Resumo da parte
Em poucas horas da mesma manhã, a autoridade da cidade perde o chão de três lados. A Stiepan Trofímovitch, que não fez nada, a polícia leva os papéis, e ele se convence de que será levado a Petersburgo e açoitado. Ao governador, setenta operários que só querem ser ouvidos parecem uma revolta, e ele manda que tirem os gorros, que se ajoelhem e que tragam as varas, antes de saber que o fará. E no salão da governadora, onde tudo isso volta como conversa de sala, a única frase dita sem rodeios é a de Stavróguin, que, perguntado por Liza diante da mãe e de uma plateia inteira, declara que é marido da irmã do capitão Lebiádkin. Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski quase não aparece nos dois capítulos, e a cidade se desfaz quase sozinha, sem que ele precise da força que a conspiração ainda não tem. A questão que atravessa os capítulos é o que sustenta uma autoridade quando ela deixa de convencer: o medo de um velho, a vaidade de um governador, a lisonja de um salão.
Capítulo IX: A revista na casa de Stiepan Trofímovitch
Resumo do capítulo
Às oito da manhã a criada Nastácia corre à casa do cronista com a notícia de que o patrão foi "inventariado": funcionários vieram, levaram os papéis, e um soldado os carregou num carrinho de mão. O cronista vai a Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski e o encontra transtornado e, ao mesmo tempo, com ar de triunfo: de colete e sobrecasaca, o que nunca faz diante dos íntimos, o chá intocado na mesa. Em francês e aos arrancos, Stiepan conta que às sete da manhã um funcionário do governador, Blum, pediu-lhe que o deixasse "dar uma olhada" em seus livros e manuscritos; ele abriu todas as gavetas e entregou todas as chaves, digno e calmo, e Blum levou as edições estrangeiras de Herzen, um exemplar encadernado do "Colokol", quatro cópias do poema dele, cartas e esboços. Blum lhe ofereceu o procedimento e as garantias de praxe, com a presença do procurador, e Stiepan recusou para evitar escândalo; o funcionário, que só vinha "olhar", concordou: se nada achassem, nada haveria. Terminaram, diz, "en amis". Stiepan, que nunca fez nada, se convence de que a revista vem de um telegrama de Petersburgo e de que será levado e açoitado; mais que a prisão, teme que Varvara Pietrovna passe a vida suspeitando dele. Manda acender uma lamparina diante do ícone para parecer devoto e, depois de vinte minutos deitado, decide ir ao governador exigir os seus direitos, com o cronista a seu lado.
Análise
O cronista o faz deitar-se com um pano molhado em vinagre na cabeça, e a criada sobe numa cadeira para acender a lamparina diante do ícone, que antes nunca estivera ali. Stiepan explica a lamparina, olhando-o com astúcia:
Это я давеча распорядился, только что те ушли, — пробормотал Степан Трофимович, хитро посмотрев на меня, — quand on a de ces choses-là dans sa chambre et qu’on vient vous arrêter, то это внушает, и должны же они доложить, что видели
, isso eu mandei fazer há pouco, assim que eles saíram, murmurou Stiepan Trofímovitch, olhando-me com astúcia, quand on a de ces choses-là dans sa chambre et qu'on vient vous arrêter, isso impõe, e eles terão de informar que viram.
Assinatura
A análise completa de cada parte de Os Demônios está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo X: Os flibusteiros
Resumo do capítulo
Uma hora antes de Stiepan e o cronista saírem, setenta operários da fábrica Chpigúlin, o cronista não sabe se eleitos ou só os mais lesados, passam em ordem e quase calados rumo à casa do governador. Diz-se que o gerente, ao fechar a fábrica, lesou a todos no acerto, o que ele dá por certo; outros falam de motim e de panfletos, e ele tem por improvável que os operários tenham lido proclamações, e mais ainda que as tenham entendido. Lembra que o povo russo sempre gostou de falar com "o próprio general" e acha natural que homens a quem a polícia recusou ouvir quisessem se postar diante do governador, tirar o gorro e cair de joelhos. Admite que Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski, Lipútin e talvez Fiedka tenham falado antes com dois, três, cinco deles, sem resultado; o incêndio da cidade, três dias depois, contará com dois operários ao lado de Fiedka.
Na praça, os operários se alinham em silêncio, e a polícia manda dispersar; eles respondem que vão ao "próprio general" e não saem do lugar. O chefe de polícia, Iliá Ilitch, prefere esperar o governador, que não está, e manda um comissário chamá-lo em Skvoriéchniki. O cronista desmente os boatos que correram depois (soldados com baionetas, artilharia, bombas de incêndio que teriam molhado o povo) e propõe uma explicação para o resto: Iliá Ilitch, compadre do gerente, preferiu apresentar a multidão como motim para evitar o exame do caso, e foi o próprio Lembke quem lhe deu a ideia em duas conversas dos dias anteriores, em que se mostrara fixado em proclamações e na instigação dos operários.
Para entender Lembke, o cronista volta à noite anterior, que soube em parte da própria Yúlia Mikháilovna von Lembke. Às três da madrugada, Andrei Antónovitch von Lembke acordou a mulher para ouvir o seu "ultimatum": anda de um lado a outro e despeja tudo o que ferve, sem ordem. Diz que riem dele e o fazem de bobo, que foi ela quem o tirou do estado em que vivia, que aceitou o cargo para a ambição dela, e que dois centros de poder, o dele e o do budoar dela, não podem existir. Diz que a vida a dois foi ela lhe provar a toda hora que era nulo e ele lhe provar que não era. Chora, deixa escapar que tem ciúme de Piotr e, furioso, jura que não permitirá que se negue Deus, que acabará com o salão sem fé, que expulsará a primeira governanta que achar. Yúlia o interrompe: sabe há muito dos planos criminosos e achará um desfecho harmonioso. Ao entender que Piotr lhe contou mais, e antes, e que talvez seja o principal instigador, Lembke explode, ameaça prender o amante dela e acorrentá-lo, ou se atirar pela janela; ela ri, um riso longo, de atriz parisiense, e ele, de punho erguido, não bate: foge ao gabinete, cobre-se com o lençol e fica duas horas sem dormir, lembrando coisas sem sentido.
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