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Romeu e Julieta · Ato V · Cena I

Romeu compra veneno em Mântua

Resumo da cena

Em Mântua, Romeu acorda de um sonho em que a mulher o encontrava morto e o fazia reviver com beijos, até ele ser imperador, e sente uma alegria que atribui a um bom presságio. Chega Baltasar, seu criado, vindo de Verona. Romeu pergunta se ele traz cartas do frei e por Julieta e pelo pai, dizendo que nada pode estar mal se ela estiver bem. Baltasar responde que ela está bem, porque seu corpo dorme no jazigo dos Capuleto e sua parte imortal vive com os anjos; viu-a ser posta lá e correu para avisar, pedindo perdão por trazer a má notícia. Romeu diz "Então eu vos desafio, estrelas!" e manda que Baltasar traga tinta, papel e cavalos de posta, porque voltará a Verona naquela noite. Baltasar, que o acha pálido e transtornado, pede paciência. Romeu pergunta de novo por cartas do frei e ouve que não há.

Sozinho, Romeu diz que naquela noite se deitará ao lado de Julieta, no jazigo, e que o pensamento da desgraça entra depressa na mente dos desesperados. Lembra-se de um boticário que viu ali perto, com roupas esfarrapadas e olhar magro, e da loja miserável de caixas vazias, potes e sementes velhas. Pensa que, se alguém precisasse de veneno, cuja venda é punida em Mântua com a morte, ali viveria um miserável que o venderia. Bate à porta do boticário, dá-lhe quarenta ducados e pede uma dose de veneno rápido. O boticário diz que tem tais drogas, mas que a lei de Mântua dá a morte a quem as vende. Romeu responde que a fome e a miséria estão no rosto dele, que o mundo e a lei do mundo não o ajudam a enriquecer, e que ele deve quebrar a lei e aceitar o dinheiro. O boticário cede: diz que sua pobreza consente, não sua vontade, e explica que basta pôr o pó num líquido. Romeu lhe dá o ouro, que chama de veneno pior para as almas, e diz que foi ele que vendeu veneno, não o boticário. Leva a droga como cordial, e não veneno, para o túmulo de Julieta.

Análise

Romeu age com a informação que tem: Baltasar viu Julieta ser posta na cripta e não traz carta do frei. Pergunta duas vezes por cartas, ouve que não há e responde que não importa, pois já decidiu voltar. O que o leva ao veneno é um pensamento que lhe "entra" antes de qualquer plano: ir naquela noite deitar-se ao lado de Julieta, no jazigo. O boticário só aparece porque ele se lembra de tê-lo visto.

Is it even so? Then I defy you, stars!, é assim mesmo? Então eu vos desafio, estrelas! (V.1)

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