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Os Demônios · Segunda Parte

A noite dos credores

Resumo da parte

Em um dia e meio, Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin é procurado, visitado e cobrado por todos os que lhe devem alguma coisa ou a quem ele deve. Piotr o quer como bandeira; Alexei Kiríllov vive da certeza de que a felicidade abole o tempo e de que o homem, ao saber disso, se torna Deus; Ivan Chátov lhe devolve a doutrina do povo que carrega Deus e não consegue dizer que crê; o capitão Ignat Lebiádkin vive do segredo do casamento; Mária Timofêievna Lebiádkina, sua mulher secreta, o recebe como a um impostor; Fiedka se oferece a resolver o problema por mil e quinhentos rublos sem nunca dizer o verbo; e Gagánov exige que ele atire de verdade. Stavróguin atravessa as visitas sem aceitar nenhuma dívida e sem rejeitar nenhuma. Nas primeiras, anuncia o casamento e avisa Chátov de que o querem matar; nas últimas, joga o dinheiro na lama e atira para o bosque. A pergunta que a parte levanta é de quem é a responsabilidade pelas ideias e pelos atos que um homem deixa nas mãos dos outros sem nunca os ter assumido.

Capítulo I: A noite das visitas

Resumo do capítulo

Oito dias depois do domingo da bofetada, o cronista e Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski vivem trancados, sem saber de nada, enquanto a cidade se alimenta de boatos que alguém espalhou depressa e com os detalhes certos. Os dois concluem que só pode ter sido Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski, que em quatro dias conheceu todos, janta quase todo dia com Yúlia Mikháilovna von Lembke e foi chamado por Karmazínov. Os Lebiádkin sumiram, levados por Piotr para além do rio, e Ivan Chátov se fechou em casa. Stiepan, depois de duas conversas com o filho que o deixam de cama com uma toalha molhada na cabeça, se mantém estranhamente calmo.

Na segunda-feira, às sete da noite, Piotr consegue enfim ser recebido por Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin, que passou a semana trancado, com o rosto inchado e Varvara Pietrovna Stavróguina rondando a porta. Entra gritando de propósito para que o outro tenha tempo de esconder uma carta, olha a ponta do envelope sob o peso de papel e se explica com franqueza ruidosa: foi ele quem pôs em circulação o boato da ligação de Stavróguin com a mulher de Chátov em Paris, o que "explicou" o domingo; mudou de ideia sobre Stavróguin; e adota uma tática nova. Stavróguin responde pouco, e a Piotr diz que prometeu à mãe pedir, dentro de cinco dias, a mão de Lizavieta Nikoláievna Tuchina.

Depois que o hóspede sai, Stavróguin dorme sentado por mais de uma hora; às nove e meia, o criado traz um bilhete a lápis, que ele responde com duas palavras, e ele sai pela porta do jardim, de guarda-chuva, levando a carta. Pede a Alexei Kiríllov que seja seu padrinho num duelo com Gagánov, e a conversa desliza do duelo para o suicídio; depois sobe até Chátov, a quem avisa que o querem matar e que ele vai tornar público o casamento com Mária Timofêievna Lebiádkina.

Análise

Piotr explica a Stavróguin por que escolheu aparecer na cidade como um tolo inofensivo, e o faz com um pedido de desculpas pela tagarelice que é ela mesma parte do método:

Самое бы лучшее совсем без роли, свое собственное лицо, не так ли? Ничего нет хитрее, как собственное лицо, потому что никто не поверит, o melhor seria ficar sem papel nenhum, com a própria cara, não é? Não há nada mais astuto do que a própria cara, porque ninguém acredita nela.

