O tema mais forte de Hamlet é a vingança vista do lado de quem recebe a ordem e demora a cumpri-la: o que fazer com uma acusação que vem de um fantasma e que pode ser verdadeira ou uma armadilha. Em volta dela giram o fingimento, a loucura, a corrupção da corte e a morte.
Hamlet recebe a ordem no Ato I, cena 5, e logo no Ato II, cena 2, diz que o espectro "pode ser o demônio" e que terá "provas mais certas do que sua palavra". Monta então A Ratoeira para ver a reação do rei. Quando encontra Cláudio rezando, no Ato III, cena 3, poupa-o, e no quarto da rainha mata Polônio, achando que é o rei.
A peça põe ao lado dele dois outros filhos: Laertes, que volta da França exigindo o pai morto e é ele mesmo quem propõe o veneno para a espada do duelo, e Fortimbrás, que marcha com um exército para tomar um pedaço de terra que, nas palavras de um capitão, "não vale nada além do próprio nome". Vendo esse exército, no Ato IV, cena 4, Hamlet se censura por ter "o pai assassinado, a mãe desonrada" e ainda assim deixar estar.
No Ato V, cena 2, já com a prova do despacho real na mão, ele responde a Horácio que "estar pronto é a única solução", e a vingança só se cumpre no duelo, depois de ele próprio ser ferido. Em torno disso a peça traz a distância entre o que se sente e o que se mostra ("Tenho dentro de mim o que vai além da aparência"), a podridão do reino ("Há algo de podre no reino da Dinamarca") e a morte, com o crânio de Yorick.