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Memórias Póstumas de Brás Cubas · Capítulos CI a CXVI

O muro, a solda e as folhas velhas

Capítulo CI: A revolução dálmata

Resumo da seção

Virgília conta a Brás Cubas, numa manhã de outubro, a viravolta política do marido, Lobo Neves. Brás diz que desta vez ela será baronesa, e o gesto de indiferença dela é desmentido por uma expressão de gosto e de esperança. Isso o faz lembrar o Conde B. V., da legação da Dalmácia, que a namorou três meses, e dizer que não sabe o que seria dele se uma revolução não tivesse derrubado o governo dálmata.

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Brás mede Virgília pela nobreza que ela ama e se pergunta se uma carta imperial a levaria à virtude, "por gratidão ao marido". O que ele confessa sem querer é o prazer com a desgraça alheia: o massacre da Dalmácia, que ele nomeia com um "suponhamos", só conta para ele como alívio do rival. Duas leituras cabem: a franqueza de quem, defunto, já não precisa agradar ao leitor, ou a zombaria de quem sabe que o mundo se indigna em público e se alegra em segredo.

eu abençoava interiormente essa tragédia, que me tirara uma pedrinha do sapato
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Capítulo CII: De repouso

Resumo da seção

Brás diz que o mesmo homem que se alegrou com a partida do conde praticou, tempos depois, uma ação grosseira, baixa, sem explicação possível, e recusa contá-la nesta página: o capítulo serve de pausa para o seu vexame.

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Capítulo CIII: Distração

Resumo da seção

Brás Cubas chega uma hora atrasado ao encontro e acha Dona Plácida aflita: Virgília esperou, chorou e jurou desprezá-lo, e a velha lhe pede que não desampare "Iaiá". Ele atribui o atraso a "simples distração", e três dias depois tudo está explicado, mas não perdoado. Virgília louva o marido e ameaça separar-se; quando ela vai sair, Brás a segura pela cintura e a faz ficar. Durante a cena, ele olha uma mosca que arrasta uma formiga presa ao seu pé, e ao querer separá-las vê a mosca fugir.

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Capítulo CIV: Era ele!

Resumo da seção

Reconciliados, e já passadas as três horas, Dona Plácida vê pela janela o marido de Iaiá e fecha a rótula. O terror de Virgília dura pouco: ela empurra Brás Cubas para a alcova, manda Plácida voltar à janela e, dominada a primeira emoção, recebe Lobo Neves. Ele diz que ia passando e viu Plácida à janela, a velha enche a sala de exclamações para disfarçar as tremuras, e Virgília põe o chapéu e sai com o marido.

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Capítulo CV: Equivalência das janelas

Resumo da seção

Dona Plácida fecha a porta e cai numa cadeira. Brás Cubas deixa a alcova e dá dois passos para a rua, dizendo que vai arrancar Virgília ao marido, e a velha o detém por um braço. Ele explica o gesto pela lei da equivalência das janelas, formulada no capítulo LI: a alcova foi uma janela fechada, e o gesto de sair abriu outra para arejar a consciência.

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Capítulo CVI: Jogo perigoso

Resumo da seção

Brás Cubas respira, senta-se e pondera se teria sido melhor trancar Virgília na alcova; conclui que seria pior, e se pergunta o que se passa na casa dela. Dona Plácida se oferece para ir à casa de Lobo Neves e promete não entrar se ele estiver lá. Sozinho, Brás acha que joga um jogo perigoso, sente saudade do casamento e se imagina casado, com uma mulher adorável e um bebê no regaço da ama, numa chácara sombria e verde.

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Capítulo CVII: Bilhete

Resumo da seção

O capítulo é só o texto de um bilhete, que Brás Cubas lê e que o capítulo CIX chama de "o bilhete de Virgília": nada aconteceu, mas o marido suspeita, está sério e calado, sorriu uma vez, para Nhonhô, depois de fitá-lo muito tempo, carrancudo, e não a tratou nem mal nem bem.

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Capítulo CVIII: Que se não entende

Resumo da seção

Brás Cubas chama o bilhete de documento de análise e recusa analisá-lo, deixando ao leitor notar a frieza, a perspicácia e a raiva dissimulada que há por trás das linhas. Conta que o leu três ou quatro vezes naquele dia e de novo no seguinte, e que não sabe dizer o que sentiu: medo e não medo, dó e não dó, vaidade e não vaidade, amor sem delírio.

