Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Júlio César
os homens são às vezes donos do próprio destino: a culpa, caro Bruto, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos, que somos subalternos
A frase opõe "nossas estrelas" e "nós mesmos", o destino que vem de fora e a responsabilidade que vem de dentro. O contraste empurra Bruto a escolher a segunda e a tratar a submissão como decisão dos próprios romanos.
Ato I: O triunfo e a sedução de Bruto, Cássio
os covardes morrem muitas vezes antes de morrer; o valente só prova a morte uma vez
Os covardes, que morrem "muitas vezes", se opõem ao valente, que "só prova a morte uma vez". O contraste entre muitas mortes e uma só é a base do retrato que César faz de si, o de um homem acima do medo.
Ato II: A conspiração e a manhã dos Idos, Júlio César
tenho a mente de um homem, mas a força de uma mulher
A frase põe lado a lado "mente de um homem" e "força de uma mulher", duas qualidades que Pórcia sente separadas em si. O contraste revela o receio de que o coração não aguente guardar o segredo de Bruto.
Ato II: A conspiração e a manhã dos Idos, Pórcia
este foi o mais nobre dos romanos. Todos os conspiradores, menos ele, fizeram o que fizeram por inveja do grande César
A frase opõe Bruto a "todos os conspiradores" e a nobreza ao motivo da "inveja". Antônio separa o único movido pelo bem comum do resto do grupo, e o contraste fixa Bruto como o centro moral da peça.