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Os Demônios · Terceira Parte

A festa e o incêndio

Resumo da parte

Em vinte e quatro horas a cidade que as duas primeiras partes foram armando desmonta em público, e o romance muda de gênero no meio do caminho: a matinê é comédia de costumes, o baile começa como farsa e acaba em fogo, e a manhã seguinte traz mortos. O que une as três cenas não é um plano. Cada gesto vem de alguém que quer outra coisa: Yúlia Mikháilovna quer uma festa que a consagre, Karmazínov quer sair aplaudido, Stiepan Trofímovitch quer reconciliar as gerações, Lipútin quer divertir-se, Lembke quer ordem, Lizavieta Nikoláievna quer viver uma hora inteira. Piotr Stiepánovitch aparece em volta de todos, ajeitando o que cada um já queria, e o desastre sai da soma. A pergunta que fica, ao fim do terceiro capítulo, é quem responde por um crime em que todos puseram a mão e ninguém decidiu sozinho.

Capítulo I: A matinê literária

Resumo do capítulo

A festa de Yúlia Mikháilovna von Lembke acontece apesar do dia de confusão da véspera, porque ela deposita nela um significado tão grande que a faria mesmo que o marido morresse na noite anterior. Cega até o último minuto, não percebe que a cidade inteira espera um escândalo e que as senhoras a odeiam em bloco, e continua convencida de estar "cercada" e de ter gente que lhe é fanaticamente dedicada. O cronista, que é um dos doze "rapazes de laço" da organização, explica o clima antes de contar o dia: em tempo de transição sobe em toda sociedade a ralé, sem meta nem pensamento, só inquietação e impaciência. O dia se divide em duas partes, a matinê literária do meio-dia e o baile da noite, e a matinê é a que se desfaz primeiro. Yúlia recusa o meio-termo que o comitê propõe e faz da festa a proclamação de uma grande ideia, enquanto a cidade, convencida de que haverá bufê, só espera um escândalo. No palco, o capitão Lebiádkin aparece bêbado, ri e é retirado, e Lipútin lê em seu lugar versos que zombam das preceptoras, a quem a festa deve beneficiar. Karmazínov lê o conto de despedida, "Merci", é interrompido por vozes que dizem que aquilo é só estilo, e se despede do público com três "merci". Stiepan sobe em seguida, decidido a reconciliar as gerações, defende a beleza acima da utilidade e é vaiado; um seminarista o acusa de ter perdido o servo Fiedka no jogo, e ele foge amaldiçoando todos. Um terceiro leitor, o professor maníaco, brada que a Rússia nunca esteve tão envergonhada e é aplaudido por metade da sala. O cronista guarda o laço e vai para a casa de Stiepan.

Análise

эта сволочь, сама не зная того, почти всегда подпадает под команду той малой кучки «передовых», которые действуют с определенною целью, и та направляет весь этот сор куда ей угодно, essa ralé, sem o saber, quase sempre cai sob o comando daquele punhadinho de "avançados" que agem com objetivo determinado, e este dirige todo esse entulho para onde bem entende.

O cronista escreve depois do desastre, quando a cidade já põe tudo na conta da Internacional, e por isso desconfia da explicação pronta: diz não saber em que consistia o tal tempo conturbado. Ainda assim a frase faz da ralé um instrumento e admite, na mesma linha, que quem comanda pode ser um bando de "idiotas perfeitos". Quem manda não é garantido, e o mecanismo funciona do mesmo jeito.

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Capítulo II: O baile e o incêndio

Resumo do capítulo

O cronista corre à casa de Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski, que não o recebe: está trancado, escrevendo, e responde pela porta que acabou com os homens, bons e maus. Escreve a Dária Pávlovna Chátova, a quem esqueceu "de modo imperdoável", e despede-se do amigo com um "merci", como Karmazínov com o público. Diante dos avisos do cronista, que teme que ele tente algo ainda mais insensato, mostra uma firmeza inesperada, com o mesmo sarcasmo e o mesmo cuidado de forma de sempre, e é isso que tranquiliza o cronista: um homem tão pouco mudado, conclui, não está disposto a nada trágico. "E, meu Deus, como me enganei!", acrescenta, ao resumir o começo da carta que Dária Pávlovna receberá no dia seguinte: a sorte está lançada, ele deixa a cidade para sempre e não sabe para onde.

Na casa de Yúlia Mikháilovna von Lembke o cronista assiste a uma cena que o revolta e que não pode impedir. Encontra-a em lágrimas, quase histérica, diante de Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski e do príncipe, que não abre a boca. Ela o censura por "apostasia" e atribui toda a vergonha da manhã à ausência dele; Piotr está, pela primeira vez, sério e irritado, e diz que adoeceu em casa de Gaganov. A questão na mesa é se haverá baile, e Yúlia Mikháilovna, que não quer ir, quer na verdade ser forçada a ir, e por ele; Piotr, por sua vez, precisa que o baile aconteça e que ela compareça. O poder dele sobre ela, observa o cronista, vem de ter aprovado desde o início todos os seus sonhos de influir na sociedade e no ministério, de lhe inventar planos e de adulá-la grosseiramente, até se tornar necessário como o ar.

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Capítulo III: O romance acabado

Resumo do capítulo

Em Skvoriéchniki, na sala grande de onde o incêndio se vê como na palma da mão, Lizavieta Nikoláievna Tuchina olha o clarão que se apaga, às seis da manhã, com o vestido claro da véspera, amassado e posto às pressas. Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin entra, diz que mandou um mensageiro a cavalo e que, segundo o que se conta, o fogo queimou parte do Zariétchie, perto do cais, à direita da ponte, desde depois das onze da noite, e ela o recebe com humor tenso: vive pelo calendário, cada passo seu é calculado, "não ficaremos muito tempo juntos", viveu a sua hora no mundo e basta, e não quer parecer-se com Khristofor Ivánovitch de Lausana, o visitante que dizia "só um minuto" e ficava o dia inteiro. Lembra que na véspera, ao entrar, se apresentou como morta, e que ele preferiu esquecer. Ele jura que a ama mais que ontem e quer partir com ela hoje mesmo; ela recusa, porque o único ideal que lhe resta é o de Moscou, visitas feitas e recebidas, e isso é impossível a um homem casado. Quando ele pergunta se ela se vinga da "fantasia de ontem", responde que é pensamento baixo, e quando ele diz que pagou com a vida por essa esperança, pergunta: "Com a sua ou com a alheia?". Ele se levanta, empalidece, jura que não sabe de nada, e depois sorri devagar: falavam de duas coisas diferentes.

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