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Capítulo CIX: O filósofo

Resumo da seção

Depois de reler o bilhete, Brás Cubas almoça pouco, e diz que se lembra desse almoço mínimo não por causa do desastre, mas pela reflexão que lhe fez Quincas Borba, que o visitou naquele dia: a frugalidade não é necessária ao Humanitismo, que se acomoda com mesa, espetáculo e amores, e pode indicar tendência ao ascetismo, "tolice humana". Brás não conta a história que o filósofo lhe narra e só diz que ele está de sobrecasaca e botas de verniz, herdeiro de um tio de Barbacena. Com o espírito feito peteca entre a narração, o bilhete e o Passeio Público, pede que a exposição fique para depois, e ouve o convite ao Humanitismo como despedida.

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Capítulo CX: 31

Resumo da seção

Uma semana depois, Lobo Neves é nomeado presidente de província. Brás Cubas esperava a recusa se o decreto viesse de novo datado de 13, número que o marido de Virgília, segundo ela, tinha por fatídico (capítulo LXXXIII); mas o decreto traz a data de 31, e a transposição dos algarismos tira deles a substância diabólica.

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Capítulo CXI: O muro

Resumo da seção

Quando Lobo Neves e Virgília estão para embarcar, Brás Cubas encontra na casa de Dona Plácida um bilhete que diz esperá-lo à noite na chácara e termina: "O muro é baixo do lado do beco". Acha o bilhete ridículo e decide ir por amor-próprio, pelo vexame da fuga e pela ideia do medo. Plácida responde que Virgília não lhe disse nada e que achou o papel na gaveta dele: era um bilhete antigo, do começo dos amores.

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Capítulo CXII: A opinião

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Poucas horas depois do muro, Brás Cubas encontra Lobo Neves na Rua do Ouvidor, falam da presidência e da política, e o outro o deixa depois de muitos cumprimentos. Brás julga que ele tem medo da opinião, e não de Brás, da consciência ou do código: ela impede a separação e também a vingança, que seria a divulgação, e o obriga a simular a ignorância de antes. Brás imagina então que o tempo calejará a sensibilidade e a vida se fechará sem nenhuma página de sangue.

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Capítulo CXIII: A solda

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Brás Cubas conclui que a opinião é uma boa solda das instituições domésticas e da ordem política, talvez desenvolva o pensamento antes do fim do livro, talvez o deixe como está. Contra os metafísicos biliosos que a tomam por produto da gente chocha ou medíocre, diz que seus efeitos salutares provam que ela é obra do maior número.

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Capítulo CXIV: Fim de um diálogo

Resumo da seção

Num diálogo sem narração, em que só a última fala de Brás nomeia Virgília, Virgília e Brás Cubas se despedem na véspera do embarque, diante de gente que os olha. Ela pergunta se ele irá a bordo, ele responde que é impossível; ela pede que não se esqueça de Dona Plácida e diz que as cartas virão por ela. Ele pergunta se serão dois anos, e ela responde que o marido diz que é só até as eleições. Brás manda que se separem porque estão sendo olhados, e ela diz que lhe custa muito.

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Capítulo CXV: O almoço

Resumo da seção

Brás Cubas não vê Virgília partir, mas à hora marcada sente alívio e saudade em iguais doses. Pede ao leitor que não se irrite: o romanesco seria sofrer e não almoçar, mas o biográfico é ter almoçado, como nos outros dias, com os acepipes de M. Prudhon, cozinheiro do Hotel Pharoux. Lembra o mestre e o tempo da polca, do Tivoli e do Cassino, e, sozinho à ponta da mesa, com quarenta e tantos anos, diz que era preciso enterrar magnificamente os amores.

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Capítulo CXVI: Filosofia das folhas velhas

Resumo da seção

Triste com o fim do capítulo anterior, Brás Cubas diz que esteve capaz de não escrever este, mas não quer perder tempo. Conta que a partida de Virgília lhe deu uma amostra da viuvez: nos primeiros dias ficou em casa, a fisgar moscas com os olhos na rede, entre saudades e devaneio. Nesse intervalo morreram o tio cônego e dois primos, e ele os levou ao cemitério como quem leva cartas ao correio; nasceu a sobrinha Venância, filha de Cotrim. Outras vezes relia as cartas antigas, até as de Marcela, e recomendava ao leitor que guardasse as da juventude para conhecer a filosofia das folhas velhas.

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