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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Capítulos CXXXVII a CLX

A barretina, o ministério e as negativas

Capítulo CXXXVII: A barretina

Resumo da seção

Acabrunhado, Brás Cubas ouve de Quincas Borba que é idade de governo e discursa sobre a barretina da guarda nacional para chegar à pasta; recua quando veem oposição no discurso.

Análise

Brás veste de questão de Estado um assunto mínimo, e logo que lhe atribuem oposição oferece cortar só três quartos de polegada e se declara sustentáculo do gabinete. O que ele quer é a pasta, e o narrador morto conta o próprio recuo sem poupar-se. O elogio final de Quincas Borba, que louva o discurso e depois condena a barretina, mostra quanto Brás se deixa levar por quem o anima.

A Guarda Nacional foi criada no Brasil em 1831.

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Capítulo CXXXVIII: A um crítico

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Brás Cubas explica ao crítico que a morte não envelhece: o estilo muda porque ele sente, em cada fase narrada, a sensação dela. Responde assim a quem achasse incompreensível que um defunto diga, como disse no capítulo CXXXIV, que o estilo já não é tão lesto como nos primeiros dias.

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Capítulo CXXXIX: De como não fui ministro d’Estado

Resumo da seção

O capítulo que promete contar como Brás Cubas não chegou a ministro de Estado é feito só de uma sequência de pontos, sem nenhuma palavra; o capítulo seguinte explica o silêncio.

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Capítulo CXL: Que explica o anterior

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Os pontos valem pela dor de perder a cadeira de deputado. Quincas Borba chama a ambição de Brás de capricho, e Brás Cubas o manda para o diabo com o Humanitismo, porque está farto de filosofias que não o levam a coisa nenhuma.

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Capítulo CXLI: Os cães

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Envergonhado, Brás Cubas quer fugir à Tijuca; Quincas Borba manda-o fundar um jornal, porque não pode fugir ao combate e, se lhe fecham a tribuna, cumpre-lhe abrir um jornal, e para em êxtase diante de dois cães que brigam por um osso sem carne.

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Capítulo CXLII: O pedido secreto

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Brás Cubas duvida da vantagem de disputar a comida aos cães, e Quincas Borba responde com o Precursor e Ezequiel. Em casa chega uma carta, de letra disfarçada para que não se lhe pudesse atribuir a autoria, em que Virgília pede que ele meta Dona Plácida, muito doente, na Misericórdia. Brás não compreende o pedido, pois deixara a Plácida cinco contos, e Quincas, que não leu a carta, tira da estante um livro de Pascal para provar que só disse a verdade sobre os cães.

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Capítulo CXLIII: Não vou

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Incomodado com o pedido de Virgília, Brás Cubas remói os cinco contos que deu a Dona Plácida e decide não ir ao Beco das Escadinhas, porque supõe que ela gastou o dinheiro em festas e acha uma maçada procurá-la num recanto que imagina estreito e escuro.

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Capítulo CXLIV: Utilidade relativa

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Por cortesia, Brás Cubas manda Dona Plácida para a Misericórdia, onde ela amanhece morta, e conclui que a vida dela serviu aos seus amores com Virgília.

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Capítulo CXLV: Simples repetição

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Sobre os cinco contos, Brás conta que, antes disso, um canteiro da vizinhança fingira-se enamorado de Dona Plácida, casara com ela e, meses depois, inventara um negócio, vendera as apólices e fugira com o dinheiro. Brás Cubas diz que é o caso dos cães de Quincas Borba, simples repetição.

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Capítulo CXLVI: O programa

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Brás Cubas redige o programa do jornal como Humanitismo aplicado, sem citar o livro inédito de Quincas Borba, que exige uma declaração reservada de autoria. O programa fecha com a ameaça de derrubar o ministério, que Quincas acha mesquinha até Brás lhe mostrar que é Humanitismo puro, e o filósofo o proclama seu discípulo amado e califa.

