Resumo da parte
Enquanto a Primeira Parte mostrava uma cidade que condenava Stavróguin, esta mostra uma cidade que o absolve, e ambas as vezes pelo motivo errado. Uma frase solta de Yúlia Mikháilovna von Lembke basta para virar a opinião de todos; a mesma leviandade, depois, ri de uma mulher espancada, de uma noiva humilhada, de um ícone violado, de um garoto suicida. Por trás dela trabalha Piotr, que dá a cada um a mentira de que precisa: ao pai, a abjeção de ter sido um agregado; ao governador Andrei Antónovitch von Lembke, uma conspiração pequena e controlável; a Karmazínov, uma data que lhe permita vender a propriedade; a Alexei Kiríllov, uma vontade que se declara só dele; a Ivan Chátov, um convite que o isola. Varvara Pietrovna Stavróguina rompe com Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski com as palavras do filho dele, e Lizavieta Nikoláievna Tuchina se ajoelha na lama diante de um ícone que ninguém mais respeita e, dias depois, não suporta ver o noivo ajoelhado. A parte inteira caminha para a reunião da noite, onde a pergunta que fica é o que une um grupo de pessoas que já não se ofendem com nada.
Capítulo IV: A cidade absolve, Piotr cerca o pai e o governador
Resumo do capítulo
Na tarde seguinte ao duelo, toda a cidade se reúne no aniversário da mulher do marechal da nobreza, e a conversa sobre Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin gira, cautelosa, até que um general reformado e ceceante, que adora dizer em voz alta o que os outros cochicham, pergunta se é verdade que o rapaz é louco e se, como lhe contou Stiepan Trofímovitch, ele se bateu com Gagánov só para oferecer a testa a um homem enfurecido. Yúlia Mikháilovna von Lembke, irritada porque todos olham para ela, responde com uma frase que dá a volta na cidade: a razão por que ele se bateu com Gagánov e não com o estudante está à vista de todos.
Daí em diante, o escândalo, a bofetada, a coxa e o desmaio de Lizavieta Nikoláievna Tuchina perdem a vez para uma figura nova, de severidade quase ideal, e a cidade que o detestava há quatro anos passa a gostar dele, inclusive porque é o maior proprietário da província. Dizem agora que está noivo de uma filha do conde K. Quando ele aparece, fecha-se num silêncio que satisfaz todos. Varvara Pietrovna Stavróguina, triunfante, vai visitar Yúlia Mikháilovna para agradecer: ouve de Yúlia que ela nunca ouviu falar dos méritos de Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski, que a Madona Sistina decepciona, que é preciso afagar os jovens para segurá-los à beira do abismo, e que ela prepara uma matinê literária com almoço e baile em benefício das preceptoras pobres, em que Karmazínov lerá a despedida "Merci" e Stiepan poderá ler algo curto. Varvara sai fascinada por Yúlia e furiosa com Stiepan.
Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski, zangado por ter sabido do duelo só no dia seguinte, aconselha Varvara a se reconciliar com o velho, que ele quer promover por cálculo próprio, e se oferece para levar o recado. Cinco dias depois do duelo, no clube, sussurra a Stavróguin que ele não tinha direito de se bater, que passou por Chátov, que quer publicar Mária Timofêievna, e lhe agarra o ombro; Stavróguin se desvencilha com um olhar de ameaça.
Análise
O que a cidade aplaude não é a clemência de Stavróguin, é a sua posição. A mudança vem de uma só frase, dita por Yúlia Mikháilovna diante de todos:
Разве возможно удивление, что Ставрогин дрался с Гагановым и не отвечал студенту? Не мог же он вызвать на поединок бывшего крепостного своего человека
, mas como é possível alguém se admirar de que Stavróguin tenha se batido com Gagánov e não tenha respondido ao estudante? Não podia desafiar para um duelo um antigo servo seu!
