Primeira Parte: O pai dos demônios
O cronista só descobre agora que Stiepan Trofímovitch nunca esteve exilado nem sob vigilância, e Stiepan acreditou nisso por vinte anos. O que ele perderia se a autoridade lhe provasse que não se interessa por ele?
Varvara Pietrovna inventou Stiepan Trofímovitch e foi a primeira a acreditar na invenção, mas exige dele servidão e guarda cada carta numa caixinha. O que significa, para ela, uma invenção que um dia pode deixar de lhe obedecer?
Chátov diz que quem perde o povo perde a fé, e Stiepan responde que crê num ser que toma consciência de si dentro dele. Onde cada um coloca o lugar de Deus, e por que a divergência vira briga?
O cronista descreve o rosto de Nikolai Vsievolódovitch como belo demais e, ao mesmo tempo, repugnante, como uma máscara. O que cada pessoa da cidade quer ver atrás dele?
O clube, o governador e a mãe preferem a explicação da febre a admitir que Nikolai agiu lúcido, e Lipútin diz que fingiu acreditar nela. Quem ganha, em cada caso, com o diagnóstico?
Varvara Pietrovna diz a Stiepan Trofímovitch que só se casam as moças e que ele casa por conta própria, e a Dária Pávlovna que tudo depende da vontade dela. Que parte do ato de cada um lhe pertence quando o preço, a data e o par já estão decididos?
Primeira Parte: Os fios se atam
Stiepan Trofímovitch diz que não pode casar com «pecados alheios», e o cronista responde que a ideia é baixa. O que a suspeita lhe poupa, e o que lhe custa?
Kiríllov afirma que quem vencer a dor e o medo será deus, e que procura saber por que ninguém se mata «por razão». Que diferença ele vê entre quem se mata de tristeza e quem se mataria por razão?
Mária Timofêievna diz que chora mais por ter dado à luz sem conhecer o marido do que pela perda do filho, e que mesmo assim não deixa de chorar quando lhe perguntam se houve filho. O que a pergunta de Chátov tira dela, e o que lhe deixa?
Liza exige ver Mária Timofêievna com os próprios olhos e ameaça ir sozinha, e depois exige acompanhar Varvara Pietrovna, ameaçando correr atrás da carruagem. O que ela quer ver, e por que não pode perguntar?
Primeira Parte: A bofetada
Varvara Pietrovna pergunta a Nikolai Vsievolódovitch, diante de todos, se Mária Timofêievna é sua mulher, e ele beija a mão da mãe sem responder e depois diz a Mária que é um estranho, nem marido, nem pai, nem noivo. O que cada um dos dois gestos confirma e o que deixa em aberto?
Piotr Stiepánovitch conta a história de Petersburgo antes que Nikolai Vsievolódovitch volte, o capitão a confirma ponto por ponto, e Varvara Pietrovna a adota. O que cada um dos três ganha com essa versão, e o que perde se ela for desmentida?
Chátov fica cinco segundos diante de Nikolai Vsievolódovitch e bate com o punho; Nikolai Vsievolódovitch agarra-lhe os ombros, solta-os e cruza as mãos atrás das costas. Que diferença o cronista vê entre o que Nikolai Vsievolódovitch poderia ter feito e o que fez, e o que ele próprio diz não saber?
Segunda Parte: A noite dos credores
Kiríllov diz que ama a vida e que decidiu se matar, e que uma coisa não contradiz a outra. O que, na fala dele, separa a vida que ele ama da morte que escolhe?
Piotr conta a Stavróguin, com franqueza calculada, o papel que escolheu para si. Por que revelar o disfarce justamente a quem quer atrair, e o que Stavróguin ganha em saber?
Chátov diz que repete palavras de Stavróguin, e Stavróguin responde que ele as reelaborou sem perceber. Se a ideia é dos dois, de quem é a responsabilidade pelo que Chátov faz com ela?
Mária Timofêievna acusa Stavróguin de impostor depois de dizer que, desde o domingo, o viu envergonhado. Ela tem razão sobre ele, ou apenas sobre o homem que inventou?