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Capítulo CXLVII: O desatino

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Brás Cubas anuncia o jornal de oposição, e Quincas Borba o elogia. Cotrim e Sabina tentam em vão dissuadi-lo: Cotrim diz que ele trancaria as portas do parlamento contra um ministério que viverá muito, e Sabina, que é provocar o governo sem necessidade; Brás responde que não lhe convém mendigar uma cadeira e que quer derrubar o ministério.

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Capítulo CXLVIII: O problema insolúvel

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Brás Cubas publica o jornal, e Cotrim declara pela imprensa que não tem parte nele e reprova as ideias do cunhado. Brás não entende por quê, já que as relações eram boas e, como deputado, ele lhe obtivera fornecimentos para o arsenal de marinha que podiam render uns duzentos contos.

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Capítulo CXLIX: Teoria do benefício

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Quincas Borba rejeita a acusação de ingratidão contra Cotrim: o benefício acaba com a privação, e só quem o faz o lembra, pela superioridade que sente.

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Capítulo CL: Rotação e translação

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O jornal de Brás Cubas morre em meses, e ele respira. Morre também Lobo Neves, que ia ser ministro; Brás admite o alívio, porque o boato de que o rival seria ministro lhe dera irritação e inveja, e vê Virgília chorar de verdade no enterro.

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Capítulo CLI: Filosofia dos epitáfios

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Depois do enterro, Brás Cubas se afasta dos grupos fingindo ler epitáfios, pois não tinha vontade de falar, e diz que eles são egoísmo de quem fica: arrancar à morte um farrapo da sombra.

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Capítulo CLII: A moeda de Vespasiano

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Brás Cubas não entende como Virgília traiu e chorou o marido com sinceridade, e conclui que a dor é como a moeda de Vespasiano.

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Capítulo CLIII: O alienista

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Brás Cubas sonha ser nababo e conta o gracejo a Quincas Borba, que o julga doido e manda um alienista. O alienista o declara são e pede que distraia o amigo.

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Capítulo CLIV: Os navios do Pireu

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O alienista conta do ateniense que julgava seus os navios do Pireu e aplica a história ao criado de Brás Cubas, que escancara as janelas para que vejam de fora a sala ricamente alfaiada.

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Capítulo CLV: Reflexão cordial

Resumo da seção

Depois da história do ateniense que se julgava dono dos navios do Pireu, Brás Cubas conclui que, se o alienista tem razão, Quincas Borba não é tão lastimável, mas deve ser cuidado.

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Capítulo CLVI: Orgulho da servilidade

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Quincas Borba chama a atitude do criado de orgulho da servilidade, sentimento nobre do Humanitismo, e não de mania: a intenção do criado é mostrar que não é criado de qualquer.

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Capítulo CLVII: Fase brilhante

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Brás Cubas conta a Quincas Borba a suspeita do alienista, e o filósofo estremece e empalidece. Brás se reconcilia com Cotrim, porque a solidão lhe pesava, e, convidado por ele, entra numa Ordem Terceira, com a licença temporária de Quincas, que quer fazer do Humanitismo também uma religião; ali vive a fase mais brilhante da vida.

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Capítulo CLVIII: Dois encontros

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Depois de três ou quatro anos, enfarado do ofício, Brás Cubas deixa a Ordem com um donativo que lhe dá direito ao retrato na sacristia. Conta ainda dois encontros do tempo da Ordem, num mesmo dia: num cortiço, aonde ia distribuir esmolas, acha Eugênia, coxa e mais triste, que não aceitaria esmola dele; e no hospital da Ordem vê Marcela morrer.

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Capítulo CLIX: Semidemência

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Brás Cubas se descobre velho e precisado de uma força, mas Quincas Borba volta de Minas demente e consciente disso: queimou o manuscrito para aperfeiçoar o Humanitismo e o recita como religião do futuro. Morre pouco depois em casa de Brás, repetindo que a dor é ilusão.

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Capítulo CLX: Das negativas

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Brás Cubas diz que entre a morte de Quincas Borba e a sua vieram os fatos do começo do livro, sobretudo o emplasto e a moléstia que o matou, e faz o balanço do que não foi nem teve. As faltas parecem compensadas pelo que a sorte lhe poupou, mas ele acha um pequeno saldo, que é uma negativa: não teve filhos, e assim não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

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