Memórias Póstumas de Brás Cubas
Os acontecimentos na ordem em que o livro os conta.
O fim em 1869: o emplasto e o delírio
- Capítulos I a IX1
Óbito do autor
Brás Cubas morre numa sexta-feira de agosto de 1869, aos sessenta e quatro anos, solteiro e rico, e decide escrever as memórias do outro mundo, começando pelo fim: onze amigos o levam ao cemitério.
- Capítulos I a IX2
O emplasto
Brás atribui a morte a uma ideia fixa, o emplasto anti-hipocondríaco que curaria a melancolia da humanidade. O motivo que confessa, já defunto, é ver o próprio nome impresso em toda parte.
- Capítulos I a IX3
O delírio
Doente, depois da visita de Virgília, Brás delira: um hipopótamo o leva à origem dos séculos, onde a Natureza, que também se diz Pandora, mãe e inimiga, lhe nega mais anos e lhe mostra o desfile dos séculos.
Infância, Marcela e Coimbra
- Capítulos X a XVI4
O menino que montava Prudêncio
Mimado pelo pai, Brás cresce como um menino diabo: aos seis anos quebra a cabeça de uma escrava que lhe negou doce de coco e faz do moleque da casa, Prudêncio, o seu cavalo.
- Capítulos X a XVI5
O jantar de 1814
Aos nove anos, num jantar que a família dá no Rio para celebrar a queda de Napoleão, Brás espera em vão a sobremesa, vê o Dr. Vilaça beijar D. Eusébia na chácara e grita a notícia.
- Capítulos X a XVI6
O primeiro beijo
Aos dezessete anos, na noite das luminárias da independência, Brás vê a espanhola Marcela e a segue. Três dias depois, numa ceia na casa dela, volta à escada com a desculpa do lenço e a beija.
- Capítulos XVII a XXIV7
Embarcado à força
O pai, que resgatou as dívidas feitas com Marcela, manda o filho para a Europa. Brás é metido numa sege, levado ao intendente de polícia e embarcado numa galera para Lisboa, abatido e mudo.
- Capítulos XVII a XXIV8
O grau em Coimbra
Durante a viagem, Brás troca Marcela pela ambição de cargo e fama. Em Coimbra estuda mediocremente, ganha fama de folião e recebe o grau de bacharel, saindo de lá querendo influir, gozar e viver.
- Capítulos XVII a XXIV9
A morte da mãe
Chamado pelo pai, Brás volta ao Rio e acha a mãe quase uma caveira, devorada por um cancro no estômago. Sem chorar, assiste à longa agonia, a primeira morte que vê de perto.
A Tijuca, Eugênia e a noiva perdida
- Capítulos XXV a XXXVII10
A candidatura e a noiva
Na Tijuca, onde se isolou depois do luto, Brás ouve do pai dois projetos: uma cadeira de deputado e o casamento com Virgília, filha do Conselheiro Dutra. Aceita examinar os dois, contanto que não seja obrigado a aceitar ambos.
- Capítulos XXV a XXXVII11
Eugênia, a moça coxa
Brás conhece Eugênia, filha de D. Eusébia, bonita e coxa de nascença, e recebe dela o primeiro beijo. Oito dias depois, por piedade e por medo de amar uma coxa, desce a serra e a abandona.
- Capítulos XXXVIII a XLIX12
Marquesa, porque eu serei marquês
Em poucas semanas, Lobo Neves toma de Brás a noiva e a candidatura. Virgília lhe pergunta se será ministro e se a fará baronesa, e ele responde que a fará marquesa. Brás cede, a conselho do pai dela.
Virgília e a casinha da Gamboa
- Capítulos L a LXIII13
A valsa
Anos depois, Virgília volta de São Paulo casada com Lobo Neves. Brás a reencontra e valsa com ela num baile; semanas depois, numa reunião em casa do marido, aperta-lhe a mão com força na valsa, e ela deixa a mão ficar.
- Capítulos L a LXIII14
O abraço de Quincas Borba
No Passeio Público, Brás encontra o antigo colega Quincas Borba, que fora rico e agora é mendigo. Dá-lhe cinco mil-réis, e Quincas, num abraço de despedida, lhe furta o relógio.
- Capítulos L a LXIII15
A proposta de fuga
Brás propõe a Virgília que fujam para onde ninguém os aborreça. Ela empalidece e teme que o marido a mate; Lobo Neves chega, beija o filho, e Brás, convidado a jantar, bebe mais que de costume.