Assinatura
A análise completa de cada parte de Os Demônios está na assinatura, com a explicação de cada citação, o quiz, o guia em PDF e o caderno de estudos.
Capítulo V: Antes da festa
Resumo do capítulo
A festa de Yúlia Mikháilovna von Lembke em benefício das preceptoras pobres é adiada várias vezes, enquanto em volta dela se forma um círculo de jovens e damas, com Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski sempre no centro, o pianista Liámchin, Lipútin, que ela quer como redator de um jornal, e até Karmazínov. O humor da cidade é de leviandade: a cavalgada dos jovens inventa aventuras só para contá-las depois, zomba da mulher de um tenente que perdeu quinze rublos no carteado e foi surrada pelo marido, persegue com risadas uma noiva humilhada na noite de núpcias, e enfia fotografias obscenas na bolsa de uma vendedora de Evangelhos, que acaba presa. Yúlia se zanga com cada uma e perdoa tudo no dia seguinte, por conselho de Piotr e por uma frase de Karmazínov que acha as brincadeiras características e ousadas.
O ápice é o sacrilégio contra o ícone da Natividade da Virgem, no portão da igreja da praça: vidro quebrado, pedras e pérolas arrancadas, e um rato vivo atrás do vidro. Entre os curiosos, Lizavieta Nikoláievna Tuchina chega a cavalo, ajoelha-se na calçada suja e doa os próprios brincos. Dois dias depois, a mesma companhia visita o santo louco Semión Yákovlievitch, onde Liza obriga o noivo, Mavríkii Nikoláievitch, a se ajoelhar e, no instante em que ele obedece, o arranca do chão, aterrorizada; no caminho, o grupo parou no quarto de hotel de um garoto de dezenove anos que se matou depois de gastar quatrocentos rublos confiados pela família.
No mesmo dia, em Skvoriéchniki, Varvara Pietrovna Stavróguina enfim se explica com Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski: oferece-lhe três mil rublos por ano para que viva longe dela, reduz os vinte anos de convivência a uma lista de acusações, e ouve dele a promessa de que lerá na festa sobre a Madona Sistina e partirá depois, a pé, de bolsa de mendigo.
Análise
Capítulo VI: Piotr trabalha a cidade
Resumo do capítulo
A festa está marcada, e Andrei Antónovitch von Lembke fica a cada dia mais sombrio, com a cólera chegando, o gado morrendo, os incêndios do verão e o boato de que alguém os provoca. Yúlia Mikháilovna von Lembke, que sonha em descobrir uma conspiração de Estado e em salvar os jovens ao revelá-la, acredita que Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski, ligado a tudo o que há de revolucionário na Rússia e devotado a ela, lhe mostrará o complô; por isso o manda animar o marido. Piotr o encontra num dia mau: um subtenente do distrito mordeu o ombro do comandante, tinha proclamações nos bolsos, e o administrador da fábrica dos Chpigúlin, fechada depois de um surto de cólera, acaba de entregar à polícia pacotes das mesmas folhas.
Piotr, fingindo-se amigo, devolve o romance manuscrito que Lembke julgava perdido, com uma crítica franca, e depois pede que ele poupe Ivan Chátov, de quem diz serem o poema «Svétlaia litchnost» e uma nota ao engenheiro Alexei Kiríllov. Diz que o movimento inteiro cabe em sete pessoas, pede seis dias de quietude e segredo diante da mulher, e vai embora. Lembke, que fica a sós com o funcionário Blum, hesita diante de uma busca em casa de Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski e acaba mandando-o fazer o que quiser, "depois".
No resto do dia Piotr arranca de Karmazínov a data em que a Rússia vai ruir, cobra de Kiríllov a morte combinada, convoca Chátov ao encontro dos "nossos" e, às seis da tarde, chega a Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin pouco depois de Mavríkii Nikoláievitch lhe ceder a noiva, Lizavieta Nikoláievna Tuchina. Os dois caminham para a casa de Virguinski.
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