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Dom Casmurro · Capítulos CI a CXII

O casamento, o mar e o filho

Capítulo CI: No céu

Resumo da seção

Bentinho apressa a narração para casar-se, antes que o leitor desista de esperar. O casamento é em 1865, numa tarde de março chuvosa; no alto da Tijuca, onde fica o ninho dos noivos, o céu para de chover e acende as estrelas. Ele conta a noite como uma visita ao céu em que São Pedro recita a primeira epístola sobre a submissão das esposas e os anjos cantam o Cântico, e admite que pode ter sido sonho de ex-seminarista. Capitu decorou uma frase e disse, no dia seguinte, que ele era a única renda e o único enfeite que poria em si.

Análise

O narrador casa o casal "de uma vez" para não cansar o leitor e transforma a cerimônia em visão: o que a noite tem de conhecido (latim, Escritura, música de ópera) vem da cabeça de um ex-seminarista, e ele mesmo admite que pode ter sido sonho. O casamento chega ao livro como cena de céu, sem registro de gente nem de cartório.

As mulheres sejam sujeitas a seus maridos... Não seja o adorno delas o enfeite dos cabelos riçados ou as rendas de ouro, mas o homem que está escondido no coração... Do mesmo modo, vós, maridos, coabitai com elas, tratando-as com honra, como a vasos mais fracos, e herdeiras convosco da graça da vida...
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Capítulo CII: De casada

Resumo da seção

Na semana da Tijuca o tempo parece um relógio sem mostrador: o casal relembra as tristezas de namorados, a denúncia dos primeiros capítulos e José Dias, que conspirou contra eles e acabou festejando o casamento. Capitu mostra impaciência por descer, fala do pai e da sogra, e os dois se arrufam; descem num dia de sol. Bentinho entende que ela quer os sinais do novo estado e sente o mesmo: inventa passeios para que os vejam e ouve na rua que são o Dr. Santiago e a "mocetona" D. Capitolina.

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Capítulo CIII: A felicidade tem boa alma

Resumo da seção

José Dias, que achou melhor que "mocetona", é a única pessoa de baixo que visita o casal na Tijuca, levando abraços e uma imagem: os dois são aves criadas em dois vãos de telhado contíguos, que sobem juntas ao céu. Nenhum dos dois riu; ouviram comovidos e esqueceram tudo desde a tarde de 1858.

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Capítulo CIV: As pirâmides

Resumo da seção

Dois anos depois do casamento, José Dias reparte-se entre os jantares da Glória e os almoços de Matacavalos, e tudo corre bem, salvo o desgosto de Bentinho e Capitu de não terem filho. Bentinho é advogado de casas ricas e deve a Escobar as estreias no foro. Os casais passam os domingos em Andaraí; Escobar e Sancha têm uma filhinha, e o narrador ouviu falar de uma aventura de teatro do marido, sem escândalo. Escobar diz a Bentinho que Deus dará filhos quando quiser.

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Capítulo CV: Os braços

Resumo da seção

Capitu gosta de rir e de se divertir, pede que não lhe comprem joias caras, aprende piano depois de casada, canta pouco por não ter voz e dança com amor; as noites do casal são à janela da Glória, olhando o mar, enquanto Bentinho lhe dá aulas de astronomia, às vezes com ela cochilando. Os braços dela são belos, e ele se enche de vaidade quando os leva nus a um baile, mas no segundo, vendo os homens roçarem as mangas pretas neles, fica vexado e, no terceiro, não vai. Confia o tédio a Escobar, que concorda; Capitu cede e passa a ir de escumilha.

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Capítulo CVI: Dez libras esterlinas

Resumo da seção

Capitu guarda coisas usadas, como os sapatinhos rasos de fitas pretas que usou antes de calçar botinas. Numa noite de astronomia na praia da Glória ela se perde a fitar o mar, e quando Bentinho diz que ela não o ouve responde que ele falava de Sírio, depois de Marte; ele percebe que ela só apanhara o som. Ao ver que ele vai deixar a sala, ela confessa que estava somando uns dinheiros e lhe mostra dez libras esterlinas, sobras da mesada, trocadas em ouro por Escobar, que esteve ali pouco antes. No dia seguinte, Bentinho ri do segredo com Escobar, que diz estar para ir contá-lo e comenta que Sancha não é poupada. Bentinho chama Capitu de anjo, e Escobar concorda sem entusiasmo.

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Capítulo CVII: Ciúmes do mar

Resumo da seção

Bentinho volta à lição de astronomia para explicar que teve ciúmes do mar não por vaidade de professor, mas pelo que podia estar na cabeça de Capitu: uma distração pode ser meio culpada, um terço, um décimo, porque a culpa tem graduação infinita, e basta a lembrança de uns olhos. Tem o ímpeto de sair da sala, mas não sai, e calcula que voltaria dez minutos depois à lição; os ciúmes dele são intensos e curtos. A amizade com Capitu e com Escobar se estreita depois do episódio.

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Capítulo CVIII: Um filho

Resumo da seção

A sede de um filho persiste, e a visita à filha de Escobar e Sancha, também chamada Capitu e por isso Capituzinha, aumenta a inveja dos dois. Nasce então um rapagão robusto, e Bentinho vive em vertigem de alegria, observando o menino e Capitu amamentando. Sancha passa os primeiros dias com Capitu, e Escobar janta com eles e volta de noite a Andaraí. Bentinho imagina para o filho carreiras variadas; Escobar acompanha as fantasias e propõe casar o menino com a filha, e Bentinho aceita com um aperto de mão. Queria Escobar por padrinho, mas tio Cosme se antecipa e cobra o favor; Escobar não se magoa e oferece a chácara para o almoço. O menino é batizado Ezequiel, o nome de Escobar.

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Capítulo CIX: Um filho único

Resumo da seção

Ezequiel chega aos cinco anos, um rapagão bonito de olhos claros e já inquietos, como se quisessem namorar quase todas as moças da vizinhança. Único filho, sem que viesse outro, dá aos pais os cuidados e os sustos de toda criança.

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Capítulo CX: Rasgos da infância

Resumo da seção

O narrador avisa que o resto ainda lhe toma muitos capítulos. Aos cinco e seis anos, Ezequiel mostra todas as vocações, de vadio a apóstolo, e lembra a mãe quando se mete consigo. Gosta de música: Bentinho pede a Capitu que toque o pregão do preto das cocadas de Matacavalos, ela diz não se lembrar, e ele traz o papelzinho que guardou desde S. Paulo; ela teclou as dezesseis notas e passa a cantá-lo ao filho. Ezequiel faz de médico, militar, ator e bailarino, ama a tropa e os soldadinhos, e pergunta por que o soldado de espada alçada não a deixa cair. Na chácara de Escobar, fica olhando um gato com um rato vivo na boca e pede silêncio; Bentinho bate palmas, o gato foge e o menino, abatido, diz que queria ver.

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Capítulo CXI: Contado depressa

Resumo da seção

Bentinho diz que achou graça na cena do gato e do rato e ainda acha, e que ama o rato sem desamar o gato. Conta então o caso do cachorro, de quando Ezequiel nasceu: com a mãe febril e três cães latindo toda a noite, comprou veneno, mandou fazer três bolas de carne, pôs nelas a droga e saiu à noite; um dos cães, ao vê-lo, veio devagar abanando a cauda, e a confiança lhe atou a vontade. Guardou as bolas no bolso e o cão se livrou.

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Capítulo CXII: As imitações de Ezequiel

Resumo da seção

Bentinho diz que Ezequiel não faria o que ele fez com o cão: iria atrás dos cães à pedrada, e Capitu morre por aquele batalhador futuro. Ela diz que o menino não sai a eles, que gostam da paz, mas ao pai dela em moço. Bentinho aponta o único defeito: Ezequiel imita os outros, prima Justina, José Dias e até um jeito dos pés de Escobar e dos olhos. Capitu fica pensando e diz que é preciso emendá-lo; lembra que o próprio Bentinho imitava quando se zangava, e ele concorda que era vingança de menino. Ela diz não gostar de imitações em casa, ele pergunta se já gostava dele, e ela responde com um riso doce de escárnio; os dois se abraçam.

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