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Os Demônios · Terceira Parte

A última decisão

Resumo da parte

Em dois dias e uma noite, o quinteto que se rebelava passa a cúmplice de um assassinato. Piotr Stiepánovitch tem pressa: Stavróguin foi embora, a cidade está de cabeça para baixo, e precisa prender os cinco a alguma coisa antes de partir. Inventa uma denúncia que ninguém viu e a faz valer pela força da certeza, e escolhe para vítima o homem que ele detesta. Enquanto isso, a mesma casa recebe Marie, que volta a Chátov doente e grávida, e vê nascer um filho, e Kiríllov, o vizinho, descreve a Chátov os cinco segundos em que o mundo está inteiro e a vida vale ser dada. As duas casas do pátio de Filíppov viram os lados de uma balança em que se pesa quanto vale uma convicção, para quem a tem e para quem a usa. Quando o corpo entra em cena, no parque e no quarto de Kiríllov, o resultado é o mesmo: a doutrina se sustentava na conversa, e os que a defendem gritam, mordem e se escondem. A pergunta que fica é a que Virguinski grita sem saber o que quer dizer: se aquilo era mesmo "isso" que haviam combinado.

Capítulo IV: O quinteto na casa de Erkel

Resumo do capítulo

No dia seguinte ao incêndio muita gente vê Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski numa excitação fora do comum. Às duas da tarde ele passa pela casa de Gagánov, cheia de visitas, e fala mais que todos: apresenta-se como confidente íntimo de Yúlia Mikháilovna von Lembke, conta que ela sabia todo o segredo de Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin e conduziu a intriga, e que o enganou também a ele, que estava apaixonado pela pobre Lizá e ainda a levou na carruagem até Stavróguin. Sobre a morte dos Lebiádkin diz que foi puro acaso, culpa do capitão que mostrava dinheiro. A impressão geral lhe é favorável, pois quem o culparia pelas tolices de Yúlia Mikháilovna? Mas, quase às duas, chega a notícia de que Stavróguin partiu de repente para Petersburgo no trem do meio-dia, e Piotr, dizem, muda de cara e exclama: "Mas quem pôde deixá-lo sair?". Ao anoitecer consegue forçar a entrada em casa de Yúlia Mikháilovna, que se recusava a recebê-lo, e o cronista julga que a amedrontou com a ameaça de cumplicidade, caso ela "falasse".

Às oito da noite os "nossos" estão reunidos na casa do alferes Erkel, na viela Fomin: Lipútin, Virguinski, Chigalióv, Liámchin e Tolkatchenko, o "conhecedor do povo". Erkel não pertence ao quinteto; os outros supunham que tinha missões especiais, mas o rapaz, calado e de olhos infantis, só se curva diante de Piotr e manda metade do soldo à mãe doente. O incêndio, a morte dos Lebiádkin e a fúria da multidão sobre Lizavieta Nikoláievna são surpresas que o programa deles nunca previu, e durante a espera acusam a mão que os move de despotismo e falta de franqueza. Combinam exigir uma explicação categórica e, se Piotr se esquivar mais uma vez, romper o quinteto e fundar por conta própria uma sociedade de "propaganda de ideias", em bases iguais e democráticas.

Análise

Piotr chega às oito e meia, altivo, e percebe de longe que estão se rebelando. Lipútin fala em nome de todos: o que têm a ver com o grupo as intrigazinhas do senhor Stavróguin? Piotr diz que o assassinato foi obra de Fiedka, para roubar, e que a culpa, se há, é de Lipútin, que devia ter despachado Lebiádkin. Mostra a carta anônima de Lebiádkin a Lembke, que Lipútin e Tolkatchenko reconhecem como letra dele, e conclui que um Fiedka qualquer os livrou, por acaso, de um homem perigoso. Depois vira o jogo e pergunta com que direito incendiaram a cidade sem licença. Diz que três deles instigaram os operários de Chpigúlin e prova que sabe tudo: Tolkatchenko cochichou a Fomka na taverna Niezabúdka e ele estava debaixo da mesa; Lipútin beliscou a mulher no quarto, o que lhe contou a criada Agáfia, a quem paga por espionagem. Quando Virguinski protesta contra o despotismo e a desigualdade, Piotr responde que cada um é apenas um nó numa rede infinita e deve obediência cega ao centro. Chigalióv pede licença para "constatar um fato":

систематическою обличительною пропагандой беспрерывно ронять значение местной власти, произвести в селениях недоумение, зародить цинизм и скандалы, полное безверие во что бы то ни было, жажду лучшего и, наконец, действуя пожарами, как средством народным по преимуществу, ввергнуть страну, в предписанный момент, если надо, даже в отчаяние, derrubar sem cessar, por meio de uma propaganda denunciadora sistemática, o prestígio do poder local, provocar nos povoados perplexidade, gerar cinismo e escândalos, descrença total em tudo o que existe, sede de algo melhor e, por fim, valendo-se de incêndios como meio popular por excelência, lançar o país, no momento prescrito, até no desespero, se for preciso.

