matar
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Solidão e isolamentoIdentidade
Recursos
Paradoxo

Explicação e análise

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Dois, portanto, não aos olhos deles, mas somente para mim, que me sabia, para aqueles dois, um e um; o que para mim não fazia um a mais, e sim um a menos, pois queria dizer que, aos olhos deles, eu como eu não era ninguém.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, ao entrar no salão onde Dida e Quantorzo o esperam
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida, Quantorzo
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
Gengè
Recursos
Paradoxo

Explicação e análise

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Fora de toda imagem em que eu pudesse me representar vivo para mim mesmo, como alguém também para mim, fora de toda imagem de mim tal como eu imaginava que pudesse ser para os outros, um “ponto vital” em mim se sentira ferido tão fundo que perdi a luz dos olhos.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, depois de ouvir o riso de Dida na discussão com Quantorzo
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida, Quantorzo
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Símbolos
Gengè
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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Pois bem, mas isto, justamente isto, era o “ponto vital” ferido em mim, que me cegava e me tirava naquele momento a compreensão de tudo: que usurário não, aquele usurário que eu nunca fora para mim, agora eu não queria mais ser nem para os outros e não seria mais, ainda que ao custo da ruína de todas as condições da minha vida.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o motivo que não consegue dizer a Quantorzo
Personagens
Vitangelo Moscarda, Quantorzo
Temas
Dinheiro e riquezaIdentidade
Recursos
Antítese

Explicação e análise

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Pare você com o seu Gengè, que não sou eu, não sou eu, não sou eu! Chega dessa marionete! Quero o que quero; e como eu quero será feito!
Quem fala
Vitangelo Moscarda a Dida, depois de agarrá-la pelos pulsos
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida
Temas
Identidade
Símbolos
Gengè
Recursos
Repetição, Metáfora

Explicação e análise

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Livro VI: Dizer eu a quem

Eu me tornava “um”. Eu. Eu, que agora me queria assim. Eu, que agora me sentia assim. Finalmente. Não mais usurário (chega daquele banco!): e não mais Gengè (chega daquela marionete!).
Quem fala
Vitangelo Moscarda, fechado no quarto, depois de empurrar Dida e mandar fechar o banco
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Símbolos
Gengè
Recursos
Repetição, Paralelismo

Explicação e análise

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A quem dizer “eu”? De que valia dizer “eu”, se para os outros tinha um sentido e um valor que nunca podiam ser os meus; e para mim, tão fora dos outros, assumir um (sentido) logo se tornava o horror deste vazio e desta solidão?
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sozinho na sala esvaziada depois da partida de Dida
Personagens
Vitangelo Moscarda, Dida
Temas
Solidão e isolamentoIdentidade
Recursos
Pergunta retórica, Antítese

Explicação e análise

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Não era eu, posso lhes garantir. Tanto é verdade que, um instante depois, antes de sair, mal virei um pouco a cabeça para olhá-lo de novo naquele espelho, já era outro, também para mim, com um sorriso diabólico nos olhos agudos e luzidios.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao leitor, diante do espelho do armário na manhã da visita do sogro
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O espelho
Recursos
Narrador intruso, Imagem sensorial

Explicação e análise

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Livro VII: O revólver e o bispo

Tive de, pouco depois, subir de novo à Abadia para retomar do corredor, sob o janelão, aquele revólver, que depois deveria servir para mim.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, narrando depois do fato, sobre o revólver de Anna Rosa
Personagens
Vitangelo Moscarda, Anna Rosa
Temas
Aparência e realidade
Símbolos
O revólver
Recursos
Prenúncio

Explicação e análise

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Aquele ponto vital que se sentira ferir em mim, quando minha mulher rira ao me ouvir dizer que eu não queria mais ser tido na conta de usurário em Richieri, era Deus, sem dúvida alguma: Deus que se sentira ferido em mim, Deus que em mim já não podia tolerar que os outros, em Richieri, me tivessem na conta de usurário.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, depois de explicar a Bibi por que os homens constroem igrejas
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Deus e o divinoIdentidade
Recursos
Repetição, Metáfora

Explicação e análise

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Espontaneamente, sem querer mesmo, escapou-me então dizer: Como eu.
Quem fala
Vitangelo Moscarda a Monsenhor Partanna, diante do louco no terraço
Personagens
Vitangelo Moscarda, Monsenhor Partanna
Temas
LoucuraDeus e o divino
Recursos
Ironia dramática

Explicação e análise

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A senhora só pode se conhecer posando: estátua, não viva. Quando alguém vive, vive e não se vê. Conhecer-se é morrer. A senhora passa tanto tempo se mirando nesse espelho, em todos os espelhos, porque não vive; não sabe, não pode ou não quer viver. Quer demais se conhecer, e não vive.
Quem fala
Vitangelo Moscarda a Anna Rosa, no quarto dela
Personagens
Vitangelo Moscarda, Anna Rosa
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Símbolos
O espelho
Recursos
Paradoxo, Metáfora

Explicação e análise

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A senhora não quer que o seu sentimento seja cego. Obriga-o a abrir os olhos e a se ver num espelho que lhe põe sempre à frente. E o sentimento, assim que se vê, congela dentro da senhora. Não se pode viver diante de um espelho.
Quem fala
Vitangelo Moscarda a Anna Rosa, pouco antes do tiro
Personagens
Vitangelo Moscarda, Anna Rosa
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Símbolos
O espelho
Recursos
Personificação

Explicação e análise

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Livro VIII: Sem nome e sem conclusão

Ah, aquela da grande correnteza, senhor juiz! O senhor a canalizou bem nos seus afetos, nos deveres que se impôs, nos hábitos que traçou; mas depois vêm os momentos de cheia, senhor juiz, e a correnteza transborda, transborda e arrasa tudo. Eu sei. Tudo submerso, para mim, senhor juiz! Eu me joguei nela e agora nado, nado. E estou, se soubesse, já tão longe! Quase não o vejo mais.
Quem fala
Vitangelo Moscarda ao juiz que veio interrogá-lo, na poltrona junto à janela
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
LoucuraAparência e realidade
Recursos
Metáfora, Repetição

Explicação e análise

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O que mais me ardia era que esta minha total entrega fosse interpretada como verdadeiro arrependimento, enquanto eu dava tudo, não me opunha a nada.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, sobre o plano que o cônego Sclepis arma para ele
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
Dinheiro e riquezaIdentidade
Recursos
Ironia de situação

Explicação e análise

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Nenhum nome. Nenhuma lembrança, hoje, do nome de ontem; do nome de hoje, amanhã. [...] Não é outra coisa senão isto, epitáfio, um nome.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, já no asilo, sobre o nome que todos querem lhe dar
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeAparência e realidade
Recursos
Metáfora, Paralelismo

Explicação e análise

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Eu sou esta árvore. Árvore, nuvem; amanhã livro ou vento: o livro que leio, o vento que bebo. Tudo fora, vagabundo.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, no campo, ao amanhecer, perto do asilo
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeSolidão e isolamento
Símbolos
A árvore e a nuvem
Recursos
Metáfora

Explicação e análise

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Eu não tenho mais essa necessidade, porque morro a cada instante, eu, e renasço novo e sem lembranças: vivo e inteiro, não mais em mim, mas em cada coisa fora.
Quem fala
Vitangelo Moscarda, no fim do romance, ouvindo os sinos da cidade distante
Personagens
Vitangelo Moscarda
Temas
IdentidadeDeus e o divino
Símbolos
A árvore e a nuvem
Recursos
Paradoxo

Explicação e análise

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