Capítulos I a IX: Óbito, emplasto e delírio
eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço
Explicação e análise
O livro abre pelo fim. Brás Cubas, que morreu numa sexta-feira de agosto de 1869, aos sessenta e quatro anos, explica ao leitor como vai contar a sua história: não se apresenta como um autor que está morto, mas como um morto que escreve. A inversão das duas palavras, "autor defunto" e "defunto autor", é a primeira piada do romance e também a sua regra de funcionamento.
O que a frase diz é que a morte, para Brás, não encerra a vida, apenas a coloca em outro lugar: "a campa foi outro berço". O túmulo vira o ponto de partida do livro, como o berço é o ponto de partida de uma vida. Por isso o capítulo começa pelo óbito e conta o enterro, a idade, o número de amigos e os bens deixados antes de qualquer lembrança da infância. Quem narra de lá não tem reputação a perder, e esse é o direito que ele reivindica: dizer o que um vivo calaria.
A frase também pode ser lida como pose. Chamar de método o que é gosto de causar efeito é um jeito de Brás se mostrar, e o leitor percebe isso logo: o morto se apresenta com a mesma vaidade do vivo. É essa dupla leitura, entre a franqueza de defunto e a encenação de autor, que acompanha o romance até o último capítulo.
o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas [...] estas três palavras: Emplasto Brás Cubas
Explicação e análise
Assinatura
A explicação desta e das outras 36 citações de Memórias Póstumas de Brás Cubas está na assinatura.
obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, [...] e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado
Explicação e análise
Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga
Explicação e análise
Capítulos X a XVI: Infância e Marcela
Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias
Explicação e análise
o realismo o veio achar, comido de lazeira e vermes, e, por compaixão, o transportou para os seus livros
Explicação e análise
Viver não é a mesma coisa que morrer; assim o afirmam todos os joalheiros deste mundo, gente muito vista na gramática.
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Capítulos XVII a XXIV: Coimbra e a morte da mãe
Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.
Explicação e análise
o cancro é indiferente às virtudes do sujeito; quando rói, rói; roer é o seu ofício
Explicação e análise
Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.
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Capítulos XXV a XXXVII: Tijuca, a borboleta preta e Eugênia
Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.
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Vejam como é bom ser superior às borboletas!
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Bem-aventurados os que não descem, porque deles é o primeiro beijo das moças.
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Capítulos XXXVIII a XLIX: Virgília perdida, a morte do pai e a herança
Virgília comparou a águia e o pavão, e elegeu a águia, deixando o pavão com o seu espanto, o seu despeito, e três ou quatro beijos que lhe dera
Explicação e análise
Meu pai ficou atônito com o desenlace, e quer-me parecer que não morreu de outra coisa
Explicação e análise
Cada homem tem necessidade e poder de contemplar o seu próprio nariz, para o fim de ver a luz celeste, e tal contemplação, cujo efeito é a subordinação do universo a um nariz somente, constitui o equilíbrio das sociedades
Explicação e análise
Capítulos L a LXIII: Virgília casada e o Fujamos
o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência
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Virgília era o travesseiro do meu espírito
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Não tremas assim, leitora pálida; descansa, que não hei de rubricar esta lauda com um pingo de sangue
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Capítulos LXIV a LXXVI: A casinha, o vergalho e Dona Plácida
Era um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas, [...] transmitindo-as a outro.
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o maior defeito deste livro és tu, leitor
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donde se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude
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Capítulos LXXVII a LXXXVII: A presidência e o cimo da montanha
Era o caso de Hamlet: ou dobrar-me à fortuna, ou lutar com ela e subjugá-la. Por outros termos: embarcar ou não embarcar. Esta era a questão
Explicação e análise
Esse foi, cuido eu, o ponto máximo do nosso amor, o cimo da montanha, donde por algum tempo divisamos [...] e por cima de nós o céu tranqüilo e azul. Repousado esse tempo, começamos a descer a encosta, com as mãos presas ou soltas, mas a descer, a descer...
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havia no Lobo Neves certa dignidade fundamental, uma camada de rocha, que resistia ao comércio dos homens. As outras, as camadas de cima, terra solta e areia, levou-lhas a vida, que é um enxurro perpétuo
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Capítulos LXXXVIII a C: Viegas, Quincas Borba e a carta anônima
A verdade é que estava em diálogo com o embrião; era o velho colóquio de Adão e Caim, uma conversa sem palavras entre a vida e a vida, o mistério e o mistério.
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Virgília recuou, como se fosse um beijo de defunto.
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Estou com vontade de suprimir este capítulo. O declive é perigoso. Mas enfim eu escrevo as minhas memórias e não as tuas, leitor pacato.
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Capítulos CI a CXVI: O muro, a solda e as folhas velhas
Era medo, e não era medo; era dó e não era dó; era vaidade e não era vaidade; enfim, era amor sem amor, isto é, sem delírio
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a opinião é uma boa solda das instituições domésticas
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Não me dei por abalado: levei-os ao cemitério, como quem leva dinheiro a um banco
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Capítulos CXVII a CXXXVI: O Humanitismo, Nhã-loló e os cinquenta anos
este frango, que eu almocei agora mesmo, é o resultado de uma multidão de esforços e lutas, executados com o único fim de dar mate ao meu apetite
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AQUI JAZ / D. EULÁLIA DAMASCENA DE BRITO / MORTA / AOS DEZENOVE ANOS DE IDADE / ORAI POR ELA!
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o que é que fui achar no fundo do carro? Os meus cinqüenta anos
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Capítulos CXXXVII a CLX: A barretina, o ministério e as negativas
A morte não envelhece
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A taxa da dor é como a moeda de Vespasiano; não cheira à origem, e tanto se colhe do mal como do bem
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há em todos nós um maníaco de Atenas
Explicação e análise
Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria