Dom Casmurro nomeia Otelo, a tragédia em que um general mata a mulher por ciúmes, e a usa como espelho. Bentinho dá o título "Uma ponta de Iago" ao capítulo em que uma frase de José Dias lhe desperta o primeiro ciúme, propõe no capítulo LXXII que as peças comecem pelo fim, e no capítulo CXXXV vai ao teatro assistir a Otelo, que "não vira nem lera nunca".
Na peça, o espectador sabe que Desdêmona é inocente, e a tragédia está em ver Otelo errar. Bentinho sai do teatro com a conclusão formada, não com a dúvida: conclui que "não eu, mas Capitu devia morrer" e pergunta o que faria o público se Desdêmona fosse culpada, "tão culpada como Capitu".
O romance diverge do modelo no ponto decisivo. Em Shakespeare a certeza da inocência é dada ao espectador; em Dom Casmurro essa certeza nunca é concedida, e o leitor não sabe se Capitu é inocente. Além disso, a prova de Otelo é um lenço, enquanto a de Bentinho é a semelhança entre o rosto de uma criança e o de um morto. Na manhã seguinte vem a cena da xícara de café.