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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Capítulos XXXVIII a XLIX

Virgília perdida, a morte do pai e a herança

Capítulo XXXVIII: A quarta edição

Resumo da seção

Quebrado o vidro do relógio, Brás Cubas entra numa loja da Rua dos Ourives e encontra Marcela, velha, marcada pelas bexigas, dona de uma ourivesaria. Ela o reconhece, conta a vida, manda comprar o vidro apesar da oposição dele e lhe oferece joias a preço baixo, porque deseja a proteção dos conhecidos de outro tempo e supõe que ele, mais cedo ou mais tarde, há de casar. Brás desconfia de que ela negocia só pela paixão do lucro.

Análise

Brás faz o balanço do passado: pergunta se a beleza de 1822 valia a terça parte dos seus sacrifícios, e o rosto de Marcela lhe responde que não. O juízo cai primeiro sobre o rapaz que ele foi, que não soube ver, e só depois sobre a cobiça dela.

Brás aplica a si a imagem do livro e se concede uma compensação que é de aparência, o tipo elegante e a encadernação luxuosa. A frase confessa que ele ainda erra, e o faz em tom de gracejo.

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Capítulo XXXIX: O vizinho

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Enquanto Brás Cubas pensa na avareza de Marcela, entra um relojoeiro da vizinhança com a filha Maricota, de quatro anos, que quer oferecer o padre-nosso a Santa Marcela. Ela beija a menina, diz que a família parece gostar muito dela, e a voz lhe treme de alegria.

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Capítulo XL: Na sege

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Com o vidro novo no relógio, Brás Cubas foge para a sege e manda rodar, mas tudo lhe parece parado. Lembra o almoço, em que o pai ensaiou o discurso que ele faria na Câmara, e quer contá-lo a Virgília; o boleeiro avisa que já estão à porta do conselheiro.

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Capítulo XLI: A alucinação

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Virgília o recebe de mau humor, porque o esperava mais cedo, e Brás Cubas se desculpa com um cavalo que empacou e um amigo. De repente vê-lhe o rosto comido pelas bexigas, faz um gesto de repulsa e ela se afasta; depois a vê inteira outra vez, e Virgília, calada, o olha de cima e estala as unhas.

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Capítulo XLII: Que escapou a Aristóteles

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Brás Cubas imagina uma bola que rola e transmite o impulso a outra: a primeira seria Marcela, a segunda ele, a terceira Virgília, que nada tinha com a primeira. Daí tira a solidariedade do aborrecimento humano e pergunta como o capítulo escapou a Aristóteles.

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Capítulo XLIII: Marquesa, porque eu serei marquês

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Lobo Neves, que Brás diz não ser mais esbelto, elegante, lido nem simpático do que ele, lhe toma Virgília e a candidatura em poucas semanas. O conselheiro Dutra, pai de Virgília, avisa que espere outra aragem, porque a candidatura de Lobo Neves tem o apoio de grandes influências, e Brás cede; Virgília pergunta a Lobo Neves quando será ministro e se a fará baronesa, e ele responde que a fará marquesa.

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Capítulo XLIV: Um Cubas!

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O pai de Brás Cubas, atônito, repete "Um Cubas!" ao ver desfeitos os castelos que engenhara. Brás vela parte da noite, por despeito, e o pai morre quatro meses depois, numa manhã de maio, entre os filhos, o tio Ildefonso e o cunhado; Sabina é a irmã.

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Capítulo XLV: Notas

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Brás Cubas enumera numa frase só o velório e o enterro do pai: o pranto, a casa armada, o caixão, as rezas, o coche fúnebre. Diz que são notas de um capítulo triste e vulgar que não escreve.

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Capítulo XLVI: A herança

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Oito dias depois da morte do pai, Brás Cubas, a irmã Sabina e o cunhado Cotrim discutem a partilha: a casa, a sege, o boleeiro, os pretos Paulo e Prudêncio (este livre há dois anos) e a prataria do tempo de D. José I. Brás não cede, as propostas de acordo falham e as partilhas se fazem com os irmãos brigados. Cotrim quer a prata para Sabina porque ela é casada e precisa de uma copa digna, enquanto Brás é solteiro e não recebe; Brás responde que pode casar.

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Capítulo XLVII: O recluso

Resumo da seção

Brás Cubas junta Marcela, Sabina e Virgília numa só afeição interior e convida a pena a entrar na casa onde viveu meio recluso até 1842, escrevendo política e versos. Das mulheres só guardou iniciais, e ao pensar em Lobo Neves, deputado, e em Virgília, futura marquesa, pergunta-se por que não seria melhor do que ele.

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Capítulo XLVIII: Um primo de Virgília

Resumo da seção

Luís Dutra, primo de Virgília e também poeta, pergunta a Brás Cubas quem chegou de São Paulo; a resposta só vem no capítulo L. O narrador conta que os versos de Dutra valiam mais que os seus e que, cada vez que ele os publicava e vinha esperar um elogio, falava de tudo menos deles. Brás declara o propósito: queria fazê-lo duvidar de si mesmo e desanimá-lo até eliminá-lo.

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Capítulo XLIX: A ponta do nariz

Resumo da seção

Brás Cubas deixa de lado a explicação do Doutor Pangloss e propõe que, como o faquir, cada homem contempla a ponta do próprio nariz, o que equilibra as sociedades. Prova-o com um chapeleiro mortificado pela loja do rival e conclui que as forças capitais são o amor, que multiplica a espécie, e o nariz, que a subordina ao indivíduo.

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