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Personagem

Lisa

Quem é

Lisa, Lizanka no diminutivo, é a filha mais velha de Ivan Ilitch Golovin e de Prascóvia Fiódorovna Golovina. No capítulo II, dezessete anos depois do casamento dos pais, tem dezesseis anos, estuda em casa e cresce bem. Na casa nova do capítulo III é cortejada pelos rapazes da melhor sociedade, e um deles, Petríschev, juiz de instrução e herdeiro único de uma fortuna, acaba por pedi-la em casamento no capítulo XI. Ela atravessa a doença do pai no auge da juventude e das saídas, e o livro a mostra sempre do lado de fora do quarto dele.

Trajetória

No capítulo I, na sala de jantar da casa do morto, Piotr Ivánovitch a encontra toda de preto, a cintura fina parecendo ainda mais fina, com ar sombrio, decidido, quase irado; ela o cumprimenta como se ele tivesse culpa de alguma coisa, e o noivo, atrás dela, tem o mesmo ar ofendido.

No capítulo III, o pai prepara para ela um quarto na casa nova, a família afasta os parentes pobres e só a melhor sociedade frequenta a casa. Petríschev passa a cortejá-la tanto que o pai já fala com a mãe em passeios de troica ou num espetáculo para aproximá-los.

No capítulo IV, quando o pai começa a adoecer, uma das implicâncias dele à mesa é o penteado da filha. Ao voltar do médico famoso, ele conta a consulta à mulher, e Lisa entra de chapéu para sair com a mãe, senta-se com esforço para ouvir aquele tédio e não aguenta muito. Mãe e filha, no auge da temporada de saídas, não entendem ou não querem entender o que se passa com ele, e se aborrecem como se ele tivesse culpa. No capítulo VI, ao achar um risco na mesa da sala, o pai se irrita com o desleixo da filha e dos amigos dela com o álbum (A sala decorada).

No capítulo VIII ela entra no quarto do pai vestida para o teatro, com o corpo jovem à mostra, forte, saudável, apaixonada e indignada com a doença, o sofrimento e a morte que atrapalham a sua felicidade. Discute com a mãe por causa de um binóculo. Quando a conversa sobre Sarah Bernhardt para e todos se calam ao olhar para o pai, é ela quem rompe o silêncio:

всем становилось страшно, что вдруг нарушится как-нибудь приличная ложь, и ясно будет всем то, что есть, todos tinham medo de que de repente a mentira decorosa se rompesse de algum modo, e ficasse claro para todos o que era.
Capítulos VIII a XII: A morte

Diz que, se vão, está na hora, olhando o relógio, presente do pai, e sorri para o noivo um sorriso que só os dois entendem.

No capítulo XI, depois do pedido formal de Petríschev, ela vem cumprimentar o pai, e ele lhe diz secamente que logo vai livrá-las de si. Lá fora, ela pergunta à mãe de que elas têm culpa, como se tivessem feito aquilo: tem pena do pai, mas por que atormentá-las?

Temas que encarna

Lisa encarna a juventude para a qual a Morte do pai é um estorvo, e o livro a desenha pela palavra culpa nas duas pontas. No capítulo I ela cumprimenta Piotr Ivánovitch como se ele tivesse culpa de alguma coisa; no capítulo IV a casa trata o pai como culpado pela doença; no capítulo XI ela pergunta de que elas têm culpa. A pergunta pelo culpado é a forma que a Verdade e mentira assume nela: a morte que se aproxima precisa ser culpa de alguém, e assim não precisa ser olhada.

O que ela quer está dito no capítulo VIII: a felicidade que o noivado promete. O que teme é que a doença a estrague. O que sabe, sabe como todos: que o pai está morrendo, e é por isso que precisa romper o silêncio antes do teatro. Onde se engana é em achar que o silêncio pode ser rompido sem dizer nada, e o texto mostra que ela o rompe dizendo justamente o que todos queriam esconder, a pressa de sair.

Leituras divergentes

O texto sustenta duas leituras dela. Numa, é a filha que repete os pais, educada no agradável e no decoroso, para quem a agonia do pai é inconveniência social, e o relógio, presente dele, serve para marcar a hora de sair. Noutra, é uma moça que tinha dezesseis anos quando a família se mudou, a quem ninguém da casa ensinou outra língua para a morte além da mentira decorosa, e que no capítulo XI diz, ainda que de fora do quarto, que tem pena do pai. A primeira leitura pesa no capítulo VIII; a segunda, no capítulo XI, e o livro não as reconcilia.

Relações