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Capítulo II: Fiedka, o capitão e Mária Timofêievna

Resumo do capítulo

Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin segue pelo rio até a ponte flutuante e, no meio dela, alguém se enfia sob o seu guarda-chuva: é Fiedka, o servo fugido da Sibéria de que Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski falara horas antes, que se apresenta com a deferência afetada dos mercadores e já sabe quem ele é. Conta que espera por ele naquela ponte há quatro noites, que Piotr lhe promete um passaporte mas não confia nele, e que vem oferecer-se por conta própria; pede três rublos "para o chá". Stavróguin não dá nada, ordena que não o procure mais e ameaça entregá-lo à polícia. Fica inquieto: o homem tem certeza de que é necessário, e talvez, desconfia, não tenha vindo por ordem de Piotr, o que seria o mais interessante.

Na casa nova e minúscula, nos confins da cidade, o capitão Ignat Lebiádkin o recebe sóbrio há oito dias, entre servilismo e medo. Declara que vive "como Zózima", apresenta o testamento que escreveu (o esqueleto para os estudantes, com o rótulo de livre-pensador arrependido) e o poema que compôs, "Se ela quebrasse a perna". Stavróguin corta a comédia e enumera suas faltas: a bebida, as mentiras, o dinheiro desviado de Mária Timofêievna Lebiádkina, as cartas ameaçando divulgar o segredo. Declara então, com a calma de uma ordem doméstica, que dentro de dois dias tornará público o casamento "à polícia e à sociedade", e que Lebiádkin não entrará na casa nem receberá mais dinheiro. Em seguida o interroga: quer saber se denunciou alguma coisa e a quem. O capitão, em lágrimas, conta que o fez só a Lipútin, bêbado, e narra a história de panfletos que distribuiu; Stavróguin lhe oferece uma versão para repetir, a de que Lipútin mentiu e que o capitão só quis assustá-lo com a denúncia para arrancar mais dinheiro. Na outra peça, Mária Timofêievna o trata como a um impostor e o acusa de trazer uma faca no bolso; ele a empurra com toda a força contra o sofá e foge. Na ponte, derruba Fiedka, que lhe fala em aritmética do dinheiro que o capitão guarda na casa; sem dizer palavra, Stavróguin lhe joga as cédulas, e o homem se arrasta atrás delas.

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Capítulo III: O duelo e o fardo

Resumo do capítulo

No dia seguinte, às duas da tarde, no bosque de Bríkov, Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin e Artêmi Pávlovitch Gagánov se batem. Quem quer o duelo a qualquer preço é Gagánov: há um mês insulta Stavróguin sem tirá-lo do sério, não tem pretexto para desafiá-lo e se envergonha do motivo verdadeiro, o ódio pela afronta feita ao pai dele quatro anos antes. Acha o adversário um covarde sem pudor, que engoliu uma bofetada de Ivan Chátov. Por isso escreveu a carta grosseira que levou Stavróguin a propor o encontro, e recusa de saída as desculpas que Alexei Kiríllov, padrinho de Stavróguin, leva pela terceira vez; o padrinho dele, Mavríkii Nikoláievitch, quer a reconciliação e se cala quando vê Gagánov tremer na cadeira. Só entra uma cláusula nova, cruel: se nada se decidir, repete-se, até três vezes.

Os dois lados chegam ao bosque: Gagánov e Mavríkii Nikoláievitch numa carruagem leve de parelha, guiada pelo próprio Gagánov, e Stavróguin e Kiríllov a cavalo, o engenheiro firme na sela, embora nunca monte, e com a pesada caixa de pistolas na mão, porque não a confia ao criado. Mavríkii está triste e preocupado, Kiríllov calmo e exato, e Stavróguin, pálido e de chapéu branco, parece muito cansado. Gagánov, coronel reformado de trinta e três anos, grande, louro e gordo, deixou o serviço pela vergonha de família, mas já queria sair desde o manifesto de 1861 que libertou os servos, que o ofendeu pessoalmente sem que soubesse dizer por quê. É um sonhador de castelos e cavaleiros, zeloso da pureza da linhagem, que passou a vida calado. Na hora do sinal, Kiríllov propõe uma última reconciliação, por formalidade; Mavríkii Nikoláievitch o apoia, e Stavróguin repete as desculpas. Gagánov grita que cada concessão só agrava a ofensa.

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