Fiedka nunca pronuncia a palavra matar nos dois encontros. Por que o pedido funciona melhor sem ser dito, para quem faz e para quem ouve?
Stavróguin atira para o alto duas vezes e ainda assim ofende Gagánov mais do que se tivesse atirado a sério. O que isso revela sobre a diferença entre poupar alguém e respeitá-lo?
Kiríllov diz que Stavróguin procura fardos e que, sem carregá-los, não há mérito. Que fardo Stavróguin procurou neste dia, e qual deixou de carregar?
Dária Pávlovna aceita de antemão o que Stavróguin pode vir a ser, e ele a avisa de que a arruinará. O que torna a escolha dela diferente da de Fiedka, que também espera um sinal dele?
Segunda Parte: A cidade à espera
A cidade que condenava Stavróguin passa a admirá-lo depois de uma frase de Yúlia Mikháilovna sobre o servo. O que a rapidez da mudança diz da sociedade e do que ela precisa acreditar dele?
Piotr humilha o pai com cartas que diz ter lido a Varvara Pietrovna e com a dúvida sobre a paternidade. O que ele ganha ao quebrar o pai agora, e por que justamente neste momento?
Lembke diz a Piotr que governo e revolucionários se necessitam, como os liberais e os conservadores ingleses, e só diferem no prazo. Em que ponto essa fórmula o protege, e em que ponto Piotr a usa contra ele?
A cidade ri do sacrilégio contra o ícone e ninguém se ofende de verdade; só uma mulher se ajoelha na rua suja. O que a cena diz sobre a distância entre rir de uma crença e não ter mais nenhuma?
Liza manda Mavríkii Nikoláievitch se ajoelhar e, assim que ele obedece, o arranca do chão. O que, no que ela pediu, ela não suportou ver?
Varvara Pietrovna e Stiepan Trofímovitch trocam acusações de vinte anos e usam, ambos, palavras que vieram de outros. Que palavras são de cada um, e o que sobra quando as alheias são tiradas?
Piotr diz a Lembke que o movimento cabe em três homens e meio, sete no máximo, e ao mesmo tempo lhe pede seis dias de silêncio. O que cada versão do tamanho da conspiração serve a Piotr, e a quem ele a conta?
Kiríllov diz que não há acordo e que o querer é só dele, e Piotr conta com a sua morte. O que impede a promessa de ser um acordo, e o que a faz funcionar como se fosse?
Stavróguin sugere a Piotr, rindo, que o jeito de prender um grupo é fazer quatro matarem o quinto, e Piotr pensa que ele terá de pagar por dizê-lo. Por que um gracejo é tomado como dívida?
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv
Chigalióv diz que o sistema parte da liberdade ilimitada e termina no despotismo ilimitado, e que nenhuma outra solução é possível. Em que passo do raciocínio, como o professor coxo o resume, a igualdade de todos passa a exigir que um décimo mande nos outros nove?
Todos respondem que não denunciariam, menos Chátov, que sai sem responder, e o professor lembra que Piotr, que fez a pergunta, também não a respondeu. O que a resposta de cada um custa a quem a dá e a quem a nega?
Piotr diz que o chefe nunca precisa aparecer, que basta se ocultar e deixar que os outros digam tê-lo visto. Por que um chefe que não se mostra serve melhor a Piotr do que um que dá ordens?
Em poucos minutos Piotr exalta o sistema de Chigalióv como obra de gênio e o dispensa como coisa de ourives. O que conserva dele, e o que descarta?
Com Tíkhon: A confissão suprimida
Tíkhon diz que não há crime maior do que o ato de Stavróguin com a adolescente e diz também que muita gente comete o mesmo e vive em paz com a consciência. O que, para ele, torna o caso de Stavróguin diferente do dos outros?
Stavróguin diz que prefere o ódio de todos à pena geral, e Tíkhon lhe pergunta se ele suportaria a pena com a mesma humildade. Por que o ódio lhe parece mais fácil de suportar do que a compaixão?
