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Noites Brancas

Enredo

A novela inteira, do começo ao fim. Para o resumo e a análise de cada parte, abra as noites.

Em São Petersburgo, no começo do verão, quando a cidade se esvazia rumo às casas de campo, um homem de vinte e seis anos, sem nome, que vive há oito anos na capital sem um conhecido, encontra numa noite uma moça que chora num cais. A história é movida pela espera dela, que aguarda há um ano a volta de um inquilino, e pelo amor dele, que nasce contra a condição que ela impôs. O arco vai do encontro no cais à carta da manhã, passando pelas duas confissões da segunda noite, pela espera da terceira e pela declaração da quarta, interrompida pela chegada do outro.

Primeira Noite: o encontro

O Sonhador passa três dias angustiado sem saber por quê, até entender que a cidade inteira parte para as casas de campo e ninguém o convidou; conhece Petersburgo pelos rostos que cruza todo dia, como o de um velhinho da Fontanka com quem quase troca cumprimentos, e pelas casas, que lhe falam ao passar. Caminha até a barreira da cidade, passa a cancela e anda pelos campos, feliz como nunca, e volta depois das dez pelo cais de um canal, onde vê uma moça chorando encostada à grade; quer falar, mas a palavra que lhe vem é de romance, e ele se cala. Quando um senhor de fraque, bêbado, corre atrás dela, ele a alcança com a bengala nodosa que leva na mão, e o bêbado fica para trás. Oferece-lhe o braço, confessa que é tímido, que nunca conheceu mulher nenhuma e que só se apaixonou por ideais, e pede para voltar ao mesmo lugar no dia seguinte, para lembrar. Ela aceita, porque precisa estar ali às dez por razões dela, com uma condição: que ele não se apaixone. Ele não consegue voltar para casa e anda a noite inteira (Primeira Noite).

Segunda Noite: o sonhador e a história de Nástienka

A moça chega rindo e pede que ele conte a sua história; ele diz que não tem história, que viveu completamente só, e ela conta de passagem que vive presa ao vestido da avó cega por um alfinete. Só então diz o nome, Nástienka. O Sonhador assume uma pose de livro e descreve, em terceira pessoa, o sonhador de Petersburgo: o homem que se gruda ao seu canto como um caracol, a quem a deusa fantasia tece todo fim de tarde uma vida inventada, que vive amores, viagens e batalhas sem sair do quarto. Espera que ela ria; ela não ri, e ele fala sem pose dos anos perdidos e se pergunta, ao rever os lugares de um ano antes, se viveu. Ela promete que ficarão juntos, aconteça o que acontecer, e pede em troca um conselho de irmão (Segunda Noite). Órfã, Nástienka foi criada pela avó, que a prendeu ao vestido depois de uma travessura. Quando o velho inquilino do mezanino morreu, chegou um moço que lhe emprestou livros, levou avó e neta ao Barbeiro de Sevilha e depois quase sumiu; um ano antes, na véspera da partida dele para Moscou, ela subiu ao quarto dele com uma trouxa, e ele prometeu voltar e casar com ela se pudesse, sem prendê-la a palavra nenhuma. O ano passou, ele está na cidade há três dias e não apareceu. O Sonhador propõe uma carta, dita-a inteira em nome dela e descobre que ela já tinha uma, escrita e lacrada, como Rosina na ópera; aceita levá-la aos conhecidos que a farão chegar ao inquilino e trazer a resposta às dez (história de Nástienka, na Segunda Noite).

Terceira Noite: a espera

O Sonhador escreve num dia de chuva em que os dois não se veem e conta o terceiro encontro. Nástienka chegou uma hora antes, certa de que o inquilino viria; a alegria a tornou terna, e ele tomou a ternura por moeda verdadeira. Ela disse que gosta dele porque ele não se apaixonou; ele, ferido, fez com que ela contasse as badaladas das onze, arrependeu-se e passou a consolá-la com argumentos que o encantavam. Ela comparou os dois homens, disse que o outro é pior e que o ama mais, e chegou a dizer que ele parecia sacrificar alguma coisa por ela; despediu-se perguntando se agora estavam juntos para sempre. No dia da escrita, ele vai ao banco às nove, vai até a travessa dela e volta com vergonha; não houve carta, e ele conclui que os dois já estão juntos (Terceira Noite).

Quarta Noite: a declaração e o inquilino

Nástienka o espera na mesma posição da primeira noite. Não há carta; ela chora, revolta-se contra três dias de silêncio, procura desculpas para o outro e diz que vai esquecê-lo. Quando pergunta ao Sonhador se ele abandonaria uma moça que viesse a ele por conta própria, ele declara o amor, chamando-o de impossível, e oferece um amor que não exige ser preferido. Ela se pergunta se o amor pelo inquilino não foi ilusão da imaginação, nascida da vigilância da avó, e oferece a sua mão. Os dois fazem planos: ele alugará o mezanino delas e será o inquilino dela, levarão a avó, Matriona e Fiekla viverão juntas; ela recusa rindo a ida ao Barbeiro de Sevilha. Um moço passa, para e chama Nástienka pelo nome: é o inquilino. Ela corre para ele, volta para beijar o Sonhador e vai embora levando o outro pela mão (Quarta Noite).

A Manhã: a carta

As noites acabam numa manhã de chuva, e o Sonhador está com febre. Matriona lhe traz uma carta de Nástienka, que pede perdão, diz que o ama, que queria poder amar os dois, e anuncia o casamento na semana seguinte, pedindo que ele seja para sempre amigo e irmão dela. Matriona conta que tirou a teia do teto. O Sonhador vê a criada, o quarto e a casa da frente envelhecerem de repente, imagina-se daqui a quinze anos no mesmo quarto, sozinho, com a mesma Matriona, e em vez de acusar Nástienka a abençoa pelo minuto de felicidade que lhe deu, perguntando se um minuto assim é pouco para uma vida inteira (Manhã).

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