Hippolit Tieriêntiev é o jovem tísico de O Idiota, de dezessete ou dezoito anos, com poucas semanas de vida, que lê aos convidados do príncipe a Explicação, o texto em que decide se matar ao nascer do sol, e cuja pistola, sem cápsula, não dispara.
Aparece na Segunda Parte, no grupo de Burdóvski, que exige dinheiro do príncipe, e fica para uma última conversa: convida todos ao seu enterro, chora no colo da generala e, envergonhado de ter chorado, grita ao príncipe que o odeia mais do que a todos. Na Explicação, diante do quadro de Holbein, vê a natureza como "uma máquina gigantesca, de fabricação moderníssima" e diz da mosca no raio de sol que ela "conhece o seu lugar, ama-o e é feliz, e só eu sou um aborto".
Depois do tiro falho, é desonrado pelo riso dos convidados e desmaia. Na Quarta Parte, vive na casa de Ptítzin, tenta atormentar Gánia e é ele quem conta ao príncipe que Nastácia virá receber Aglaia. Morre duas semanas depois de Nastácia.
Há duas leituras do tiro: Hippolit esqueceu a cápsula de propósito, para ser detido e admirado, ou esqueceu de fato, e o livro o castiga com o riso. O príncipe reconhece nele o próprio choro na Suíça, diante do lago e das montanhas, quando se sentiu excluído da festa do mundo, e a diferença entre os dois não está na experiência, está no que cada um fez dela.