Tíkhon propõe, no lugar da publicação, anos de obediência secreta a um velho eremita, e Stavróguin recusa. O que cada um dos dois vê nessa penitência: libertação do orgulho, ou outro modo de ser visto sem aparecer?
Segunda Parte: A cidade em desordem
Stiepan diz que teme menos a Sibéria que o vexame, e que mesmo solto estaria perdido porque Varvara Pietrovna suspeitaria dele a vida inteira. O que ele teme que ela pense, e por que a absolvição lhe parece pior que o castigo?
Lembke grita "De joelhos!" e "Varas!" sem saber, segundo o cronista, que vai gritar. O que, na noite anterior e naquela manhã, o leva a esse ponto?
Liza pergunta em voz alta a Stavróguin sobre o capitão Lebiádkin, e ele responde diante de todos que é marido da irmã dele. O que ela espera da pergunta, e o que consegue?
Terceira Parte: A festa e o incêndio
A plateia vaia Karmazínov, ri dos versos de Lebiádkin e aplaude o professor que desonra a Rússia. O que cada reação mostra do que ela esperava da matinê?
O cronista avisa Stiepan Trofímovitch de que tudo se perdeu, e ele sobe ao estrado mesmo assim. O que ele espera obter de uma sala que acabou de expulsar Karmazínov?
Yúlia Mikháilovna rejeita o meio-termo do comitê e escolhe o extremo, e a cidade passa a esperar um banquete que ninguém prometeu. Que parte do que acontece na matinê já estava decidida pelo programa?
Yúlia Mikháilovna chama de conspiração o que Piotr Stiepánovitch dissolve apontando só Lipútin. Qual das duas explicações o texto deixa mais difícil de manter depois do incêndio?
Piotr Stiepánovitch conta a fuga de Lizavieta Nikoláievna como se todos já a soubessem. O que o cronista nota nesse modo de contar, e a quem a notícia serve?
Lembke grita que o incêndio está nas mentes e minutos depois arrisca-se por uma velha e uma colcha. O que cada um dos dois gestos mostra do que ele entendeu da noite?
Stavróguin diz que não matou, que era contra, que sabia e não deteve os assassinos; o cronista escreve que a mão que derrubou Lizavieta Nikoláievna foi "de alguém" no meio de gente que não sabia o que fazia. Que diferença o texto põe entre saber e não impedir, e agir sem ter decidido?
Piotr Stiepánovitch diz que os quintetos são mau sustentáculo e que é preciso uma vontade de ídolo, apoiada em algo que esteja fora, e a procura em Stavróguin. O que ele espera de Stavróguin que os quintetos não podem dar a si mesmos?
A Lizavieta Nikoláievna Piotr Stiepánovitch contou a história da ladja; a Stavróguin, a do dinheiro de Lebiádkin. Em que cada uma das duas histórias se ajusta a quem a ouve?
Terceira Parte: A última decisão
Piotr Stiepánovitch tem certeza de uma denúncia que nunca viu. Que tipo de certeza é essa, e o que ele ganha em tratá-la como fato?
Chigalióv repete o programa de Piotr e pergunta do que o acusam, e Piotr responde "por conta própria". O que Piotr censura, exatamente, e o que isso diz sobre quem pode acender o fogo?
Fiedka cobra de Piotr Stiepánovitch o dinheiro e a fé, e Lipútin cobra explicações e depois o segue. O que distingue a cobrança de um e a do outro?
Marie chega dizendo que não vem se arrepender e que não quer pena. Quais gestos dela mostram que precisa de Chátov, e quais mostram que não aceitará que ele o perceba?
Erkel entra com a mensagem de que Chátov está dispensado da sociedade para sempre. O que Chátov entende dessa frase, e o que o impede de ler outra coisa?
Kiríllov dá a Chátov chá, pão, vitela e rublos enquanto fala de uma humanidade que deveria deixar de gerar. O que o gesto e a tese têm em comum, e onde divergem?
