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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Capítulos LXIV a LXXVI

A casinha, o vergalho e Dona Plácida

Capítulo LXIV: A transação

Resumo da seção

Brás Cubas não vai ao teatro, aonde Virgília foi com o marido, porque julga que chegaria tarde, que ir seria prova de fraqueza e que ela começava a aborrecer-se dele, e passa a noite imaginando-a desejada por todos, até querer despi-la e torná-la só sua. No dia seguinte, ao achá-la chorando, ouve que a tratou na véspera como a um cachorro; sem ânimo de acusá-la, diz que tem ciúmes do outro e propõe retomar a ideia da fuga. Virgília responde com a imagem de uma casinha escondida num jardim e pergunta para que fugir; ele a chama de egoísta, ela chora, o medo de serem ouvidos a acalma, e só então ela diz que não deixa o filho e que, se o levar, o marido irá buscá-la ao fim do mundo. Brás pede perdão, e os dois voltam a falar da casinha.

Análise

Brás sai do ciúme e chega a uma negociação: como o único agravo que tem é o marido amar a mulher, não pode acusá-la de nada e, mesmo assim, acusa-a de egoísta; só depois do choro dela pede perdão, e os dois retomam a casinha como saída que serve a ambos. Virgília não cede o filho, que não quer deixar, e o título diz isso, cada um paga com o que pode. O choro dela pode ser dor e pode ser arma, e o texto só registra que o terror a apazigua.

Não era culpa dela se o marido a amava.
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Capítulo LXV: Olheiros e escutas

Resumo da seção

Interrompidos pela chegada da baronesa X, Brás e Virgília a recebem, ele sugerindo antes que, com a dor de cabeça dela, o melhor era não receber; a baronesa pergunta por que ele faltou ao teatro, diz que deve estar perto dos quarenta anos e convida-o para o sábado. Na rua, Brás se arrepende de ter saído, porque a baronesa era das pessoas que mais desconfiavam deles, e passa em revista quem os vigia: a baronesa, com a arte de escutar espiando; o Viegas, parente de Virgília, velho avarento e doente; o primo Luís Dutra, que ele desarma falando em seus versos; algumas senhoras, os gamenhos e os criados. Brás faz o inventário para mostrar o risco que corre e a tática que isso exige.

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Capítulo LXVI: As pernas

Resumo da seção

Perdido em pensamentos sobre os olheiros, Brás descobre que as pernas o levaram até o Hotel Pharoux, onde costuma jantar. Como não deliberou andar, atribui a ação às pernas, que imagina dizendo-se uma à outra que ele precisa comer, e promete imortalizá-las na página.

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Capítulo LXVII: A casinha

Resumo da seção

Brás Cubas encontra em casa uma caixa de charutos enviada em nome de Lobo Neves com um bilhete de Virgília dizendo que desconfiam deles e que tudo está perdido. Corre à casa dela e ouve, no vão de uma janela, que a baronesa lhe contou o que se falara no teatro sobre a ausência dele do camarote; quando ele insinua que o melhor é fugirem, Virgília responde "Nunca". Brás percebe que ela não separa o amor da consideração pública, deixa passar o despeito e arranja a casinha, numa rua da Gamboa, a ser habitada por uma antiga costureira e agregada de Virgília, que aceitaria sem que lhe dissessem tudo. A casa lhe promete posse exclusiva, fim das cortinas e dos jantares do outro e a ausência do filho de Virgília, "meu cúmplice e meu inimigo".

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Capítulo LXVIII: O vergalho

Resumo da seção

Voltando a pé pelo Valongo, logo depois de ver e ajustar a casa, Brás Cubas encontra um ajuntamento: um preto vergalha outro na praça, e o que apanha só pede perdão. O que bate é Prudêncio, o moleque que o pai de Brás libertara anos antes. Prudêncio pede a bênção a Brás e explica que bate no seu escravo por vadio e bêbado; Brás manda perdoar, e Prudêncio obedece. Brás diz ter perdido as reflexões que fez depois, mas dá a que lhe resta: Prudêncio se desfaz das pancadas que recebeu transmitindo-as a outro, e agora paga, com juro, o que recebeu quando era a montaria de Brás menino.

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Capítulo LXIX: Um grão de sandice

Resumo da seção

Brás lembra um louco que conheceu, Romualdo, que dizia ser Tamerlão e explicava assim: adoeceu, tomou tanto tártaro que ficou Tártaro, e o tártaro tem a virtude de fazer Tártaros. Brás confessa que não acha graça na história, contada no papel e a propósito de um vergalho recebido e transferido, e propõe deixar "os Romualdos e Prudêncios" para voltar à casinha.

