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Os Demônios · Terceira Parte

A última errância

Resumo da parte

Dos que a Terceira Parte pôs em movimento, ficam os fins. Stiepan Trofímovitch, o pai das duas linhagens do romance, sai a pé pela estrada, sem saber para onde, e morre numa cama de aldeia, com a mulher que amou durante vinte anos ao lado, depois de ler em voz alta a passagem que dá título e epígrafe ao livro e de aplicá-la à Rússia, a si e ao filho. Marie e o menino morrem do frio e do pânico de uma manhã em que ela entra no anexo de Kiríllov. O grupo se desfaz por causa do primeiro que cede, Liámchin, e cada um dos outros acaba preso à sua maneira, menos Piotr Stiepánovitch. E Stavróguin, que escrevera a Dária Pávlovna que nunca poderia atirar em si mesmo, é achado enforcado, com cordão ensaboado e prego de reserva. Quatro desfechos respondem ao mesmo impasse: o que fazer quando a ideia que sustentava a vida se mostra falsa ou se cumpre até o fim.

Capítulo VII: A última errância de Stiepan Trofímovitch

Resumo do capítulo

Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski parte a pé, na manhã seguinte ao baile, com o saco no ombro, o guarda-chuva e a bengala, e o cronista, que o julga aterrorizado e incapaz de recuar, explica por que a pé e não de coche. Pedir cavalos o faria ser descoberto e detido por Varvara Pietrovna Stavróguina, a quem obedeceria, e adeus à grande ideia; e para tirar passaporte de viagem teria de dizer para onde vai, mas qualquer cidade tornaria a empresa ridícula aos próprios olhos dele, porque nenhuma é a de "ce marchand", o comerciante que ele vai procurar e que mais teme achar. A estrada, ao contrário, "é algo comprido, sem fim, como a vida humana; na estrada está a ideia, e no passaporte está o fim da ideia". Daí o mote, "Vive la grande route". Na estrada, Stiepan encontra camponeses, aluga uma carroça e conhece Sófia Matvêievna, uma viúva que vende Evangelhos pelos caminhos e que dali em diante o acompanha. Ela tem trinta e quatro anos, é viúva de um subtenente morto em Sebastopol e perdera a carona de uma proprietária até Spássov; ele a leva na carroça que alugou. Na hospedaria, depois de lhe despejar a história da sua vida, tem um acesso de colerina que o impede de pegar o vapor das duas da tarde. Na cama, ele confessa que mentiu a vida toda, por glória e por ociosidade, e pede que ela leia o Evangelho; ouve a passagem dos porcos e a aplica à Rússia, a si mesmo e ao filho. Varvara Pietrovna chega, expulsa Sófia e a chama de volta, e os dois, que em vinte anos nunca se disseram nada, finalmente dizem o que sentiam. Ele se confessa, comunga, declara que o amor exige a imortalidade e morre três dias depois, com ela ao lado.

Análise

Stiepan Trofímovitch faz de peregrino para não ter de dizer aonde vai, e a estrada lhe serve de destino porque não pede resposta. O cronista nota que o medo o assalta aos poucos (de Fiedka, dos ladrões), mas ele continua, porque voltar seria aceitar o lugar de agregado de Varvara Pietrovna. Para ele a fuga custa menos que a ficada, e é isso que a faz parecer um ato.

Depois de uma versta ou versta e meia pela estrada real, sentado junto a um salgueiro, de guarda-chuva aberto, ele junta as imagens da véspera (Lise, o incêndio, os mortos, o baralho em que perdeu gente, Fiedka) e pensa que, se encontrar Fiedka, lhe dirá toda a verdade e lhe dará a bolsa, com quarenta rublos, "e ele me matará do mesmo jeito". Passa uma carroça com um camponês, uma mulher e uma vaca atada atrás; aliviado pela vaca, ele a acompanha. Os dois o interrogam com curiosidade, e ele responde em francês que não é comerciante, que é "outra coisa". Oferecem-lhe carona por cinquenta copeques, e ele, num lampejo, se declara "o professor principal". Chegam a Khátovo, a uma casa de três janelas, onde ele se aquece, come panquecas, pede "un tout petit rien" de aguardente e leva um cálice à camponesa, tomado de uma inspiração: "sei tratar perfeitamente com o povo".

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Capítulo VIII: Os desfechos

Resumo do capítulo

Os crimes vêm à tona mais depressa do que Piotr Stiepánovitch supunha, e o primeiro fio é a mulher de Chátov. Marie acorda antes do amanhecer, na noite em que ele foi morto, e não o encontra; a criada contratada por Arina Prókhorovna não consegue acalmá-la e corre a chamar a parteira, jurando que ela sabe onde ele está. Arina Prókhorovna já sabia do que se passara em Skvoriéchniki: Virguinski chegou às onze da noite em estado terrível, repetindo aos soluços "não é isso, não é isso, não é nada disso", e lhe confessou tudo, só a ela na casa. Ela o mandou chorar no travesseiro e não demonstrar nada no dia seguinte, e tratou de esconder ou queimar papéis, livros, talvez proclamações. Quando a criada chega, quer antes de tudo saber se é verdade o que o marido lhe disse, em sussurros de delírio, sobre o plano de Piotr para Kiríllov. Mas chega tarde: Marie, sozinha, não aguentou, levantou-se, vestiu o que achou, algo leve e fora de estação, e foi ao anexo de Kiríllov, achando que ele lhe diria onde estava o marido. O que viu ali o cronista só pode imaginar; o certo é que não leu o bilhete que estava sobre a mesa, à vista, e que correu para o quarto, pegou o menino e saiu com ele pela rua, na manhã úmida e enevoada.

Corre sem ar pela lama fria e bate em casas: uma não abre, outra demora, e na terceira, a do comerciante Títov, grita sem nexo que "mataram o seu marido". Conhecem Chátov e se assustam de vê-la, com um dia de parida, de roupa leve, com o bebê quase descoberto; julgam-na em delírio, porque ela não consegue dizer quem foi morto, se Kiríllov ou o marido. Ao perceber que não acreditam, tenta fugir e a seguram à força. Vão à casa de Filíppov, e em duas horas o suicídio de Kiríllov e o bilhete são conhecidos pela cidade inteira. A polícia a interroga ainda lúcida, e ela só grita: "se aquele foi morto, meu marido também foi: estavam juntos!". Ao meio-dia perde a consciência e morre uns três dias depois; o menino, resfriado, morrera antes dela.

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