Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.
Em Júlio César
estas penas que crescem, arrancadas da asa de César, o farão voar numa altura comum
O poder de César vira plumagem: "estas penas que crescem" são a influência dele, e arrancá-las o faria "voar" só numa altura comum. A imagem da ave faz o domínio parecer algo que cresce sozinho e precisa de poda.
Ato I: O triunfo e a sedução de Bruto, Flávio
grite devastação e solte os cães da guerra
A guerra aparece como uma matilha: "solte os cães da guerra". A imagem faz a violência civil parecer algo que estava preso e que o assassinato libertou, enquanto o espírito de César grita "devastação" em busca de vingança.
Ato III: O assassinato e o Fórum, Marco Antônio
quando o amor começa a adoecer e a decair, recorre a uma cerimônia forçada
O amor aparece como um corpo doente, que começa "a adoecer e a decair". A imagem trata a amizade como organismo e a "cerimônia forçada" como sintoma, o que ajuda Bruto a ler a frieza de Cássio como sinal de ruptura.
Ato IV: A discórdia no acampamento, Bruto
há uma maré nos assuntos dos homens que, tomada na cheia, leva à fortuna
A história vira mar: há "uma maré" que, "tomada na cheia", leva à fortuna. A imagem apresenta a oportunidade como algo que sobe e passa, e é com ela que Bruto justifica marchar logo para Filipos.