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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Capítulos XVII a XXIV

Coimbra e a morte da mãe

Capítulo XVII: Do trapézio e outras coisas

Resumo da seção

O pai de Brás Cubas, ao ver os títulos de dívida que resgatou e saber dos onze contos gastos, decide mandá-lo à Europa, a uma universidade, provavelmente Coimbra, para fazer dele um homem sério e não um "gatuno". Brás ouve calado, porque já pensa em levar Marcela; ela recusa com o pai morto por Napoleão, ele a insulta e depois se humilha, e ela o despacha. Duas horas de vagueio depois, ele volta com um pente de marfim e três diamantes, comprado com um último empréstimo, e Marcela, que olha a joia, aceita partir.

Análise

Brás conta a cena em que mais se rebaixa sem poupar um gesto (o copo derrubado, a mucama mandada embora, os pés beijados), e quem a registra é o defunto, que não tem mais nada a perder. Marcela só cede quando o pente aparece, e o texto sustenta duas leituras: ela se comove com o sacrifício, ou calcula, como o olhar que vai dele à parede e da parede à joia deixa suspeitar. Brás vê o olhar, anota o desconforto e o apaga na mesma frase.

Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.
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Capítulo XVIII: Visão do corredor

Resumo da seção

Ao pé da escada, Brás Cubas se acha feliz e confia em Marcela, embora os diamantes lhe corrompam um pouco a felicidade. No corredor escuro, vê o olhar dela sobre um nariz que é ao mesmo tempo o de Bakbarah, namorado das Mil e Uma Noites, e o seu; a visão se funde com a rua, onde o pai, o tio cônego e um homem de libré o metem numa sege e o levam ao intendente de polícia e dali a uma galera para Lisboa. Três dias depois ele embarca, abatido e mudo, com a ideia fixa de mergulhar no oceano repetindo o nome de Marcela.

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Capítulo XIX: A bordo

Resumo da seção

A bordo, onde o pai o recomendou a todos, Brás Cubas só pensa em Marcela e, numa noite, acha ensejo de se matar; mas encontra o capitão junto à amurada, que lhe lê uma ode e sonetos de sua autoria, e a conversa de poeta lhe varre os pensamentos maus. Uma tempestade só não assusta o passageiro louco, que enlouquecera com a morte de uma filha; passada ela, a mulher tísica do capitão morre, é lançada ao mar, e o capitão lê a Brás um epicédio e lhe pergunta se é digno da perdida; Brás responde que os versos são perfeitos e, quando o capitão os rebaixa a versos de marujo, corrige: de marujo poeta.

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Capítulo XX: Bacharelo-me

Resumo da seção

Quando o capitão lhe prediz um grande futuro, Brás Cubas troca Marcela pela ambição: imagina-se naturalista, literato, arqueólogo, banqueiro, político ou até bispo, desde que seja cargo, preeminência, reputação. Desembarca em Lisboa, vai a Coimbra, estuda mediocremente e recebe o grau de bacharel, com fama de folião; no dia do diploma sente-se logrado e orgulhoso, porque o papel lhe dá liberdade e responsabilidade, e deixa Coimbra querendo influir, gozar e viver.

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Capítulo XXI: O almocreve

Resumo da seção

No caminho, o jumento de Brás Cubas empaca e o derruba, com o pé preso no estribo, até um almocreve segurar a rédea e deter o bicho. Brás decide gratificar o salvador com três das cinco moedas de ouro, depois com uma, e acaba dando um cruzado em prata, enquanto o almocreve fala ao jumento e lhe beija a testa. Já a trote, descobre no colete umas moedas de cobre e conclui que bastavam uns vinténs, pois o homem agira por impulso e por hábito; chama-se pródigo e tem remorsos.

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Capítulo XXII: Volta ao Rio

Resumo da seção

Brás Cubas recusa narrar a Europa: as memórias dele só levam a substância da vida, e um diário de viagem seria outro livro. Depois de alguns anos atende o pai, que lhe escreve que a mãe estará morta se ele não vier depressa, e a frase ressoa com a última bênção da mãe a bordo. Em Veneza, onde pergunta ao locandeiro se o doge passeia, larga tudo e segue para o Rio. Corta o capítulo, porque seu público é in-12, não in-folio.

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Capítulo XXIII: Triste, mas curto

Resumo da seção

Ao avistar a cidade natal, Brás Cubas sente o lugar da infância como uma renascença; em casa, o pai o abraça com lágrimas, a irmã Sabina, já casada com Cotrim, cai de fadiga, o tio João está abatido, e D. Eusébia e outras senhoras ajudam. A mãe, que ele não via havia oito ou nove anos, é quase uma caveira, devorada não pelo reumatismo mas por um cancro no estômago; ela sabe que vai morrer e o diz, e Brás, mudo e sem chorar, assiste à longa agonia, a primeira morte que vê de perto.

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Capítulo XXIV: Curto, mas alegre

Resumo da seção

Brás Cubas fica prostrado, mas confessa que era então um fiel compêndio de trivialidade e presunção. Nunca o problema da vida e da morte lhe pesara; refletia as opiniões de um cabeleireiro de Módena, que não tinha nenhuma, e da Universidade só decorou fórmulas e vocabulário, tratando-a como tratou o latim, a história e a jurisprudência. Expõe a própria mediocridade ao leitor porque a franqueza é virtude de defunto: vivo, a opinião obriga a calar os trapos velhos, e morto, sem plateia, ele se desabafa.

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