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Capítulo V: A viajante

Resumo do capítulo

A catástrofe de Lizá e a morte de Mária Timofêievna esmagam Ivan Chátov. Ao entardecer ele chega a querer ir e declarar tudo, mas não tem prova nenhuma, só uma convicção que vale para ele, e denunciaria apenas a si mesmo; Piotr Stiepánovitch adivinhou o impulso e sabe que corre risco ao adiar o plano para amanhã. O que salva os "canalhas" por mais algum tempo é uma circunstância que eles não previram. Por volta das oito, na hora em que os cinco esperam Piotr em casa de Erkel, Chátov está deitado no escuro, com dor de cabeça e calafrios, e sonha que o amarraram na cama enquanto batem em toda a casa; acorda, e as pancadas no portão continuam, com uma voz impaciente que ele reconhece. É a mulher, Marie.

Entra áspera, brigando com o cocheiro por trinta copeques, e examina o quarto com nojo: veio por pouco tempo, enquanto não acha trabalho, porque não tem dinheiro (oito grívnas na bolsa) nem conhece ninguém. Avisa que não veio se arrepender de nada e que ele não pense essa tolice; diz que o procurou porque sempre o tomou por "nada canalha, talvez muito melhor que os outros... canalhas", e deve ter passado por coisas piores com alguns deles. Chátov a ouve tomado de uma alegria que não sabe conter, porque os três anos de separação não tiraram nada do coração dele e porque nunca imaginou que uma mulher lhe diria "amo". Vê que ela está doente. Corre ao vizinho Alexei Kiríllov atrás de chá e chega a pegar o revólver para penhorar. Kiríllov lhe dá chá, açúcar, pão, vitela e um rublo ("se é a mulher, tem de haver samovar") e diz que é bom ele amar a mulher "depois da Suíça". Ao recolher as coisas, Chátov pede a Kiríllov que largue o delírio ateu. Marie toma meia xícara e recusa a vitela; pergunta se ele é eslavófilo, e ele responde, com um sorriso torto, que se fez eslavófilo por não poder ser russo; do andar de baixo ela já sabe: "É essa que mataram esta noite? Acabei de chegar e já ouvi". Adormece de repente.

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Capítulo VI: Uma noite pesadíssima

Resumo do capítulo

Virguinski gasta duas horas do dia correndo atrás dos "nossos" para anunciar que Chátov não denunciará, porque a mulher voltou e teve um filho, e "conhecendo o coração humano" não é de supor que ele seja perigoso. Só encontra Erkel, que o escuta olhando-o nos olhos e responde com um sorriso claro que irá, "claro", às seis, e Liámchin, deitado sob um cobertor, doente de medo, que já sabe da morte de Fiedka (por Lipútin) e agita as mãos pedindo que o deixem em paz. Virguinski volta para casa aflito; o que o sustenta é uma ideia nova, um plano conciliador, e por isso chega ao ponto de encontro antes da hora. O encontro termina com o assassinato de Chátov: Piotr vence a objeção de Virguinski com a própria resposta dele, Chigalióv se retira por coerência com o programa, e Chátov, levado ao parque por Erkel, é derrubado, morto a tiro por Piotr e jogado no lago com pedras atadas ao corpo. Liámchin grita como um bicho, Virguinski arranha quem o abraça, e Piotr, que previra tudo menos isso, exorta os cinco a sentir o orgulho de um dever cumprido. No caminho de volta, Lipútin o alcança com medo de que Liámchin denuncie, e Piotr responde que Liámchin seria o primeiro a ir para a Sibéria; Lipútin pergunta então se há um só quinteto no mundo ou centenas, e a resposta irritada de que a essa altura tanto faz lhe basta para concluir que é um só. De madrugada vai a Kiríllov, para que assine o papel que assume o crime; Kiríllov expõe mais uma vez a doutrina do suicídio, assina, tem um acesso de pânico e se mata a tiro, e Piotr deixa a cidade no trem expresso das seis, que só parte uma vez por semana, e Erkel, que o acompanha à estação e lhe diz que os outros não são confiáveis, nunca mais o vê.

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