Virguinski diz que Chátov, feliz, não denunciará, e Piotr Stiepánovitch lhe responde com o que Virguinski diria de si mesmo. Quem, nessa troca, decidiu que Chátov devia morrer?
Kiríllov formula a doutrina do suicídio com frieza de sistema, e a cena da morte mostra riso, esconderijo e mordida. Se o romance quisesse validar a doutrina, por que mostrar o corpo desmentindo a ideia justo na hora de prová-la?
Chigalióv recusa o assassinato e vai embora, Lipútin pergunta se a rede existe e fica. O que cada saída mostra do que prendia cada um ao grupo?
Terceira Parte: A última errância
Stiepan Trofímovitch diz ter mentido a vida inteira e, no mesmo fôlego, celebra o Grande Pensamento. Na confissão, o que mudou nele e o que ficou igual?
Stiepan Trofímovitch decifra a epígrafe e se inclui entre os porcos, ao lado do filho. O que o leva a pôr "Pietrucha" na lista, e o que o impede de pôr-se à parte?
Varvara Pietrovna chama o amigo de "vazio" e, depois, expulsa Sófia Matvêievna do quarto e cuida dele sozinha até o fim. O que muda entre o interrogatório e o cuidado?
Piotr Stiepánovitch parte de trem para Petersburgo e o cronista registra que, três meses depois, há quem o chame de gênio. O que o romance faz com o único dos principais que sai de cena sem pagar o que fez?
Stavróguin escreve que nunca poderia atirar em si mesmo e que teme o suicídio como último engano, e é achado enforcado, com tudo preparado de antemão. O que a carta e o ato dizem um do outro?
Marie vê Kiríllov morto e conclui que o marido também o foi; Lipútin foge e se perde na bebida; Liámchin confessa tudo. O que, no desmanche do grupo, vem de dentro, e o que vem de fora?
A obra inteira
Piotr Stiepánovitch não crê em nenhuma das doutrinas que usa: admite a Stavróguin que o inventou no estrangeiro e administra o tamanho da conspiração que cada ouvinte precisa crer. O livro é uma crítica ao niilismo ou ao oportunismo que se veste dele?
O primeiro capítulo põe o liberal idealista dos anos 1840 como pai do conspirador, e Stiepan Trofímovitch, perto da morte, inclui «Pietrucha» entre os porcos. A filiação é demonstrada pelo romance ou apenas afirmada no começo e ilustrada depois?
O cronista é morador da cidade, escreve depois do desastre, dá duas redações à frase de Varvara que nunca esquecerá e narra cenas que não viu. Por que Dostoiévski precisa de um narrador que reconstrói de memória alheia, e não de um onisciente?
Chátov diz repetir as palavras de Stavróguin, e Stavróguin responde que ele as reelaborou sem perceber. Se a ideia é dos dois, de quem é a responsabilidade pelo que Chátov, e Kiríllov, fazem com ela?
Kiríllov formula o suicídio como ato racional e morre rindo, escondido num canto e mordendo, e Stavróguin morre sem doutrina nenhuma e com tudo preparado de antemão. O que o romance faz ao pôr o frenesi na morte de quem proclama a razão e a premeditação na morte de quem não proclama nada?
Stavróguin, que diz a Tíkhon e a Dária Pávlovna que está em pleno juízo, é achado enforcado, e os médicos rejeitam a loucura. O Evangelho dá o «são juízo» ao homem curado: Stavróguin é o possesso que não se cura ou o portador que nunca adoeceu?
Piotr Stiepánovitch parte de trem, e três meses depois há quem o chame de gênio, enquanto morrem Chátov, Kiríllov, Lizavieta Nikoláievna, Stiepan e Stavróguin. O que o romance faz com o único dos principais que sai de cena sem pagar?
Tíkhon lhe propõe uma obediência longa e secreta no lugar da publicação, e Stavróguin recusa; no mesmo dia, diante da mãe e da cidade, declara o casamento. Lido no lugar em que o autor queria o capítulo, o que muda na recusa do papel de Ivan Czariêvitch e no gesto do salão?