Quem é
O inquilino é o moço que aluga o mezanino da casa da avó e por quem Nástienka espera há um ano. Não tem nome, quase não fala e só aparece em pessoa por alguns segundos, no fim da Quarta Noite. Tudo o que se sabe dele vem da história de Nástienka, na Segunda Noite, contado por ela: um moço de fora, de passagem pela cidade, que não pechincha o aluguel, empresta livros, leva a avó e a neta à ópera e, ao partir para Moscou, promete voltar em um ano. É pobre e sem posição, como ele mesmo diz. O que quer, pelo que o texto deixa ver, é casar com Nástienka quando puder; o que teme é prendê-la a uma promessa que talvez não cumpra.
Trajetória
Na história de Nástienka, na Segunda Noite, chega depois da morte do velho inquilino. Numa manhã vem falar do papel de parede, vê Nástienka presa ao vestido da avó arrastar a poltrona e chorar de vergonha, e, percebendo que a envergonhou, se despede e sai. Duas semanas depois oferece livros franceses por meio de Fiekla, depois Púchkin; na escada pergunta do que ela gostou e, numa segunda vez, se não se aborrece ao lado da avó, e propõe levá-la ao teatro sem a avó saber. Ela recusa, e na mesma tarde ele oferece à avó um camarote para a ópera (O Barbeiro de Sevilha): Nástienka entende que de manhã ele a pôs à prova. Depois quase some, aparecendo uma vez por mês para convidá-las à ópera, e, acabada a temporada, só a cumprimenta em silêncio. Em maio anuncia que vai passar um ano em Moscou. Na véspera da partida, Nástienka sobe ao quarto dele com uma trouxa; ele a toma por uma aparição, diz que é pobre e não teria como sustentá-la, e por fim, também em lágrimas, promete:
Но, повторяю, если через год это не сделается, то хоть когда-нибудь непременно будет; разумеется — в том случае, если вы не предпочтете мне другого, потому что связывать вас каким-нибудь словом я не могу и не смею., Mas, repito, se em um ano isso não acontecer, um dia há de acontecer, sem falta; é claro, no caso de a senhora não preferir outro a mim, porque prendê-la com alguma palavra eu não posso nem ouso.
Foi ele quem quis que nada se dissesse à avó. Na mesma noite, no banco do cais, às dez, diz que virá vê-la logo que voltar. O ano passa, ele está na cidade há três dias e não aparece, e é para ele a carta (A carta) que o Sonhador leva aos conhecidos de Nástienka.
Na Terceira Noite, ausente, ele é o assunto da noite. Nástienka o descreve como sério e meio orgulhoso, diz que o teme e o respeita demais, e o compara ao Sonhador:
Зачем он — не вы? Зачем он не такой, как вы? Он хуже вас, хоть я и люблю его больше вас., Por que ele não é o senhor? Por que ele não é como o senhor? Ele é pior que o senhor, embora eu o ame mais que ao senhor.
Na Quarta Noite, depois de três dias sem resposta, passa pelo cais, para, olha os dois, dá alguns passos e chama Nástienka pelo nome; ela corre para ele e o leva pela mão. Na Manhã, a carta dela diz que ele voltou apaixonado, que nunca a esqueceu e que os dois se casam na semana seguinte.
Temas que encarna
O inquilino é o único personagem que decide o livro sem que se ouça a sua voz em cena: tudo o que ele diz chega citado por Nástienka, e quando enfim aparece, na Quarta Noite, diz apenas o nome dela. Para o Sonhador ele é a vida real que chega pela rua, sem pedir licença ao devaneio, e a diferença entre os dois é que ele vai embora, resolve os negócios e volta.
O que ele oferece na história de Nástienka, na Segunda Noite é uma promessa que não prende, e é com esse argumento, o de que o compromisso é dele e a liberdade é dela, que o Sonhador convence Nástienka a escrever. Ao defender o rival como homem delicado, o Sonhador trabalha para trazê-lo de volta.
Leituras divergentes
Por um lado, ele é delicado do começo ao fim: sai ao ver a vergonha dela, não a leva ao teatro às escondidas, recusa prender a moça à sua pobreza e volta, como prometeu, apaixonado. Por outro, é prudente a ponto de ser frio: cumprimenta em silêncio durante meses, pede que nada se diga à avó, fica três dias na cidade sem aparecer e não responde à carta, e Nástienka chega a dizer, na Quarta Noite, que ele zombou dela.
O livro não explica os três dias de silêncio, e o narrador, que o vê só de relance, não tem como explicar. A carta da Manhã dá a versão dela, a de quem voltou apaixonado, e o leitor fica com a versão dela porque é a única.
Relações
- Nástienka: a moça que ele aproxima com livros e com a ópera, a quem promete voltar (história de Nástienka, na Segunda Noite) e com quem se casa (Manhã).
- A avó: a senhoria que o aceita porque ele não pechincha e que ele leva ao Barbeiro de Sevilha (história de Nástienka, na Segunda Noite).
- O Sonhador: o rival que ele não conhece, que leva a carta que o chama de volta (Segunda Noite) e que o vê chegar na Quarta Noite.