- Capítulos LXIV a LXXVI16
A casinha
Virgília recusa fugir, porque não separa o amor da consideração pública. Brás então arranja uma casinha numa rua da Gamboa, a ser guardada por uma antiga costureira e agregada da família dela.
- Capítulos LXIV a LXXVI17
O vergalho
Voltando a pé pelo Valongo, Brás vê um preto vergalhar outro na praça: é Prudêncio, o moleque que seu pai libertou. Prudêncio lhe pede a bênção e repassa a outro as pancadas que recebeu quando era a montaria de Brás.
- Capítulos LXIV a LXXVI18
A história de Dona Plácida
Dona Plácida, que guarda a casinha, conta a Brás a vida: filha natural de um sacristão, viúva de um alfaiate, sustentou a filha e a mãe com doces e costura, e teme acabar pedindo esmola.
- Capítulos LXXVII a LXXXVII19
O decreto de 13
Brás lê no jornal que decretos de 13 o nomeiam secretário, e Lobo Neves presidente da província. Virgília lhe conta que o marido vai recusar por superstição: o número 13 liga-se à morte dos pais dele.
- Capítulos LXXVII a LXXXVII20
O cimo da montanha
Salvos da separação, Brás e Virgília se amam com mais ardor. Brás diz que esse foi o ponto mais alto da ligação, o cimo da montanha, de onde começaram a descer.
- Capítulos LXXXVIII a C21
A carta anônima
Depois de perderem o filho que esperavam, Virgília e Brás sofrem o golpe de uma carta anônima, que denuncia os dois a Lobo Neves. Virgília a chama de calúnia diante do marido, safa-se e conta tudo a Brás na Gamboa.
- Capítulos CI a CXVI22
O almoço
Quando Virgília parte com o marido para a província, Brás não os vê embarcar. Sente alívio e saudade em iguais doses e almoça como nos outros dias: o romanesco seria sofrer, o biográfico é ter almoçado.
O Humanitismo, Nhã-loló e a Câmara
- Capítulos CXVII a CXXXVI23
O Humanitismo
Quincas Borba, agora herdeiro rico, expõe a Brás o Humanitismo: Humanitas é o homem repartido por todos os homens, a guerra, a fome e o crime são funções necessárias, e a dor é uma ilusão.
- Capítulos CXVII a CXXXVI24
A morte de Nhã-loló
Nhã-loló, noiva escolhida pela irmã de Brás, morre aos dezenove anos na primeira entrada da febre amarela. Brás a acompanha ao jazigo sem lágrimas e conclui que talvez não a amasse deveras.
- Capítulos CXVII a CXXXVI25
Cinquenta anos
Num baile de 1855, Brás fala a Virgília pela primeira vez desde a presidência e a vê descer a escada. Ao voltar, descobre no fundo do carro que tem cinquenta anos: a melhor parte da vida desceu com ela.
As perdas finais e as negativas
- Capítulos CXXXVII a CLX26
De como não fui ministro
A ambição de chegar a ministro, que levou Brás a discursar sobre a barretina da Guarda Nacional, termina com a perda da cadeira de deputado. O capítulo que promete contar como não foi ministro é feito só de pontos.
- Capítulos CXXXVII a CLX27
A morte de Dona Plácida
Virgília pede por carta que Brás leve Dona Plácida, muito doente, à Misericórdia. Ele, que lhe dera cinco contos, a manda por cortesia ao hospital, onde ela amanhece morta.
- Capítulos CXXXVII a CLX28
Dois encontros
Num mesmo dia, durante os anos em que serve numa Ordem Terceira, Brás acha Eugênia num cortiço, coxa e mais triste, e vê Marcela morrer no hospital da Ordem.
- Capítulos CXXXVII a CLX29
A morte de Quincas Borba
Quincas Borba volta de Minas demente e consciente disso, queima o manuscrito para aperfeiçoar o Humanitismo e morre em casa de Brás, repetindo que a dor é ilusão.
- Capítulos CXXXVII a CLX30
Das negativas
Brás faz o balanço: não foi célebre pelo emplasto, não foi ministro, não conheceu o casamento. No pequeno saldo está a última negativa: não teve filhos e não transmitiu a ninguém o legado da nossa miséria.