Capítulo X: Naquele dia
Resumo da seção
Brás Cubas nasce e a família o recebe com palpites: o tio João vê nele um olhar de Bonaparte, o tio Ildefonso, então simples padre, um futuro cônego ou bispo, e o pai, a quem o tio padre chama "mano Bento", responde que ele será o que Deus quiser, mas ergue o menino para mostrá-lo à cidade. Batizado em 1806, aprende cedo a recitar os nomes dos padrinhos diante das visitas, e começa a andar antes do tempo.
Análise
Brás conta o próprio nascimento de ouvido, e o que ele guarda é o uso que os outros fizeram do bebê: cada parente projeta nele a carreira que lhe agrada, e o pai o exibe porque quer ver confirmada a casa, não o filho. O narrador defunto se diverte com a cena e anota, de passagem, a primeira lição que recebeu: decorar títulos de fidalgo e ser aplaudido por isso.
Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor.
Assinatura
A análise completa de cada bloco de capítulos de Memórias Póstumas de Brás Cubas está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo XI: O menino é pai do homem
Resumo da seção
Brás Cubas diz ter crescido sem que a família interviesse e pinta o menino que foi: "menino diabo" desde os cinco anos, aos seis quebrou a cabeça de uma escrava que lhe negara doce de coco e a acusou à mãe; fez de Prudêncio, moleque da casa, o seu cavalo. O pai o admirava e só o repreendia por formalidade. A mãe, fraca e piedosa, e o pai, que se julgava num sistema superior, o formaram numa educação que Brás julga viciosa e incompleta; o tio João lhe contava anedotas obscenas, e o tio cônego zelava das cerimônias sem força de impor virtudes.
Análise
Capítulo XII: Um episódio de 1814
Resumo da seção
Aos nove anos, Brás Cubas assiste ao jantar que a família dá para celebrar a queda de Napoleão. Só lhe interessa certa compota da sua paixão, mas as glosas do Dr. Vilaça adiam a sobremesa, o pai não vê o filho pedir e, quando Brás enfim berra e bate com os pés, a tia Emerenciana o tira da mesa. Para se vingar, Brás espia Vilaça com D. Eusébia na chácara, vê o beijo e grita a notícia. O pai lhe puxa as orelhas às escondidas e no dia seguinte ri e chama o filho de brejeiro.
Análise
Capítulo XIII: Um salto
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Brás Cubas salta por cima da escola, apostrofa a palmatória e lembra o mestre Ludgero Barata, que ensinou vinte e três anos e morreu sem que ninguém o chorasse, salvo um preto velho. Na aula, Quincas Borba, filho de uma viúva com algum cabedal, deixava baratas mortas para o mestre e fazia de imperador nas festas. Brás se interrompe antes de adiantar o que vem e salta a 1822.
Análise
Capítulo XIV: O primeiro beijo
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Aos dezessete anos, Brás Cubas se acha um rapaz bonito e audaz e se encanta por Marcela, espanhola a quem os rapazes chamavam a "linda Marcela" e que, naquele ano, "morria de amores" pelo abastado e tísico Xavier. Ele a vê na noite das luminárias da independência e a segue; três dias depois, o tio João o leva a uma ceia na casa dela. Na saída, volta à escada com a desculpa do lenço, puxa-a para si e a beija. Faz isso, diz ele, levado pelo entusiasmo, por alguns goles de vinho e pelo gênio imperioso e estouvado.
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Capítulo XV: Marcela
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Brás Cubas gasta trinta dias para chegar ao coração de Marcela, e a ligação passa por duas fases: na primeira ele governa com Xavier, que não o crê; na segunda, Xavier depõe as insígnias e Brás reina sozinho, mas o reino custa dinheiro. Ele explora o pai, induz a mãe a desviar algum, depois assina obrigações sobre a herança. Marcela protesta contra os presentes, desmente a história da cruz de ouro, promete "Nunca, nunca" e, quando ele lhe leva o colar que ela dissera não querer, tenta jogá-lo à rua e fica com ele.
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Capítulo XVI: Uma reflexão imoral
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Brás Cubas corrige o que dissera no capítulo XIV: Marcela não "morria" de amores por Xavier, "vivia", e os joalheiros, com suas joias e seus fiados, são parte do comércio dos corações. Daí a reflexão que ele diz ser imoral e obscura: uma testa bela não perde nada por usar um diadema. A frase "Marcela amou-me..." fica suspensa e se completa no capítulo seguinte, em Capítulos XVII a XXIV: Coimbra e a morte da mãe.
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