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Capítulo LXX: D. Plácida

Resumo da seção

Brás conta ao leitor que a casinha foi derrubada e substituída por outra "três vezes maior" e, jura, muito menor que a primeira, e que ali dormem agora virtudes onde dormiram pecados. Virgília mobilia a casa e Brás leva livros; a guarda da casa fica com Dona Plácida, a dona de fachada. Ela aceita com custo, porque farejara a intenção e lhe doía o ofício, e fica de olhos baixos nos primeiros dois meses, e Brás, depois de ganhar-lhe com carinho e respeito a benevolência e a confiança, inventa uma novela de amores anteriores ao casamento de Virgília, que ela aceita inteira porque era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses, quem visse os três juntos diria que ela era a sogra de Brás; ele lhe dá cinco contos como pecúlio, os mesmos que achara na praia de Botafogo (capítulo LII), e ela passa a rezar por ele todas as noites, e assim lhe acaba o nojo.

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Capítulo LXXI: O senão do livro

Resumo da seção

Brás confessa que começa a se arrepender do livro: não que o canse, mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro e tem certa contração cadavérica. O maior defeito, diz, é o leitor, que tem pressa de envelhecer e quer narração direta e estilo fluente, enquanto o livro e o estilo dele guinam como os ébrios. Em seguida fala às folhas do seu cipreste, que hão de cair como quaisquer outras, e diz que a vantagem da morte é não deixar olhos para chorar.

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Capítulo LXXII: O bibliômano

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Brás pensa em suprimir o capítulo anterior, porque as últimas linhas têm uma frase que parece um despropósito, e imagina o futuro: daqui a setenta anos, um bibliômano magro e amarelo, que comprou por duzentos réis um exemplar único, esquadrinha a página sem achar o despropósito. Ele não conhece o autor, rejeitaria tudo por aquele único exemplar e acaba contente com a posse; nem um César ou um Cromwell passando à janela o desvia do livro.

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Capítulo LXXIII: O “luncheon”

Resumo da seção

O despropósito fez Brás perder outro capítulo, e ele compara o estilo às refeições com Virgília na casinha da Gamboa: vinho, fruta e compotas, um comer "virgulado" de palavrinhas doces e arrufos, que ele reata como reata a narração. Dona Plácida nunca aceita sentar-se com eles. Quando Virgília diz que D. Plácida parece já não gostar mais dela, esta exclama que gosta de Iaiá, olha-a fixamente até molhar os olhos, e Brás deixa uma pratinha na algibeira do vestido dela.

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Capítulo LXXIV: História de D. Plácida

Resumo da seção

Dias depois, achando Dona Plácida sozinha, Brás ouve a história dela. Filha natural de um sacristão da Sé e de uma doceira, perdeu o pai aos dez anos e casou com um alfaiate que morreu tísico, deixando-lhe uma filha. Sustentou a filha e a mãe com doces, costura e aulas, resistiu aos pretendentes de ocasião que a mãe lhe empurrava porque queria ser casada, e viu a filha fugir com um homem. Depois foi agregada na família de Iaiá, saiu quando esta casou, e teme acabar pedindo esmola; ao dizê-lo, parece perceber que falou ao amante de uma mulher casada, ri, chama-se tola e, cansada do silêncio de Brás, se retira.

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Capítulo LXXV: Comigo

Resumo da seção

Brás avisa que quem pulou o capítulo anterior precisa lê-lo e reproduz o que disse consigo logo depois que Dona Plácida saiu da sala. Imagina o sacristão da Sé que, ajudando à missa, viu entrar uma dama, gostou, disse-lhe uma graça, pisou-lhe o pé ao acender os altares, e dessa conjunção de luxúrias vadias brotou D. Plácida. Se ela falasse ao nascer e perguntasse para que a chamaram, os pais responderiam que foi para queimar os dedos nos tachos e os olhos na costura, até acabar na lama ou no hospital.

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Capítulo LXXVI: O estrume

Resumo da seção

A consciência de Brás o acusa de ter feito capitular a probidade de Dona Plácida, obrigando-a a um papel torpe, depois de uma longa vida de trabalho: medianeira não era melhor que concubina, e ele a rebaixara com obséquios e dinheiro, aproveitando a fascinação de Virgília sobre ela, a gratidão e a necessidade. Brás passa uns dez minutos sem resposta e, por fim, alega que a velhice dela está agora ao abrigo da mendicidade, o que seria compensação; daí, diz, se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude. A consciência concorda e ele vai abrir a porta a Virgília.

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